Quais são os cuidados essenciais para alugar gruas?

Além da montagem e desmontagem do equipamento, locadora precisa oferecer mão de obra para operação da máquina e executar as manutenções corretivas e preventivas

Publicado em: 01/10/2019

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

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Na maioria das situações, as gruas são alugadas justamente pelo fato de cada obra demandar determinada tipologia (foto: Oleg Totskyi/ Shutterstock)

Equipamentos presentes em praticamente toda obra, as gruas possibilitam o transporte vertical e horizontal de grandes cargas. Aumentando a produtividade nas movimentações, seu uso viabiliza o aproveitamento de métodos construtivos que reduzem prazos, como banheiros prontos ou peças pré-fabricadas. Disponíveis em diferentes modelos, os equipamentos podem ser escolhidos de acordo com as características do canteiro.

Quando existem duas, três ou mais gruas operando próximas, nem sempre é possível organizá-las com uma lança passando sobre a outra. A solução acaba sendo o tipo móvel de grua
Paulo Carvalho

“As gruas de lança horizontal são as mais comuns”, afirma Paulo Carvalho, diretor de gruas da Associação Brasileira dos Locadores de Equipamentos e Bens Móveis (ALEC). Há, ainda, as de lança móvel, indicadas para locais com obstáculos ou alta concentração de máquinas. “Quando existem duas, três ou mais gruas operando próximas, nem sempre é possível organizá-las com uma lança passando sobre a outra. A solução acaba sendo o tipo móvel de grua”, explica.

Ambos os modelos podem ser montados de maneiras variadas, por exemplo, fixos em base concreta ou de modo ascensional — dentro do poço do elevador e apoiados na própria edificação. “Há também os que ficam sobre chassi“, comenta o engenheiro, lembrando que essa última alternativa conta com a opção de trilhos. “Eles permitem mover o equipamento de um lado para o outro, como se fosse um trem”, complementa.

Comprar ou alugar?

Na maioria das situações, as gruas são alugadas justamente pelo fato de cada obra demandar determinada tipologia. “Nem sempre a máquina usada hoje no canteiro será a mesma empregada na próxima construção”, informa o especialista. Além de possuírem modelos distintos, os equipamentos se diferenciam pela carga máxima suportada.

De acordo com Carvalho, as grandes construtoras já tiveram equipamentos desse porte. Porém, nos últimos anos, o usual é as empresas optarem pela locação, escolha economicamente mais viável. “Ao ter sua própria grua, a construtora precisa também de estrutura para montagem, desmontagem e manutenção”, diz.

É temerário levar somente os valores em consideração. Uma economia de 10 ou 15% no aluguel pode representar prejuízos maiores no futuro, caso a máquina apresente problemas e a locadora demore muito para resolvê-los
Paulo Carvalho

No momento de buscar locadoras no mercado, a recomendação de Carvalho é sempre fugir daquilo que tem se tornado comum: a busca pelo menor preço. “É temerário levar somente os valores em consideração. Uma economia de 10 ou 15% no aluguel pode representar prejuízos maiores no futuro, caso a máquina apresente problemas e a locadora demore muito para resolvê-los”, adverte.

“Já tive casos de receber empresas de fora do país que precisavam alugar máquinas no Brasil e a preocupação inicial é técnica. Em uma dessas situações, a primeira meia hora da reunião foi somente respondendo perguntas sobre o tipo de equipamento, como era realizada a manutenção e a estrutura de suporte que poderia ser fornecida. Somente depois de tudo isso veio o assunto preço”, conta o engenheiro.

Ele recomenda dar preferência para empresas que participam da ALEC. A associação tem um documento chamado ‘Recomendações Técnicas para Utilização de Gruas’, que é anexado junto aos contratos de locação e rege uma série de itens, como as definições de responsabilidades entre as partes. “Isso proporciona segurança e tranquilidade para o construtor”, acredita.

