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Projeto e instalação adequados conferem maior estabilidade a esquadrias

Além disso, para não serem arrancados pela pressão do vento, caixilhos devem estar em conformidade com normas técnicas como a ABNT NBR 10821

Publicado em: 17/12/2015

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Montagem de esquadrias

A força do vento exerce pressões positivas e negativas nas esquadrias que compõem as fachadas das edificações. Quando a corrente de ar se choca diretamente com o caixilho, forçando a peça para a face interna, acontece a pressão positiva. Em outras ocasiões, o vento que entra pelas janelas ou portas abertas – pressão negativa – tende a levar o caixilho para a face externa. “Em ambos os casos, se houver falhas de fixação, todo o conjunto pode ser arrancado ou, então, uma ou mais folhas acabam se desprendendo”, adverte a engenheira Michele Gleice, diretora do Instituto Tecnológico da Construção Civil (Itec).

FATORES RELACIONADOS AO ARRANCAMENTO

Há soluções para garantir um bom desempenho em qualquer projeto. Independentemente do elemento que constitui as esquadrias, elas devem atender a todos os requisitos da norma
Michele Gleice

O arrancamento pode ocorrer tanto por erros de projeto quanto por instalação inadequada, e esses fatores podem ou não estar combinados. Segundo Gleice, erros no projeto acabam por ocasionar fixação incorreta, que deixará a esquadria suscetível ao desprendimento.

Contudo, mesmo que o projeto esteja correto, o bom desempenho da esquadria dependerá da instalação. Nessa etapa, é fundamental seguir os critérios indicados pelo fabricante quanto aos detalhes das fixações, nível, prumo e ajustes das folhas. A essa equação se soma a qualidade do produto, que deve estar sempre em conformidade com a ABNT NBR 10821 – Esquadrias externas para edificações.

A matéria-prima da esquadria também faz diferença, já que cada material apresenta uma resistência específica, tanto em relação ao arrancamento das folhas quanto ao desprendimento de todo o caixilho do vão. “Há soluções para garantir um bom desempenho em qualquer projeto. Independentemente do elemento que constitui as esquadrias, elas devem atender a todos os requisitos da norma”, completa.

ENSAIOS

Para comprovar a conformidade com a ABNT NBR 10821, o material deve passar por uma série de ensaios em laboratório. Um deles é o que avalia o comportamento da esquadria sob influência de cargas uniformemente distribuídas, em que um dos itens analisados é a integridade do caixilho após aplicações de pressões positivas e negativas, que simulam a ação do vento. “A realização do ensaio permite ao interessado verificar se poderá ocorrer algum problema quanto ao arrancamento”, pontua Gleice.

Nos ensaios indicados pela norma, é testada a resistência da esquadria, que não pode apresentar ruptura, colapso total ou parcial de qualquer um de seus componentes, incluindo o vidro. Michele adverte que o não atendimento aos requisitos de estanqueidade ao ar e à água pode ocasionar transtornos ao usuário final, como a falta de conforto térmico, ineficiência de sistemas de climatização, ou ainda, danificar acabamentos e móveis devido às infiltrações. “Não resistir à ação do vento ou às condições normais de uso pode ocasionar acidentes graves, e até mesmo fatais”, finaliza.

Fachadas cortinas também requerem cuidados

As fachadas cortinas também estão suscetíveis ao problema, podendo ocorrer o colapso de uma ancoragem, o desprendimento do vidro, o arrancamento de uma folha móvel, entre outros casos. “Todas as verificações realizadas nos ensaios para janelas e portas também são realizadas para fachadas”, diz a engenheira.


TAREFA DO FABRICANTE E DA CONSTRUTORA

Não resistir à ação do vento ou às condições normais de uso pode ocasionar acidentes graves, e até mesmo fatais
Michele Gleice

Submeter a caixilharia aos ensaios é ação que cabe ao fabricante e às construtoras. Para conhecer o desempenho do seu produto, o fabricante deve enviá-lo ao laboratório para avaliação. Com isso, a empresa poderá oferecer a seus clientes, construtoras ou consumidores finais, informações que permitam a escolha da esquadria adequada. “A construtora também pode solicitar os ensaios para confirmar se os produtos que serão utilizados atendem aos requisitos normativos”, completa.

Caso não queira enviar as esquadrias para o laboratório, a construtora pode requerer junto ao fabricante o relatório de testes, com os dados de projeto do produto ensaiado. “É importante verificar se as esquadrias que estão sendo entregues na obra conferem com o projeto daquela que foi ensaiada”, fala a profissional.

Para a construtora, ter consciência sobre o desempenho do caixilho é fundamental para executar obras que estejam em conformidade com as exigências da ABNT NBR 15575 – Edificações habitacionais – Desempenho.

Colaborou para esta matéria

Michele Gleice
Michele Gleice – Engenheira civil e mestranda na área de estruturas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Tem experiência em laboratórios de ensaios desde 1997, quando iniciou suas atividades na L.A. Falcão Bauer e, posteriormente, na Testin – Tecnologia de Materiais. Há três anos atua como diretora técnica do Instituto Tecnológico da Construção Civil (Itec), gerenciando toda a área técnica, implantação de procedimentos técnicos e operacionais, treinamento da equipe, acompanhamento de ensaios, elaboração de relatórios de ensaio, contatos comerciais e atendimento às obras em geral.