Rastreabilidade de componente metálico confere segurança às estruturas metálicas

Além de ser uma exigência legal, rastrear produtos ajuda empresas e autoridades a identificarem e retirarem de circulação aqueles elementos considerados inadequados

Publicado em: 13/06/2018Atualizado em: 09/11/2018

Texto: Vanessa Moura

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Rastreabilidade total controla informações e dados desde a fabricação (Foto: gyn9037/shutterstock)

 

Presentes em todos os setores da indústria, os materiais metálicos têm diversas finalidades e são elaborados com ligas específicas para atender a cada necessidade. Para ser pesquisada no futuro para cálculos estruturais de aplicação, a liga deve apresentar meios de rastreabilidade do processo, como tipo de liga, força, temperatura de fusão e flambagem.

Nos materiais metálicos, o registro das informações começa ainda nas aciarias das usinas siderúrgicas, local onde o ferro em estado bruto é transformado em diferentes tipos de liga. Nesse momento, nasce uma corrida, processo que registra todos os procedimentos realizados. Os primeiros dados obtidos são armazenados e, na fase da expedição do material, são emitidos em formato de certificado de qualidade, laudo que acompanha o produto, com número da corrida, composição química e propriedades mecânicas.

Para Ricardo Marra Antunes, consultor da Gerdau, o certificado de qualidade é um documento que possui reponsabilidade civil. A prática de emissão da certificação surgiu há décadas, juntamente com o conceito de qualidade assegurada pelo fabricante, com o objetivo de reduzir custo de ensaios nas obras”. Esses certificados compõem o book do construtor, com informações de sua responsabilidade.

O certificado de qualidade é um documento que possui reponsabilidade civil
Ricardo Marra Antunes

Algumas siderúrgicas, alinhadas com as necessidades do mercado e, para facilitar a identificação dos materiais produzidos sob sua responsabilidade, já registram com marca em alto relevo suas linhas de produtos. “Assim gera identificação permanente, mesmo após os trabalhos concluídos sobre a peça metálica”, explica Antunes.

A certificação só é válida após a assinatura do responsável técnico da empresa e a inserção do CREA do profissional. Além disso, as informações devem permanecer no banco de dados por tempo indeterminado.

SISTEMA PARCIAL E TOTAL

Apesar de a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) possuir normas para certificados de qualidade para todos os materiais metálicos finais, como vergalhões, folhas e treliças, não existe uma regra, norma, ou legislação para elaborar o certificado de qualidade inicial do aço, ainda nas siderúrgicas. Por isso, o Brasil adota dois sistemas de rastreabilidade de materiais metálicos, o limitado/parcial e o total.

Na rastreabilidade parcial, nem todos os componentes metálicos trazem identificações gravadas em seu corpo. Por exemplo, identifica-se todos os soldadores participantes do processo de modo geral, bem como os certificados de origem. Já a rastreabilidade total apresenta o controle completo das informações e dados utilizados no processo de fabricação, independentemente do volume do lote apresentado. Todas essas informações servem de base para a documentação de qualidade do produto, pois relacionam a matéria-prima empregada, os recursos adotados, os tipos de processos utilizados em soldagem, o revestimento, a nomenclatura dos produtos, bem como os operadores do processo de soldagem. Neste processo de rastreabilidade total, tudo é registrado, tornando a estrutura totalmente rastreável e de fácil identificação.

De acordo com o vice-presidente da ABCEM (Associação Brasileira da Construção Metálica), Horácio Steinmann, o processo de rastreabilidade total concede uma garantia para o produto. “A rastreabilidade total pode ser considerada um método organizacional, ligado às demandas dos clientes. Mas, de forma geral, um processo bem conduzido otimiza a eficiência da produção, garante o controle de qualidade e assegura características específicas do produto, promovendo assim maior confiança para o cliente e manutenção de sua marca”, diz.

POR QUE USAR MATERIAIS RASTREÁVEIS?

Além de ser uma exigência legal de algumas organizações industriais, o processo de rastreabilidade confere garantia aos produtos, sendo chancelado por um responsável técnico da área. E é um plano básico para gestão da qualidade e organização. Para tal processo, é fundamental que a empresa defina os lotes dos produtos, matérias-primas, onde e quando serão utilizados.

Caso o material apresente risco ou perigo no futuro, a empresa e as autoridades podem identificar e retirar de circulação os produtos inadequados. Por isso, também vale considerar a integração de dados externos e internos, com fornecedores e clientes, para garantir o controle das informações, independentemente do volume.

(...) De forma geral, um processo bem conduzido otimiza a eficiência da produção, garante o controle de qualidade e assegura características específicas do produto
Horácio Steinmann

“É importantíssimo rastrear uma estrutura para garantir sua origem, seu processo fabril e manter o histórico, para que, na manutenção, possamos colocar materiais em compatibilidade e não materiais incompatíveis. De modo análogo, todo esse processo é como um DNA estrutural”, diz Steinmann.

Atualmente, os requisitos de rastreabilidade total estão diretamente ligados às demandas de clientes que utilizam a norma NBR ISO 9001:2015 – 8.5.2. “A ISO é um padrão internacional, que as empresas buscam seguir e aplicar em seus mandatórios. Na mesma linha, a N 01 – Norma para Avaliação do Selo de Excelência ABCEM, requisita a manutenção de evidências documentais, tais como registros, ensaios e seus resultados”, finaliza.

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COLABORAÇÃO TÉCNICA

Horácio Steinmann – Vice-presidente da ABCEM (Associação Brasileira da Construção Metálica).

Ricardo Marra Antunes – engenheiro metalúrgico, especialista em gestão da qualidade total. Foi gerente de atendimento técnico da Indústria do Grupo Gerdau e, atualmente, é consultor da Gerdau.