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Sacadas fechadas com vidro estão mais ‘in’ do que nunca

Norma recém-publicada garante segurança e qualidade aos produtos. Quem sai ganhando é o consumidor

Publicado em: 06/03/2014

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Fechamento de sacadasJá faz algum tempo que as sacadas e varandas se tornaram o xodó de quem mora em apartamento. E para aproveitar ainda mais esse espaço, muita gente o fecha com vidros. Assim, o ambiente fica mais aconchegante; pode ser usado durante todo o ano, inclusive no inverno; o ruído externo é reduzido; e a poluição fica do lado de fora, assim como a chuva. Fechadas, muitas varandas viram extensão da sala e acabam ganhando status de espaço gourmet, lounge ou até sala de ginástica. Mas, antes de envidraçar a sacada/varanda, é preciso verificar a legislação do condomínio para verificar se o fechamento é permitido e qual material pode ser utilizado com o intuito de manter a unidade visual do prédio.

Quando o assunto é fechamento de sacadas e varandas, a segurança é fundamental. Agora os consumidores poderão ficar mais tranquilos quanto a isso, pois em 16 de fevereiro entrou em vigor a Norma nº 16.259/2014 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), que trata de sistemas de envidraçamento de sacadas: requisitos e métodos de ensaio. “Estamos otimistas, pois acreditamos que, com as novas regras, a fiscalização e a cobrança por parte do consumidor será maior. Foram quatro anos de discussão, mas valeu a pena, pois a Norma está bem esclarecedora e foi redigida de forma que até os leigos a compreendam”, afirma o arquiteto Rodrigo Belarmino, coordenador da Norma e diretor da empresa Solid Systems, especializada em envidraçamento de sacadas. Saiba mais sobre a nova Norma e sobre as opções para o fechamento a seguir:

Como fechar

Estamos otimistas, pois acreditamos que, com as novas regras, a fiscalização e a cobrança por parte do consumidor será maior. Foram quatro anos de discussão, mas valeu a pena, pois a Norma está bem esclarecedora e foi redigida de forma que até os leigos a compreendam

Hoje, o sistema mais utilizado é o chamado de europeu, que proporciona a abertura total do vão e pode ser instalado em qualquer tipo de sacada: côncava, convexa, reta, em grau etc. Nesse sistema, as folhas de vidro ficam alinhadas no trilho e, para abrir, precisam girar 90° e se recolher em um dos cantos. “Existem outras opções, mas estão fora de uso”, declara a arquiteta Andrea Parreira. O vidro pode ir do piso ao teto ou começar a partir do guarda-corpo, dependendo da resistência da mureta original.

Há uma variedade enorme de produtos no mercado, dos mais simples aos mais sofisticados. Há sistemas em que cada vidro mede 90 cm de largura, o que faz com que a fachada fique mais ‘limpa’, sem tantas emendas. “Com menos frestas, a chance de entrar água é menor”, diz Belarmino.

Qual vidro colocar

“Essa questão do vidro é polêmica”, afirma Belarmino. Segundo ele, muitas empresas defendem o tipo de vidro que comercializam. Para acabar com as dúvidas sobre qual vidro utilizar, a Norma nº 16.259/2014 aborda esse assunto.

Há dois tipos de vidro chamados ‘de segurança’: o laminado e o temperado. Mas o consumidor não pode apenas escolher um ou outro. “Quem define o vidro mais adequado é a empresa contratada, pois a escolha deve ser feita com base em cálculos que consideram a região do país em que se está, a posição do prédio, o número de andares etc.”, explica Andrea. Em sistemas nos quais o vidro é prensado em vez de colado, por exemplo, só é possível usar o vidro temperado.

O temperado é bastante resistente ao vento (até seis vezes mais do que o laminado), mas para ser usado em sacadas precisa ter uma película interna, para que não estilhace em caso de quebra. “O estilhaço fica retido na película”, explica Andrea. Já o laminado é menos resistente ao vento, mas ao quebrar não estilhaça, apenas trinca.

