Qualidade dos metais sanitários

Para especificar com segurança, o caminho é escolher entre os produtos qualificados pelo Programa Setorial da Qualidade no site do PBQP-H.

Publicado em: 19/01/2012

Texto: Redação AECweb



Redação AECweb

Qualidade dos metais sanitários

Criado em fevereiro de 1999, inicialmente o PSQ – Programa Setorial da Qualidade de Metais Sanitários – realizava testes em apenas quatro tipos de produtos. Ao longo dos 13 anos de evolução, outros foram se incorporando ao programa e, hoje, já somam 12 itens. O PSQ tem como objetivo garantir que os metais sanitários comercializados no país atendam aos requisitos especificados nas normas técnicas da ANBT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. “Vale lembrar que os metais sanitários são parte integrante dos sistemas de abastecimento de água de habitações como residências – casas e edifícios –, estabelecimentos comerciais, indústrias, hospitais e escolas, tendo como função controlar, restringir, bloquear ou permitir a passagem de água em volume adequado ao uso, evitando desperdícios”, explica Denis Perez Martins, presidente do Siamfesp – Sindicato da Indústria de Artefatos de Metais Não Ferrosos no Estado de São Paulo. Ainda de acordo com Martins é desta forma que praticamente todos os metais sanitários são avaliados pelo PSQ (ver quadro), com exceção da torneira de bóia utilizada nas caixas dágua, cujo início da avaliação está previsto para 2013.

Qualidade dos metais sanitários

A figura a seguir demonstra um sistema residencial de abastecimento de água e a interface dos metais sanitários com os demais elementos. Em azul estão os produtos avaliados atualmente pelo PSQ.

Qualidade dos metais sanitários

Atualmente o PSQ de Metais Sanitários controla a qualidade dos produtos fabricados por 17 empresas participantes, das quais cinco estão  em credenciamento e 22 marcas são acompanhadas – empresas não participantes. “As marcas avaliadas, somando as empresas participantes e não participantes, representam aproximadamente 92% do mercado de metais sanitários. Podemos dizer que quase toda a produção nacional é avaliada pelo PSQ”, explica Martins. Atualmente o Índice de Conformidade do Setor de Metais Sanitários é de 83,5%, ou seja, é esse o percentual do mercado abrangido pelo PSQ que se encontra em conformidade com as normas técnicas brasileiras.


ESCOLHENDO O MELHOR PRODUTO


Martins destaca que os metais sanitários economizadores de água são similares, tanto para moradias populares, quanto para um imóvel de alto padrão. “As normas técnicas brasileiras levam em consideração a avaliação do desempenho do produto. Antigamente, a norma técnica era praticamente um projeto, especificando inclusive espessuras de paredes e tipos de liga utilizados. Atualmente, as normas técnicas consideram mais as condições de contorno envolvidas na utilização do produto do que prescrições de projeto, de modo a não inibir a inovação tecnológica do setor, como o desenvolvimento de novos materiais, a exemplo dos plásticos de engenharia”, revela Martins.


Para ele, o mais importante é que qualquer metal sanitário que atenda as normas técnicas tenha o mesmo desempenho, suporte a mesma pressão da rede de abastecimento, o mesmo nível de durabilidade e resista ao mesmo esforço de acionamento, e que não espane a rosca ou apresente vazamentos. “O que diferencia um produto ‘convencional’ de um produto de alto padrão não é o desempenho, mas sim um design diferente, assinado por um arquiteto de renome, acabamentos que fogem do padrão ou dimensões maiores que a mínima. Tudo isso, sem dúvida, impacta diretamente no custo de desenvolvimento e produção. Mas, se  ambos atendem a norma brasileira, significa que possuem o mesmo desempenho mínimo esperado”, diz Martins.

A boa especificação deve levar em conta as normas técnicas em vigor (ver quadro), caso contrário pode haver aborrecimentos, como o comprometimento do funcionamento dos aparelhos instalados, fluxo insuficiente de água para ligar um aquecedor e outros problemas técnicos  - e, por mais caro e bonito que o produto seja. “O consumidor pode ainda se deparar com um banheiro inundado após o retorno de uma viagem porque a torneira ficou vazando, ocasionando um enorme desperdício de água e comprometendo a sustentabilidade e o meio ambiente de nosso planeta. Ou, ainda, reduzir drasticamente a durabilidade do produto, motivando a sua substituição precoce. Portanto, a boa especificação deve exigir do fabricante o atendimento a todas as normas técnicas de metais sanitários”, explica Martins.

Uma sugestão do presidente é sempre consultar o site do Ministério das Cidades e o Programa Setorial de Metais Sanitários, registrado no PBQP-H – Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat –, do Governo Federal. No site é possível ver a relação das empresas participantes do PSQ que apresentam todos os produtos acompanhados pelo programa e em conformidade com suas respectivas normas técnicas. “Ali estão, também, as marcas (participantes e acompanhadas) que, justamente por não atenderem aos requisitos técnicos das referidas normas, devem ser evitadas na hora da especificação”, recomenda, indicando o link: http://www.cidades.gov.br/pbqp-h/projetos_simac_psqs2.php?id_psq=55

Qualidade dos metais sanitários


CONSUMIDOR E O MERCADO


Hoje, o consumidor está mais atento e preocupado com o meio ambiente, porém o preço ainda é um critério muito forte para a maioria da população, no entendimento do presidente do Siamfesp. Daí a grande importância do PSQ de Metais Sanitários, pois custar menos não deve significar que o produto seja ruim. “Claro que existe aquele consumidor que, devido ao seu poder aquisitivo, tende a basear sua escolha na estética, sem se preocupar com o preço. Há, ainda, aqueles que levarão mais em conta adquirir para a sua casa ou escritório um produto ‘verde’”, diz Martins, que reforça que em ambos os casos é sempre aconselhável consultar as relações de empresas conformes e não conformes indicadas pelo PSQ.


Em relação aos produtos importados, Martins conta que há uma entrada muito forte de produtos asiáticos no mercado, devido à grande visibilidade que o Brasil está tendo e ao bom momento da economia, principalmente na construção civil. “O grande problema desses produtos é a baixa qualidade apresentada, o que causa inúmeros problemas”, relata Martins. Recentemente houve uma alteração do escopo do INMETRO, tornando possível a fiscalização da Receita Federal nessa área, o que deve conter a entrada de produtos não conformes. “É importante lembrar que não são apenas os asiáticos que estão de olho em nosso mercado. Há um movimento muito forte de players internacionais de peso, que já possuem inclusive escritórios no país, alguns deles de origem alemã, norte-americana e japonesa, com produtos de boa qualidade. Novamente, isso é fruto do bom momento de nosso país e da crise internacional que assola outros mercados”, afirma Martins. Porém, todos os produtos nacionais, importados ou comercializados no território nacional devem atender as suas respectivas normas técnicas, sob pena de infringir a lei, além de causar diversos transtornos ao mercado.


Já entre os fabricantes nacionais, apenas 15 empresas de um universo de cerca de 200, exportam com certa regularidade. “Mas este ainda é um volume muito pequeno, considerando as importações e as vendas internas, que corresponde a um total pouco expressivo de sua produção, algo em torno de 5% a 10% no geral”, diz Martins.

Redação AECweb