Projeto de garagens deve considerar posicionamento de pilares e portões

Vagas estreitas e fluxo mal dimensionado são outros problemas que criam transtornos aos usuários

Publicado em: 02/09/2013Atualizado em: 31/03/2023

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Projeto Garagem

Uma garagem bem projetada tem grandes chances de sair do papel sem criar problemas, e mesmo que imprevistos aconteçam, a situação pode ser remediada com base nas diretrizes pré-estabelecidas. “Quando o projeto nasce corretamente, já leva em consideração alguns cenários inesperados que podem ocorrer, dessa forma o pós-obra permite um reestudo e remanejamento de alguns elementos para minimizar o problema”, afirma a arquiteta Fadva Ghobar, responsável pelo escritório Ghobar Arquitetura e Planejamento de Garagens.

Devido à sua grande importância, o projeto deve ser bem elaborado, começando pela observação sobre o público que ocupará as vagas. Há diferenças entre a garagem de um condomínio residencial e a de um edifício comercial, por exemplo. “Cada empreendimento tem garagens com características diferentes. Em um aeroporto, a largura da vaga é maior quando comparada à de um edifício comercial, isso porque no aeroporto é preciso prever o descarregamento de bagagens dos carros”, explica Fadva.

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Já em um shopping, as vagas têm de ser livres, ou seja, sem nenhuma obstrução, a não ser que seja oferecido serviço de valets. “Como o público de shopping é flutuante, as vagas têm que ser mais confortáveis e a oferta deve ser alta. Em condomínio comercial ou corporativo, há uma alternância entre a população fixa, os condôminos, e a flutuante (visitantes). Neste caso, a garagem é organizada de forma que a população flutuante tenha uma área ou um pavimento específico para guardar o carro. Se estiver disponível o serviço de valet, pode haver vagas duplas ou triplas otimizando o uso dos espaços, já que nas garagens comerciais são poucos os motoristas que vão até a vaga”, diz a arquiteta. Nos edifícios residenciais, outras características de conforto devem ser consideradas, mas é comum que a população fixa crie as regras quanto à melhor maneira de utilizar as vagas.

Evitando problemas


Os pilares são um dos principais determinantes para um resultado mais ou menos confortável, tanto para circulação quanto para a própria vaga

A profissional comenta que, quando se projeta uma garagem, é preciso ter especial atenção com as estruturas. “Os pilares são um dos principais determinantes para um resultado mais ou menos confortável, tanto para circulação quanto para a própria vaga”, destaca. O posicionamento de itens como pilares, portões e cancelas deve ser planejado com antecedência. “Há alguns anos estas questões não eram previstas no estudo inicial e a decisão acontecia somente no momento da obra. Nos últimos cinco anos, os empreendedores passaram a exigir o projeto da garagem com todos os detalhes, como o tamanho e tipologia do portão, a localização dos equipamentos de automação, área de valet, entre outros elementos”, afirma.


A estrutura da garagem está diretamente vinculada à construção sobre ela, como a própria edificação no caso das garagens em subsolos. “Uma torre com desenho irregular tende a transferir para o subsolo essas características e, com isso, a garagem tem que se adequar a esta forma”, complementa Fadva. O pedestre também precisa ser lembrado no projeto. “A sinalização tem fundamental importância. Devem ser previstas faixas de pedestre, sinalização horizontal e vertical, garantia de acessibilidade, entre outras ações”, indica.

Outro tema importante são as instalações alocadas nas garagens, como casa de máquinas ou depósitos. Estas áreas técnicas devem ser bem planejadas, com um trabalho conjunto entre arquitetos, construtores e projetistas. “É recomendável haver uma discussão entre todas as partes, para que o projeto seja desenvolvido da melhor maneira possível, contribuindo com aquilo que é prioridade no espaço da garagem, que são as vagas e seus usuários. Atualmente, os profissionais já aceitam melhor este cenário de que a garagem pode receber algumas instalações técnicas do edifício, porém, com cuidados, até porque é de conhecimento geral que as vagas agregam valor aos condomínios”, fala a arquiteta.

