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Residência de baixo impacto ambiental

Casa construída em Ibiúna-SP utilizou estratégias que priorizam o uso de iluminação e ventilação natural

Publicado em: 03/02/2010

Texto: Redação AECweb




Residência de baixo impacto ambiental

Redação AECweb

A casa projetada e construída pela Cabe Arquitetos em Ibiúna, SP, é um bom exemplo de construção residencial de baixo impacto ambiental. Ajustada ao clima e à topografia do terreno que conta com 1.275 m2 de área total, a obra com cerca de 250 m2 foi erguida a 1100 m de altitude, num dos pontos mais altos da região. Com o objetivo de obter uma construção com maior eficiência energética, o projeto partiu de uma implantação cuidadosa, pautada nos princípios e estratégias bioclimáticas.

CONCEITO

“Essas estratégias priorizam a utilização da iluminação e ventilação naturais, permitindo condições mais adequadas de conforto e bem-estar. Foram projetados métodos de proteção e de aberturas removíveis ou controláveis, conforme a necessidade, nas fachadas com maior carga térmica”, explica o arquiteto Marcos Cardone, diretor da Cabe. As soluções permitiram a entrada de luz natural, porém evitando o superaquecimento dos ambientes, principalmente no verão. Além disso, a utilização de vidros com espessura de 8 mm reduz a entrada de radiação durante o dia e as perdas de calor à noite.

Segundo Marcos, alguns cuidados específicos também contribuem para uma maior eficiência das soluções, como a lareira localizada no recuo e protegida dos ventos, que evita a perda de calor por troca térmica, otimizando seu uso durante os meses mais frios. E os grandes beirais da cobertura, que diminuem o impacto do vento sobre a casa e proporcionam sombreamento.

Residência de baixo impacto ambiental
Fotos: Lucas Fonseca

MATERIAIS

Os materiais escolhidos também têm importante função com relação ao conforto térmico dos ambientes: o piso dos dormitórios é de madeira, o que proporciona maior temperatura durante a noite, e o revestimento da sala é de arenito, a fim de não absorver o calor durante o dia e evitar o superaquecimento do ambiente. “As fundações também foram feitas com blocos cerâmicos com alto índice de isolamento térmico, reduzindo a perda de calor para o terreno, além de evitar a captação de umidade por capilaridade, pois a casa está em grande parte elevada do solo”, destaca Cardone.

A construção utiliza materiais de baixo impacto ambiental como a estrutura em madeira piquiá (nome vulgar), fechamento em painéis OSB e blocos de concreto celular, e telhas com fibras vegetais. “Os materiais foram escolhidos devido às suas características específicas, que contribuem para que se obtenha uma edificação mais eficiente energeticamente e mais sustentável”, afirma, lembrando que a madeira piquiá, por exemplo, é originária de manejo sustentável - com alta durabilidade natural e baixa condutividade térmica. Já os painéis OSB possuem alto índice de isolamento térmico e permitem a racionalização da obra, reduzindo a utilização de materiais e recursos, bem como o tempo de obra e custo. “E, por fim, os blocos de concreto celular são seis vezes mais isolantes do que um tijolo comum e dez vezes mais isolantes que o concreto. Sua  termocondutividade permite uma maior eficiência energética da edificação”, ensina o arquiteto.


ÁGUA E CANTEIRO


O consumo de água durante a obra ficou em torno de 8 mil litros. O de energia elétrica também foi baixo, de cerca de 600 KWh, graças tanto ao tipo de projeto quanto a gestão que fez uso de mão de obra local. Na avaliação de Marcos Cardone, convencionalmente, esta obra geraria mais de 30 m3 de entulho. A redução no desperdício de materiais devido ao método e a gestão no canteiro, resultaram na retirada de uma única caçamba de 4 m3. “O padrão ‘obra seca’ adotado diminuiu a quantidade de entulho e o tempo de execução, reduzindo os impactos da execução com transporte, perdas de materiais, gastos com água e energia no local da obra”, ressalta.

Também foram utilizadas outras tecnologias mais sustentáveis como: aquecimento a gás; reuso de água para irrigação e limpeza, com tratamento anaeróbio unifamiliar; e equipamentos sanitários de baixo consumo. A metodologia de projeto e a gestão da obra influenciaram positivamente no seu custo final, resultando num valor por metro quadrado da ordem de R$ 600 em 2005 – ano da obra -, além de sua execução completa em apenas 150 dias.

Redação AECweb