Projetos de vestiários para empresas incentivam o transporte limpo

A tendência acompanha o aumento de ciclovias nas grandes cidades e a busca por certificações de construção sustentável, como o LEED

Publicado em: 11/12/2015Atualizado em: 05/01/2016

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

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Com a ampliação da rede de ciclovias nas grandes cidades brasileiras, a necessidade de se instalar bicicletários e vestiários nas organizações só vem aumentando. De certa forma, essa é uma maneira que as empresas estão encontrando de incentivar seus funcionários a usar transporte limpo.

“Nos últimos dez anos, a maioria dos edifícios que projetamos, sejam eles comerciais ou residenciais, buscou algum tipo de certificação de sustentabilidade, e o incentivo ao uso de bicicletas é um requisito importante”, diz o arquiteto Eduardo Martins, titular da Purarquitetura.

Nos últimos dez anos, a maioria dos edifícios que projetamos, sejam eles comerciais ou residenciais, buscou algum tipo de certificação de sustentabilidade, e o incentivo ao uso de bicicletas é um requisito importante
Eduardo Martins

EXIGÊNCIAS LEED

A certificação americana LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), sistema de classificação de construções sustentáveis mais amplamente usado e reconhecido do mundo, concedido pela U.S. Green Building Council (USGBC), exige, para edifícios comerciais, previsão de vestiários com chuveiros para 0,5% da população de período integral. Esse ambiente deve estar perto do bicicletário e, de acordo com o Greenbuilding Council (GBC),ambos podem estar localizados a até 180m da porta de entrada da edificação e estar em outro imóvel.

Já a Prefeitura de São Paulo exige bicicletário, mas não obriga a existência de vestiários específicos para ciclistas. “Os vestiários para funcionários do prédio são calculados em função da equipe de manutenção permanente ou dos usos específicos do edifício”, acrescenta o arquiteto.

OS VESTIÁRIOS POR DENTRO

Os principais itens oferecidos nos vestiários, além de chuveiros e armários individuais, são bancos, vaso sanitário, lavatório, mictório, além das usuais condições de ventilação e iluminação. Privacidade visual e acesso fácil também são requisitos essenciais. Os mais completos chegam a oferecer secador de cabelo. A quantidade de chuveiros e armários deve ser definida em função do número de ciclistas.

Para o acabamento, Martins sugere porcelanato antiderrapante para os pisos e liso para as paredes, além de divisórias em laminado melamínico estrutural. “Existem inúmeras opções de sistemas de armários, com desenhos contemporâneos e ergonômicos. Uma das soluções é adotar sistemas desenvolvidos no mesmo material das divisórias”, sugere o arquiteto.

Banheiros prontos são comuns na Europa, para adaptação em edifícios antigos. Mas ainda não temos essa cultura no Brasil
Eduardo Martins

ADAPTAÇÃO EM EDIFÍCIOS ANTIGOS

É possível criar vestiários em edifícios já existentes, porém, com alguns desafios. A principal dificuldade é equacionar o sistema de esgoto. Martins lembra que os novos sistemas de esgoto a vácuo poderão dar mais liberdade para essa instalação, pois eliminam a queda por gravidade.

Na falta de espaço, edifícios existentes vêm transformando vagas de automóveis em estacionamento de bicicletase adaptando containers para oferecer vestiário a seus funcionários. “Os resultados são tão bons que estamos utilizando containers inclusive em projetos de prédios novos, de pequeno e grande porte”, conta.

A atual demanda por vestiários poderia ser atendida por módulos pré-fabricados independentes e de fácil instalação. “Banheiros prontos são comuns na Europa, para adaptação em edifícios antigos. Mas ainda não temos essa cultura no Brasil”, lamenta.

CRIAÇÃO DE MANUAL

Na visão do arquiteto Eduardo Martins, o setor poderia se beneficiar com a criação de desenhos que referenciassem projetos de vestiários, incluindo questões de dimensionamento e cuidados a serem seguidos. Ele propõe a criação de um manual, elaborado por empresas que fornecem materiais para vestiário, com apoio da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA), para dar credibilidade técnica. “Isso certamente contribuiria para aumentar a quantidade de prédios oferecendo esse conforto a seus funcionários”, conclui.

Colaborou para esta matéria

Eduardo Martins – Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (USP). Mestre pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie. Foi arquiteto da empresa de arquitetura do grupo Itaú de 1975 a 1995, com intensa atuação na arquitetura bancária, corporativa e industrial. Desde 1995 é sócio-diretor da Purarquitetura, empresa dedicada a projetos de arquitetura complexos e de grande porte, nas áreas corporativa, institucional, hoteleira e residencial. Membro da atual Diretoria AsBEA e representante do Sinaenco na revisão das normas de elaboração de projetos.