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Quando usar lã de rocha e lã de vidro no tratamento acústico?

Produtos têm desempenhos semelhantes e apresentam como principal diferença entre si as matérias-primas empregadas em seus processos produtivos

Publicado em: 30/03/2021

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Lã de rocha
A lã de rocha tem como matéria-prima as pedras vulcânicas (Foto: Bilanol/Shutterstock)

As lãs de rocha e de vidro estão entre as soluções mais empregadas no tratamento acústico dos ambientes. O uso frequente dos materiais é justificado pelo elevado índice de isolamento que oferecem. “No campo da acústica, as duas opções têm comportamentos semelhantes e se destacam como alternativas de boa absorção sonora, devido às suas características leves e fibrosas”, comenta o engenheiro Davi Akkerman, sócio-diretor da Harmonia.

Com níveis de desempenho muito próximos, os produtos apresentam como principal diferença as matérias-primas utilizadas em seus processos produtivos. A lã de rocha é fabricada a partir de fibras minerais oriundas de pedras vulcânicas, como o basalto e o calcário. Esses materiais são fundidos em temperatura de 1500 °C para que se transformem em filamentos. Dependendo do tratamento e da compactação dos fios, o resultado final pode ser uma peça flexível ou rígida.

No campo da acústica, as duas opções têm comportamentos semelhantes e se destacam como alternativas de boa absorção sonora, devido às suas características leves e fibrosas
Davi Akkerman

Por outro lado, a lã de vidro é proveniente de fibra de areia e vidro, ou seja, produzida a partir do aquecimento a temperaturas elevadas da sílica e do sódio em fornos de alta pressão. A composição dessa solução também a torna mais leve do que a lã de rocha. “No Brasil, temos mais pesquisas e tecnologias da lã de vidro, enquanto a de rocha não possui muita diversidade de produtos e de aplicações”, compara Akkerman.

Veja no Portal AECweb placas e mantas de lã de rocha

Quando utilizar?

A lã de rocha conta com uma resistência ao fogo maior do que a lã de vidro, isso porque a temperatura de fusão do vidro é um pouco mais baixa se comparada com a da rocha. Assim, o produto de fibras minerais pode ser especificado para compor elementos de proteção passiva contra incêndios, como portas corta-fogo. Essa particularidade torna a solução apropriada também para projetos industriais.

No Brasil, temos mais pesquisas e tecnologias da lã de vidro, enquanto a de rocha não possui muita diversidade de produtos e de aplicações
Davi Akkerman

Apesar de a lã de rocha ter comportamento mais interessante em situações de incêndio, a de vidro é capaz de resistir às ações das chamas quando aplicada em conjunto com outros materiais. “Ambas não emitem gases tóxicos quando queimadas e são consideradas incombustíveis”, afirma o engenheiro. Além do isolamento térmico, os produtos colaboram ainda com o conforto térmico dos ambientes onde são instalados.

“A lã de vidro é mais indicada para todas as outras situações na área da construção civil e arquitetura”, ressalta Akkerman, destacando que, como ambas têm desempenho acústico semelhante, existem outros aspectos a serem analisados no momento de escolher a opção ideal. “Os fatores custo e atendimento técnico exercerão um papel preponderante na decisão do responsável pela especificação ou do consumidor”, complementa.

Qualidade

Existem normas técnicas que estabelecem os requisitos para mantas termoisolantes à base de lã de vidro e de rocha. Uma delas é a ABNT NBR 11361 – Mantas termoisolantes à base de lã de vidro, e a outra a ABNT NBR 13047 – Mantas termoisolantes à base de lã de rocha. Há ainda documentos que devem ser atendidos para usos específicos das soluções, como a ABNT NBR 16726 – Feltro de lã de vidro para isolamento acústico e térmico em sistemas construtivos em chapas de gesso para drywall, e a ABNT NBR 11364 – Painéis termoisolantes à base de lã de rocha.

Compatibilidade

Característica comum das duas lãs é a versatilidade, que torna possível a utilização em conjunto com diferentes sistemas construtivos. É possível instalá-las em forros, paredes e contrapisos. Porém, a aplicação deve ser precedida de análise técnica, afinal, características como a espessura do produto têm impacto significativo no isolamento térmico e acústico que será oferecido pelo sistema.

“A aplicação, para exercer o papel de manta sob contrapiso flutuante, representa um caso típico de emprego preferencial da lã de vidro, uma vez que, no Brasil, não temos estudos e pesquisas do comportamento da lã de rocha para esse tipo de uso. A de vidro é conhecida no mercado como produto já desenvolvido para tal finalidade”, avalia Akkerman, indicando que, para preenchimento de drywall, ambas podem ser utilizadas com desempenhos semelhantes.

Nos forros, a lã de vidro também costuma ter preferência. “Nessas situações, a de rocha pouco se desenvolveu no mercado nacional, enquanto que na Europa podemos encontrar forros de lã de rocha de elevada performance e estética”, conclui Akkerman.

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Colaboração técnica

Davi Akkerman
Davi Akkerman — Engenheiro civil formado pela Universidade Mackenzie, com mestrado no Institute of Sound and Vibration Research, de Southamptom (Grã-Bretanha). Foi presidente da ProAcústica – Associação Brasileira para a Qualidade Acústica. É sócio-diretor da Harmonia.