Resistência de membranas sintéticas é vantagem para impermeabilizações grandes

Elásticas e flexíveis, essas soluções suportam vibrações de locais sujeitos a movimentações e adaptam-se ao substrato de tanques, aterros, canais e lagoas de decantação

Publicado em: 18/11/2016Atualizado em: 22/11/2016

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

As membranas sintéticas e geossintéticas são mantas feitas com ligas elásticas que se adaptam com facilidade ao substrato em que são inseridas. Devido à sua propriedade flexível, são utilizadas na impermeabilização de locais sujeitos a movimentações e vibrações, de grandes reservatórios a coberturas com baixa inclinação.

As membranas são pré-fabricadas em diferentes tipos de materiais sintéticos, como PEAD, PVC, TPO, EPDM, entre outros. Mais leves do que a manta asfáltica, possuem resistência aos raios UV e a ataques químicos, garantindo total estanqueidade e proteção ao solo.

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Instalação de membrana sintética em canal (Divulgação/ Sansuy S.A.)

ESPECIFICAÇÃO

As membranas geossintéticas, solução polimérica utilizada em obras geotécnicas e de proteção ambiental, devem ser especificadas para ficar em contato direto com o solo. “Elas têm resistência a produtos químicos maior do que as membranas comuns, sendo indicadas para aterros, canais e lagoas de decantação”, explica Rodrigo Humberto Fernandes Afonso, engenheiro civil da Firestone Building Products.

Elas (membranas geossintéticas) têm resistência a produtos químicos maior do que as membranas comuns, sendo indicadas para aterros, canais e lagoas de decantação
Rodrigo Humberto Fernandes Afonso

“Já as membranas sintéticas comuns são mais utilizadas na impermeabilização de estruturas em concreto, silos, reservatórios metálicos, entre outros”, diferencia Paulo Rocha, engenheiro civil e coordenador técnico da Maccaferri América Latina.

APLICAÇÕES

Devido à sua permeabilidade extremamente baixa, as membranas também proporcionam proteção ao solo, permitindo canalizar materiais contaminantes e direcioná-los a um descarte correto. “Para atravessar 1 mm de espessura da membrana, a água levaria pelo menos 3 mil anos. Essa barreira estanque garante que o material contido não entre em contato com o solo e com o lençol freático”, esclarece Rocha.

Para impermeabilização de obras de grande porte com elevadas solicitações mecânicas, a opção mais recomendada é o PEAD. “Entre todas as opções, as membranas de PEAD são as que apresentam maior resistência à agressividade química e biológica, além de responderem melhor às solicitações de tração, perfuração e corte”, afirma Rocha. Em áreas muito extensas, também é recomendado o EPDM. “Disponíveis em rolos de até 15,24 x 60,96 m (929,03m²), eles evitam diversas emendas”, ressalta Afonso.

Vale ressaltar que, para impermeabilização de tanques de materiais altamente agressivos, como combustíveis, o uso de membranas sintéticas não é recomendado. Também há casos em que outras soluções são mais práticas e economicamente mais viáveis. “Para impermeabilização de fundações e de muros e paredes em contato com o solo, a aplicação de pinturas à base de emulsão asfáltica resolve o problema sem maiores complicações”, pondera Rocha.

Para atravessar 1 mm de espessura da membrana, a água levaria pelo menos 3 mil anos. Essa barreira estanque garante que o material contido não entre em contato com o solo e com o lençol freático
Paulo Rocha

CUIDADOS NA INSTALAÇÃO

A instalação das membranas exige equipamentos e técnicas específicas, além de diversos testes para garantir a estanqueidade. Para cada tipo de material, é elaborado um sistema construtivo. “O TPO sofre reação física na termofusão entre as membranas. Já o EPDM reage com primers para a soldagem à frio”, exemplifica Afonso.

“Após a realização dos devidos processos de verificação na aplicação do material, a barreira estará apta a funcionar, sem a necessidade de tratamentos específicos”, ressalta Rocha.

DEMANDA NO MERCADO

Com as certificações de sustentabilidade, como o LEED e o AQUA-HQE, a procura por membranas sintéticas e geossintéticas aumentou. Ecologicamente corretos, os materiais garantem pontuações nos sistemas de certificações dos projetos.

“As membranas minimizam a utilização de recursos naturais e geram economia, principalmente pela maior facilidade em seu transporte e instalação”, contextualiza Rocha.

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Colaboração técnica

Paulo Rocha – engenheiro civil graduado pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP) e pós-graduado em gerenciamento de projetos PMI pelo SENAC. É professor adjunto de Mecânica dos Solos, Obras de Terra e Introdução à Engenharia Civil na Faculdade Padre Anchieta e coordenador técnico da Maccaferri América Latina, onde presta suporte técnico para engenheiros, projetistas, técnicos e clientes da empresa, além de atuar no desenvolvimento e na criação de ferramentas técnicas relacionadas às soluções em gabiões e geossintéticos.
Rodrigo Humberto Fernandes Afonso – engenheiro civil da Firestone Building Products. É formado na Fundação Educacional Inaciana (FEI).