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Soluções construtivas

As soluções construtivas utilizadas nas garagens são influenciadas pelas características do empreendimento. “No aeroporto de Congonhas, o prédio do estacionamento é todo em concreto aparente, há alguns elementos de pré-moldados e o piso é em concreto desempenado liso com uma camada de epóxi”, exemplifica a profissional. Já em uma obra convencional, o piso normalmente é de cimento ou concreto desempenado, que recebe ou não uma camada de epóxi, e o acabamento é feito com tinta ou seladora. As paredes podem ser cortinas de contenção diafragma, de concreto, placas pré-moldadas ou uma parede de contenção que pode receber acabamentos, como placas de PVC. “Às vezes, a cortina fica desigual e, por isso, é aplicado um acabamento que a torna mais regular. Para este recobrimento ser visualmente agradável, é usada uma mureta revestida por placas de PVC macho-fêmea, similar às utilizadas como forro”, comenta.

Dificuldades projetuais


Quando não há uma análise mais profunda, podem ocorrer descuidos como vãos e vagas apertados, passagem de pedestre comprometida, ambientes ou estruturas que prejudicam a abertura de portas e das manobras dos veículos

Existem dois tipos de problemas que podem acontecer em uma garagem: aqueles que nascem junto com o projeto ou os que acontecem durante as obras. “Quando não há uma análise mais profunda, podem ocorrer descuidos como vãos e vagas apertados, passagem de pedestre comprometida, ambientes ou estruturas que prejudicam a abertura de portas e das manobras dos veículos, o mau posicionamento de pilares ou portões. Estas situações ocorrem cada vez menos, porém ainda há casos em que o projeto não é bem pensado e apresenta medidas ou muito justas ou exageradas”, alerta Fadva.


Há outros casos em que o cenário foi bem preparado, mas imprevistos prejudicam algum conforto de determinado trecho da garagem. “Estes problemas podem ser resolvidos durante a construção ou no pós-obra. Para projetos que foram bem desenvolvidos, a chance de sucesso aumenta consideravelmente. Já naqueles que nasceram no limite, é mais difícil encontrar alternativas. Entretanto, são poucas as situações onde não há uma opção para solução”, diz a profissional.

Garagens e certificações

Em função das certificações que os empreendimentos buscam, como o processo LEED, as garagens vêm sendo agregadas com elementos interessantes, como disponibilidade de mais vagas para bicicletas e veículos com baixa emissão de poluentes. “O entendimento sobre as funções da garagem está sendo enriquecido. Um exemplo é a discussão sobre o real número de vagas necessárias para determinado empreendimento. Atualmente, algumas edificações localizadas em regiões bem servidas com transporte público, como a avenida Paulista, em São Paulo, destinam um número realmente necessário de vagas e não o máximo possível. Isso minimiza o fluxo de veículos no empreendimento e, por consequência, em toda região.

É importante discutir o entorno antes de construir uma garagem e o que vem obrigando os empreendimentos a repensarem estas questões são os processos de certificação. Este é um assunto que precisa ser pauta constante das incorporadoras e construtoras. É verdade que uma maior quantidade de vagas disponíveis aumentará o valor do imóvel, mas por outro lado a certificação também agrega benefícios e valor ao edifício”, finaliza.

Colaboraram para esta matéria

Fadva Ghobar – Arquiteta e urbanista formada pela Faculdade Presbiteriana Mackenzie e há 32 anos atua no desenvolvimento de projetos de estacionamentos e garagens. Em 1989 abriu escritório próprio – Ghobar Arquitetura e Planejamento de Garagens –, que elabora projetos e presta consultoria na área de estacionamentos e garagens, junto a construtoras, incorporadoras, condomínios, arquitetos, redes de estacionamento, entre outros. O escritório especializado trabalha na resolução dos principais problemas que envolvem esses espaços.