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Quintais verdes melhoram o clima em grandes centros urbanos

Espaços dedicados à vegetação diminuem as ocorrências de ilhas de calor, ajudam a dissipar a poluição e favorecem o regime de chuvas. Veja outras vantagens

Publicado em: 28/06/2017

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

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Quintais verdes são a alternativa ideal para centros urbanos (Artazum/ Shutterstock.com)

Ao proporcionar benefícios para o meio ambiente e para a qualidade de vida da população, os quintais verdes são a alternativa ideal para centros urbanos – cada vez mais áridos e com menor presença de natureza.

De acordo com o arquiteto Benedito Abbud, titular do escritório Benedito Abbud – Arquitetura Paisagística, esses espaços diminuem as ocorrências de ilhas de calor; ajudam a dissipar a poluição; melhoram o regime de chuvas; auxiliam a drenar a água e a reduzir a ocorrência de enchentes, entre outras diversas vantagens.

Você sabia?

Ilhas de calor são bolhas formadas pelo ar mais quente que dificultam a dissipação da poluição. Nas grandes cidades, elas são resultado da combinação entre excesso de concreto e ausência de áreas permeáveis. “É como se fosse uma tampa que pressiona os gases nocivos, deixando-os concentrados próximo do solo”, afirma o profissional, explicando que o fenômeno também é responsável pela ocorrência de tempestades – como em São Paulo, que antes era conhecida como a terra da garoa e hoje tem períodos de fortes chuvas alternando com estações secas.

PROJETO

Independentemente de onde são executados, os quintais verdes têm de trazer as sensações da natureza. Além do piso, as paredes também devem ser revestidas por plantas, que podem ser trepadeiras por não ocuparem tanto espaço.

Para criar sombreamento, os pergolados são solução interessante, principalmente se contarem com parreiras de uva ou de maracujá. “Podem ser usadas também jasmins, que têm um perfume maravilhoso. O importante é que os quintais verdes estimulem os cinco sentidos”, diz o arquiteto. Para ele, essas áreas têm potencial de serem exploradas como espaços de convivência. “Inclusive, recebendo uma churrasqueira para reunir amigos e familiares em meio à natureza”, fala.

As pessoas estão percebendo a necessidade de trazer a vegetação para perto de si
Benedito Abbud

QUEBRANDO PARADIGMAS

Antigamente, as pessoas desistiam de manter quintais verdes em suas residências para evitar o trabalho de limpeza. Qualquer folha que caísse no chão era sinônimo de sujeira. No entanto, esse pensamento está mudando, e hoje é considerada a possibilidade de transformar tudo em adubo e usá-lo no crescimento da vegetação. A própria manutenção das áreas verdes deixou de ser classificada como trabalho e se transformou em atividade de lazer para quem pretende escapar do estresse diário.

“As pessoas estão percebendo a necessidade de trazer a vegetação para perto de si. Não basta ter um vaso sobre a mesa de trabalho; é necessário passar um tempo em espaços envoltos pelo verde”, ressalta Abbud.

A arquitetura moderna contempla esse movimento natural. Exemplo disso é o edifício de alto padrão que está sendo executado no antigo terreno do Hospital Matarazzo, em São Paulo. “Eu estou entre os responsáveis pelo projeto, assim como o arquiteto francês Jean Nouvel. Um dos grandes destaques dessa edificação será sua fachada com brise praticamente todo revestido por vegetação”, completa.

Não é caro ter um quintal verde. Custoso acaba sendo manter na casa áreas subutilizadas
Benedito Abbud

INICIATIVA MINEIRA

Em vigor há mais de 20 anos, a Lei nº 6.314, promulgada pela Prefeitura de Belo Horizonte, oferece isenção de IPTU para construções localizadas na capital mineira que mantêm grandes quintais verdes. Para se enquadrar entre os beneficiados, o proprietário deve ter seu imóvel classificado como Reserva Particular Ecológica, ou seja, a área dedicada à presença de vegetação tem que apresentar condições naturais primitivas ou semiprimitivas recuperadas. “Mesmo arrecadando um pouco menos, o poder público colhe frutos bem melhores com essa iniciativa, que auxilia na resolução de problemas como a poluição e as enchentes”, destaca o arquiteto.

BAIRROS-JARDINS

Grande parte da população acredita que os quintais verdes são exclusividade de empreendimentos de alto padrão. A relação surgiu na Inglaterra, durante o período da revolução industrial. Nessa época, Londres era uma cidade extremamente suja e, para resolver o problema, os urbanistas desenvolveram diversos bairros-jardins, ideia que acabou sendo exportada para o restante do mundo. Nesses bairros – geralmente ocupados pela população com maior poder aquisitivo –, os lotes têm até o triplo do tamanho convencional, tornando mais fácil dedicar espaços aos jardins nas residências. “Também são comuns ruas arborizadas, já que as calçadas são maiores do que as convencionais, que têm tamanho variando entre 1,20m e 1,50m”, comenta o profissional.

Segundo Abbud, embora seja normal que em terrenos grandes exista mais espaço para a vegetação, também é possível projetar áreas verdes em edificações construídas em lotes reduzidos. “Um exemplo é substituir os quartos que nunca são usados pelos jardins. Não é caro ter um quintal verde. Custoso acaba sendo manter na casa áreas subutilizadas ”, conclui.

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Colaboração técnica

Benedito Abbud – graduado, pós-graduado e mestre pela FAU, instituição na qual atuou como professor. Do seu escritório, já saíram mais de seis mil projetos de arquitetura paisagística em escalas que vão de residências, condomínios e bairros até cidades inteiras por todo o Brasil e outros três países. Vencedor do Prêmio Greening 2013, participou de 49 empreendimentos ganhadores do Prêmio Master Imobiliário.

Algumas de suas produções recentes: a Praça Victor Civita (SP), o Parque Jefferson Peres (AM), a nova cidade de Parauapebas (PA), a Vila Olímpica (RJ), que está sendo utilizada para alojamento dos atletas em 2016. Desenvolveu projeto paisagístico para a copa do mundo em 2014 e Olimpíadas de 2016.