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Ritmo de obras de pavimentação depende da escolha correta dos equipamentos

Frota deve ser dimensionada com base nas características do projeto e em função da velocidade desejada nas frentes de trabalho

Publicado em: 06/04/2017Atualizado em: 18/04/2017

Texto: Redação PE


Sincronia entre equipamentos garante ritmo produtivo em obras de pavimentação (Stockr/ Shutterstock)

Saber escolher os equipamentos adequados ao ritmo de produção e às características de cada projeto é um dos principais fatores de sucesso em obras de pavimentação. Além do dimensionamento do número de máquinas adequado para as frentes de serviço, deve-se estar atento à potência operacional e à função de cada equipamento no fluxo de trabalho, para evitar que eventuais falhas comprometam o andamento da obra.

A execução da estrutura do pavimento começa pelo preparo do subleito. “A sub-base tem espessura definida em projeto e, em geral, é feita com material importado de jazidas ou áreas de empréstimo. O caminhão basculante faz o lançamento desse material em forma de leiras ou montes espaçados ao longo do trecho da obra. A motoniveladora espalha esse material pela superfície, deixando uma camada uniforme. Em seguida, é feita a correção no nível de umidade”, explica Fernando Augusto Júnior, diretor da Associação Brasileira de Pavimentação (ABPv).

A motoniveladora entra novamente para fazer a regularização da camada e prepara a superfície para o trabalho dos rolos compactadores – que podem ter tambor de patas de carneiro ou liso vibratório, dependendo das características do solo. Quando a compactação atinge o valor estabelecido em projeto, a motoniveladora retorna para fazer o acabamento da superfície, deixando-a com a declividade transversal especificada.

PREPARO DA BASE

Fernando explica que vários tipos de base podem compor uma obra de pavimentação, cada uma com sistemas e procedimentos operacionais apropriados. A base de brita graduada, por exemplo, é processada em usinas de britagem até os agregados atingirem a faixa granulométrica definida no projeto, bem como o teor de umidade ótimo do material.

“Transportado em caminhões basculantes e descarregado diretamente na vibroacabadora, o material é espalhado de modo que após a compactação consiga atingir a espessura pré-estabelecida. Se houver emprego de motoniveladora nessa camada, é preciso cuidado para não gerar segregação de graúdos”, previne Fernando.

A compactação é feita novamente com rolo de patas de carneiro ou liso vibratório e, depois, aplica-se sobre a superfície uma camada de pintura impermeabilizante com asfalto diluído numa taxa que varia de 0,8 l/m² a 1,2 l/m². “A taxa adequada do produto deve ser estabelecida na pista”, explica o engenheiro.

REVESTIMENTO DE ASFALTO

A usina de asfalto, por exemplo, define a cadência das frentes de trabalho nessa etapa da obra, fornecendo de 80 t/h a 140 t/h de mistura asfáltica, que deve ser aplicada no máximo até 2 horas após ser usinada. Isso requer agilidade e sincronismo entre os caminhões basculantes, vibroacabadoras ou pavimentadoras e rolos compactadores que trabalham na pista.

“A vibroacabadora não pode fazer paradas para esperar o caminhão abastecê-la com a mistura asfáltica, sob o risco de causar defeitos na pista”, alerta o diretor da ABPv. Nesse processo, é a vibroacabadora que define o avanço do trabalho, por isso o operador precisa estabelecer uma velocidade adequada à quantidade de caminhões que transportam o material aplicado.

“A vibroacabadora de asfalto deve ser compatível com o tamanho da obra e dimensionada pela largura da pista, além de trabalhar com o rolo compactador de pneus o mais próximo possível. Quanto mais perto, melhor será o aproveitamento da temperatura da mistura asfáltica, alcançando um grau de compactação adequado na camada”, observa Fernando.

O serviço de rastelagem deve ser evitado ao máximo e, quando necessário, deve ser descartado o material graúdo, que nunca pode ser lançado à frente da vibroacabadora, nem sobre a superfície a ser compactada. Segundo Fernando, o material graúdo fica na superfície e dá um aspecto de segregação.

O serviço é completado com mais algumas passadas de rolo compactador. “Geralmente, são dez passadas com rolo compactador pneumático e duas passadas com rolo compactador tandem liso, para acabamento de superfície, mas essa quantidade pode oscilar dependendo das peculiaridades da obra”, arremata.

ASPECTOS IMPORTANTES DA PAVIMENTAÇÃO

  • Elaborar um projeto com todas as especificações da obra, dimensionamento do pavimento e dos equipamentos;
  • Realizar o estudo dos materiais utilizados na produção da massa asfáltica. Fernando, da ABPv, indica o cimento asfáltico de petróleo CAP 30/45 para climas quentes e tráfego pesado;
  • Produzir a mistura asfáltica conforme a temperatura de usinagem adequada aos produtos utilizados, que não deve ultrapassar 177°C;
  • Garantir que o teor de CAP presente na mistura asfáltica atenda aos limites estabelecidos na dosagem;
  • Utilizar a mistura asfáltica até 2 horas após ser produzida na usina. Caso não seja possível, é indicado o emprego de aditivos para misturas mornas.

 
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COLABORAÇÃO TÉCNICA

Fernando Augusto Júnior, diretor da Associação Brasileira de Pavimentação (ABPv)