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Realidade virtual é solução para mercado imobiliário durante a pandemia

Tecnologia imersiva pode ser útil como apoio à comercialização mesmo após o fim do isolamento social. Entenda

Publicado em: 21/07/2020

Texto: Juliana Nakamura

realidade virtual
A realidade virtual se tornou uma alternativa das incorporadoras para exibição de apartamentos decorados (foto: Gorodenkoff/shutterstock)

As restrições sanitárias promovidas pela Covid-19 obrigaram muitas empresas a explorar novas tecnologias para viabilizar seus negócios. A realidade virtual, por exemplo, vem sendo utilizada para apoiar incorporadoras e corretores na exibição de apartamentos decorados.

Mesmo antes da pandemia, a MRV Engenharia já tinha aderido a esse tipo de tecnologia que, por meio de óculos de realidade virtual, permite aos potenciais clientes caminhar pelo imóvel e conhecer com profundidade cada detalhe dos ambientes.

Segundo Renato Rodrigues, head de operações da plataforma Kzas, os imóveis com tour virtual tiveram aumento de 40% nas visualizações durante o período de isolamento social. “Isso é um indicador da aceleração e da aderência dos clientes a este tipo de conteúdo”, explica ele.

TECNOLOGIA DE IMERSÃO

O visitante pode ter a sensação de estar dentro do imóvel e ter funcionalidades interativas como mudar a cor da parede, o piso da cozinha, alterar as disposições dos móveis
Fabio Costa

Há diferentes recursos para proporcionar uma experiência virtual de visita a decorados. A mais tradicional é a produção de vídeos para enfatizar possibilidades e diferenciais do imóvel. Mais recentemente surgiram as soluções que convertem decorados em espaços virtuais tridimensionais, a partir de fotos ou vídeos em 360°. Graças a esse tipo de tecnologia imersiva, corretores e visitantes podem acessar ambientes digitais como se estivessem fisicamente no local. “O visitante pode ter a sensação de estar dentro do imóvel e ter funcionalidades interativas como mudar a cor da parede, o piso da cozinha, alterar as disposições dos móveis etc.”, diz Fabio Costa, CEO da agência Casa Mais.

O tempo e o investimento necessários para desenvolver um decorado virtual tridimensional variam em função do tamanho e da complexidade do projeto. “Mas podemos ter como referência para a criação de um decorado 3D uns 15 dias para a criação e um custo em torno de R$ 12 mil”, estima o executivo da Casa Mais.

LIMITAÇÕES DO MERCADO

Para Matheus Fabrício, diretor executivo da Lopes Imobiliária, embora haja ótimas soluções no mercado, o potencial de aplicação da realidade virtual pelo mercado imobiliário ainda é restrito, especialmente no mercado secundário. “Se levarmos em consideração os custos e o fato de serem centenas de milhares de imóveis anunciados nos diferentes portais imobiliários, a logística para se produzir tour virtual para a totalidade dos imóveis é inviável”, analisa. “O brasileiro compra em média apenas 1,7 imóvel em toda sua vida. Trata-se, portanto, de um investimento de alto valor monetário e emocional, que demanda a necessidade da visita presencial para conhecer de perto as condições do imóvel e a localização”, pondera Fabrício.

A substituição das visitas físicas por virtuais pode não acontecer por completo. Mas a visitação virtual veio para complementar a tomada de decisão do cliente
Renato Rodrigues

Apesar dos desafios, as visitas virtuais têm potencial para desempenhar um papel importante na comercialização de imóveis, segundo Fabrício. “Quanto mais imóveis possuírem a opção de tour virtual, melhor o comprador conseguirá otimizar seu tempo, afunilando suas opções e partindo para as visitas presenciais apenas naqueles com mais chances de atenderem suas expectativas”, continua o diretor da Lopes.

“A substituição das visitas físicas por virtuais pode não acontecer por completo. Mas a visitação virtual veio para complementar a tomada de decisão do cliente”, concorda Rodrigues. Para ele, dois fatores comprovam essa tese: a mudança de comportamento do consumidor geral, que está migrando para o universo digital, e a escassez de tempo associada à dificuldade de deslocamento em grandes cidades.

Além disso, há o amadurecimento da própria tecnologia, que tende a se tornar mais acessível. “O preço das câmeras que realizam o tour 360 está diminuindo e já há empresas testando a possibilidade de produzir o tour virtual via aplicativos de smartphones”, comenta o head da Kzas.

Leia também: Realidades virtual e aumentada agregam produtividade e economia à construção

Colaboração técnica

Matheus Fabrício – Administrador de empresas, é diretor executivo da Lopes Imobiliária.
Renato Rodrigues – Formado em administração de empresas e pós-graduado em finanças, é head de operações da plataforma Kzas.
Fabio Costa – Com formação em marketing, é CEO da Casa Mais, agência de comunicação especializada em novas tecnologias.