Rodoanel Norte: técnicas modernas são utilizadas para conter encostas

Os solos e rochas heterogêneos dificultam perfurações e injeções de cimento

Publicado em: 06/03/2015Atualizado em: 07/04/2015

Texto: Redação PE

Entender as características geotécnicas do solo, antes de realizar qualquer obra de contenção, é o primeiro passo de um projeto de engenharia consistente. Do contrário, a falta de uma avaliação criteriosa causa graves acidentes geológicos, como deslizamentos, blocos de rocha, erosão, colapso de solo e acidentes costeiros.

Na construção do Trecho Norte do Rodoanel, que cruza as cidades de São Paulo, Arujá e Guarulhos, os trabalhos de geotecnia superam obstáculos impostos pelas condições dos solos e rochas heterogêneas.Esses trabalhos exigem máquinas especiais pois há maior dificuldade em perfurações e injeções de cimento nas obras de contenção das encostas.

A empresa GeoSoluções realiza os métodos de cortina atirantada e solo grampeado nessas obras de contenção, nos lotes 1 e 6 do Trecho Norte. Rodrigo Rogério, coordenador de geotecnia e fundações especiais da empresa, destaca a técnica utilizada para esse trabalho.

“As estruturas de concreto armado são trabalhadas junto com tirantes feitos de cordoalhas de aço ou monobarras. O atirantamento é dividido em perfuração, instalação dos tirantes e injeção de nata de cimento”, explica.

Já o solo grampeado é um tipo de contenção que, segundo Rodrigo, possui certas limitações, principalmente se o talude for muito vertical ou apresentar problemas de instabilidade e formação de cunha de deslizamento. “Porém, em muitos casos, ele pode ser perfeitamente aplicado e garante estabilidade ao talude”, acrescenta.

A ocorrência de escorregamentos terrosos em encostas brasileiras é elevada e gera grande destruição, com prejuízo humano e material. “Por isso as obras de contenção geológica precisam ser eficientes e receber atenção”, diz Rodrigo.

Tecnologia faz a diferença

Na obra, são utilizados os seguintes equipamentos: bomba MBA Clyver 24cv 2PM, bomba de projetado CP 6 (para jateamento do concreto), bomba  de sucção de água, bomba Jacuzzi 7.5 CV (injeção da nata de cimento que fará a ancoragem dos tirantes), macaco hidráulico 100 TF (com bomba, usado para protensão de tirantes), misturador duplo horizontal (preparo da nata de cimento), perfuratriz Crawller – PW, perfuratriz hidráulica com centralina, perfuratriz hidráulica MC 180 CZM (usadas para perfuração do terreno onde serão onde serão introduzidos os tirantes).

Segundo a GeoSoluções,esses modelos atendem às necessidades dos serviços executados conforme especificações indicadas em projeto. A logística e mobilidade de trabalho dessas máquinas exige cuidado redobrado.“A obra é realizada próxima a uma comunidade com ruas estreitas e postes fora de padrão, fator que gera contratempo para chegada dos materiais e equipamentos, além de causar desconforto aos moradores da região”, diz Rafael Biazotto, engenheiro responsável pelas obras no local.

Além disso, a área possui perfuração em rocha com nível de água elevado e presença de areia em alguns pontos. Essa é uma situação de grande complexidade que exige interrupção das atividades e um estudo muito mais aprofundado.“Os técnicos concluíram que a instabilidade é decorrente da utilização do ar-comprimido como fluído de perfuração e ao nível de água elevado. Nesse caso, a solução foi o rebaixamento do nível da água por bombeamento a vácuo. Trata-se de uma nova técnica de perfuração, em que todos os grampos eram perfurado e revestidos para controlar o fluxo de ar, que impulsionava a água e gerava instabilidade”, explica Biazotto.

Interferência do lençol freático

Métodos como solo grampeado e cortina atirantada são os mais utilizados para mitigar problemas de estabilidade em encostas. De acordo com especialistas, somente um estudo criterioso determinará exatamente quais devem ser realizados. No Trecho Norte do Rodoanel, os dois tipos são utilizados – o solo grampeado é usado nos emboques dos túneis e alguns taludes laterais. Já a cortina atirantada é aplicada na maior parte das contenções laterais.

“Além dos métodos de contenção,o rebaixamento de nível freático viabiliza a escavação dos túneis. Terrenos complexos com alto nível de água, material granular e densidade rochosa demandam esse tipo de trabalho. A experiência numa obra realizada na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, foi fundamental. Na ocasião, lençol freático também interferiu nos métodos de execução da obra”, afirma Biazotto.

Até o momento, o empreendimento já utilizou 18 mil metros lineares de chumbadores monobarra CA50 com 25 milímetros de diâmetro, e 20 mil metros lineares de tirantes tipo cordoalha, além de 5.500 metros cúbicos de concreto projetado.

Colaboraram para esta matéria

Rodrigo Rogério- Coordenador de geotecnia e fundações especiais da empresa GeoSoluções

Rafael Biazotto- Engenheiro responsável pelas obras no Rodoanel

José Orlando Avesani Neto- Coordenador do departamento técnico da GeoSoluções