Banner AECweb
menu-iconPortal AECweb

Retrofit transforma antigo casarão no Museu de Florianópolis

Intervenção recém-concluída exigiu construção de instalações prediais compatíveis com o novo uso e preservação de achados arqueológicos. Conheça as técnicas e equipamentos empregados

Publicado em: 10/12/2018Atualizado em: 22/01/2019

Texto: Juliana Nakamura

projeto-de-retrofit
A Casa de Câmara e Cadeia foi concebida no século XVIII (foto: divulgação/Prefeitura Municipal de Florianópolis)

Implantada no coração de Florianópolis (SC), a Casa de Câmara e Cadeia tem uma longa história. O prédio de características luso-brasileiras do século XVIII abrigou até 1930 a cadeia de Nossa Senhora do Desterro. Depois disso, foi sede da Câmara dos Vereadores até 2005.

Anos sem manutenção fizeram com que o casarão de 865 m² tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal ganhasse infiltrações generalizadas, fachadas deterioradas e problemas estruturais. Para resolver a situação, em setembro de 2014 foi iniciado um projeto de revitalização para transformar a edificação no Museu de Florianópolis, administrado pelo SESC (Serviço Social do Comércio) de Santa Catarina.

Recém-concluídas, as obras procuraram deixar o edifício o mais próximo possível de suas características originais e preservar achados arqueológicos. Com a ajuda de radares de penetração do solo, foram encontrados no pátio do casarão dois canhões, fragmentos de louças e placas esmaltadas que farão parte do acervo do museu.

PROJETO DE REVITALIZAÇÃO

casa-camara-cadeira
Ambiente interno da Casa de Câmara e Cadeia (foto: divulgação/Prefeitura Municipal de Florianópolis)

O retrofit contemplou a revitalização da estrutura existente alinhada com a preservação do valor histórico do edifício e a construção de um anexo.

Os serviços focaram a substituição da estrutura da cobertura, dos forros e dos pisos da construção existente. “Estruturalmente, o prédio estava estável e não houve necessidade de realização de reforços de fundações”, explica a engenheira Maria Aparecida Soukef Nasser, diretora de Operações de Obras Especiais da Concrejato.

Estruturalmente, o prédio estava estável e não houve necessidade de realização de reforços de fundações
Maria Aparecida Soukef Nasser

Um prédio auxiliar com 192 m² foi construído com estrutura de aço e vidro. O módulo acomoda parte da administração, sanitários, café e um elevador, necessário para garantir acessibilidade vertical ao novo museu. Para conectar o edifício novo ao anterior foi construída uma passarela metálica.

ESTACAS COM MENOS VIBRAÇÃO

Para a construção do edifício anexo, o plano inicial era realizar fundações diretas com sapatas. Mas por conta dos achados arqueológicos, a delimitação da área de intervenção ficou restrita, exigindo a alteração do projeto para fundações profundas menos invasivas. A solução encontrada foi executar 14 estacas do tipo raiz, cravadas com um equipamento de menor porte, capaz de se movimentar com menos vibrações no terreno.

Leia também: Solos moles pedem fundações profundas. Conheça as principais alternativas

A necessidade de preservar a estrutura existente e não prejudicar qualquer remanescente arqueológico ditou o ritmo da obra e a escolha das técnicas utilizadas. Ao todo, a obra durou 36 meses e envolveu cerca de 50 profissionais.

Assim como aconteceu com a máquina para a execução das estacas raiz, outros equipamentos também foram escolhidos para atender às peculiaridades da obra. A necessidade de realizar serviços em telhados e forros, por exemplo, exigiu o uso de andaimes tubulares metálicos. Já as atividades na fachada demandaram a instalação de andaimes fachadeiros.

INSTALAÇÕES PREDIAIS

A adequação das instalações prediais foi uma das etapas mais trabalhosas na restauração da Casa de Cadeia e Câmara. O projeto previu a inserção de instalações elétricas, hidráulicas, contra incêndio, além de sistema de prevenção de descarga atmosférica, redes de dados e sistema de ar-condicionado.

“Todas as instalações foram executadas visando preservar a edificação e, ao mesmo tempo, garantir a adequação às normas técnicas e possibilitar futuras modernizações”, comenta a engenheira da Concrejato. Para evitar rasgos nas alvenarias e em demais elementos que deveriam ser preservados, as instalações correm discretas entre forros e cobertura, pisos e forros.

Todas as instalações foram executadas visando preservar a edificação e, ao mesmo tempo, garantir a adequação às normas técnicas e possibilitar futuras modernizações
Maria Aparecida Soukef Nasser

Atenção especial foi dada ao sistema de prevenção contra incêndios. No prédio histórico catarinense foram instalados 12 extintores fixados em suportes metálicos, dois hidrantes com mangueiras, hidrante de recalque na calçada e sistema preventivo que compreende iluminação, sinalização de abandono do local e detecção e alarme de incêndio.

Orçada em R$ 7,5 milhões, a restauração da Casa de Cadeia e Câmara foi coordenada pela Secretaria de Obras de Florianópolis. Desse valor, cerca de R$ 4 milhões foram pagos pelo Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), via Fundo Nacional de Cultura. O restante foi pago pela prefeitura.

Leia também: Bate-estacas evoluem e se tornam mais produtivos nas fundações profundas

Colaboração técnica

Maria Aparecida Soukef Nasser – Engenheira civil com especialização em Restauração do Patrimônio Histórico e MBA em Gerenciamento de Projetos. É diretora de Operações de Obras Especiais da Concrejato Engenharia.