Responsabilidades da locadora

No Brasil, é comum que as locadoras contem com equipes próprias para montagem, desmontagem e manutenção das gruas. No mercado, também existem empresas terceirizadas que oferecem esse trabalho. Elas costumam ser acionadas quando a demanda está alta e a locadora não consegue atender a todos os pedidos. Atuam ainda no caso de construtoras que têm equipamentos próprios, mas não possuem mão de obra especializada.

Depois da montagem, são realizados testes para conferir o funcionamento do equipamento. As verificações acontecem com a presença do responsável da construtora que recebe o termo com a entrega técnica. “Uma dessas análises é a que afere os limitadores. Quando o peso da carga está próximo do limite, a grua emite sinal sonoro. Se o valor for ultrapassado, ela trava e só permite a devolução do material ao solo”, exemplifica o engenheiro.

As locadoras também costumam disponibilizar o responsável pela operação do equipamento. Essa mão de obra deve ser muito bem treinada, e não é possível preparar o profissional em poucas semanas. “Geralmente, as empresas têm em seus pátios máquinas montadas que servem para esses trabalhadores praticarem e aperfeiçoarem o manuseio das gruas. É um processo que demora meses”, comenta Carvalho.

O operador de gruas precisa apresentar certas características para estar apto à função. “Ele deve ter tranquilidade para trabalhar em altura, lembrando que, além de estar longe do solo, a cabine mexe bastante. Precisa ter boa capacidade de concentração para ficar isolado por longos períodos, isso sem mencionar a habilidade para fazer a movimentação adequada da carga, sempre considerando questões de vento e balanço”, detalha o especialista.

Quando firma contrato com a construtora, a locadora deve informar por quanto tempo a máquina ficará em operação, algo que costuma variar entre 90 e 95% do período do aluguel. “A empresa fica forçada a ter estrutura efetiva de manutenção, pois o equipamento quebrado por prazos longos resulta em penalidades contratuais”, afirma o engenheiro. O ideal é que a locadora preze por velocidade e desempenho ao solucionar qualquer defeito.

Tão importante quanto as manutenções corretivas são as preventivas. Realizadas mensalmente por equipe que visita o canteiro, consistem em check list de verificações e realização de pequenas tarefas, como engraxar e lubrificar determinadas peças. “Quanto melhor e mais atencioso for esse trabalho, menores serão as chances de a máquina parar de funcionar durante a operação”, ressalta Carvalho.

Regulamentação

A operação das gruas tem normas regulamentadoras, emitidas pelo Ministério do Trabalho. Publicado em 2005, o item 18.14.24 da NR 18 trata da utilização, responsabilidades, segurança e uma série de outros requisitos que envolvem o uso do equipamento. “Fui relator dessa norma que o Brasil não tinha. Recentemente, ela entrou em revisão e, se tudo correr bem, deve ter a nova versão entrando em vigor ainda em 2019”, conta Carvalho.

A regulamentação, juntamente com a cuidadosa manutenção realizada pelas empresas, ajuda a reduzir a quantidade de acidentes com gruas no país. Quando eles acontecem, devem ser investigados. “Por exemplo, se o problema aconteceu devido às más condições do equipamento ou conduta imprudente do operador”, diz o engenheiro.

A construtora também precisa ter cuidados, como na execução da base que receberá o equipamento. “O sinaleiro, responsável pela indicação de quais materiais içar e para onde levá-los, também faz a amarração da carga. Se a fixação for inadequada, resultando em quedas, a punição será da construtora, pois esse profissional faz parte de seu quadro de colaboradores. Depende da situação para definir as responsabilidades”, finaliza Carvalho.

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Colaboração técnica

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Paulo Carvalho — Engenheiro mecânico e diretor técnico da Locabens. Ocupa atualmente o cargo de diretor de gruas da Associação Brasileira dos Locadores de Equipamentos e Bens Móveis (ALEC).