Vanderlei Soares, arquiteto responsável pela Arquiglass, é defensor dos laminados. Entre os pontos positivos, ele destaca o fato dele filtrar raios ultravioletas e ter qualidade acústica 10 vezes maior que o laminado. “A única vantagem do temperado é a resistência ao impacto mecânico, que é cinco vezes maior”, opina.

Cuidados

Quem define o vidro mais adequado é a empresa contratada, pois a escolha deve ser feita com base em cálculos que consideram a região do país em que se está, a posição do prédio, o número de andares etc

O cuidado número 1 é contratar uma empresa que respeite a Norma da ABNT. “Pedir referências a amigos, familiares e vizinhos; levantar os dados da empresa; visitar obras feitas por ela; e verificar se oferece garantia e atendimento pós-venda é importante”, recomenda Belarmino.

Para garantir o bom funcionamento do sistema de fechamento, Vanderlei Soares aponta a importância de medir o espaço corretamente, pois, para funcionar, o sistema precisa estar dentro do prumo, não pode estar torto; e de deixar um espaço de 3 cm entre a viga superior e o gradil para que o vidro gire.

Os cuidados são fundamentais para evitar problemas, alguns bastante graves. “Infelizmente, acontecem coisas assustadoras”, declara Belarmino. Entre os acidentes mais sérios, ele cita descolamento de vidros mal colados; vidros que saem voando ou ficam pendurados por conta de especificação errada ou fixação mal feita. “Já vi vidro que deveria ter sido fixado com 10 parafusos com somente dois”, conta Belarmino. Ele cita ainda problemas de alinhamento, mau acabamento e falta de vedação.

Soares, da Arquiglass, destaca que é preciso saber abrir e fechar os sistemas. “As lâminas abrem independentemente [a primeira lâmina abre e gira 90°, daí a 2ª tem que correr até encostar o seu bico na que está aberta, girar 90° e abrir, e assim por diante], mas como algumas sacadas têm mais de uma abertura, se a pessoa tentar abrir antes de chegar ao canto, a roldana pode estourar e o vidro cair para dentro do apartamento”, alerta. “Por isso, só entregamos o sistema para o proprietário do imóvel, que assina um termo de responsabilidade”, completa.

Custo

Fechar uma sacada não sai barato. Belarmino compara os sistemas de fechamento a carros: “Temos desde modelos mais simples e baratos, com itens básicos de segurança, até outros mais sofisticados e seguros, mas também mais caros. O preço varia de acordo com a segurança, o funcionamento, o acabamento, a qualidade, o conforto, a estrutura e o atendimento pós-venda oferecido”.

A Norma

A Norma nº 16.259/2014 da ABNT aborda questões relacionadas à preparação do local, fixação, aos tipos de vidro, à utilização do sistema, entre outras. Belarmino, coordenador da Norma, destaca três pontos:

  1. O que trata da resistência a cargas uniformemente distribuídas. Esse item contém uma tabela que mostra a pressão de vento ideal para cada região do país, considerando o número de andares do edifício entre outros fatores. “As empresas terão que fazer ensaios para verificar se o equipamento suporta diferentes pressões de vento sem quebrar. Isso é muito importante para a segurança”, observa Belarmino.
  1. O que trata da resistência às operações de manuseio. As empresas terão que submeter seus equipamentos a ensaios para avaliar a abertura e o fechamento. Para ser aprovado, ele precisa abrir e fechar 10 mil vezes sem apresentar nenhum problema.
  1. A que exige que haja um responsável técnico pela execução da obra. Esse profissional deverá elaborar o projeto, acompanhar o serviço e preencher o Registro de Responsabilidade Técnica (RRT) – um atestado emitido pelo órgão competente (CREA – Conselho Regional de Engenharia - ou CAU – Conselho de Arquitetura e Urbanismo).

 

Colaboraram para esta matéria

Andrea Parreira – Arquiteta formada pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Atua há 24 anos no mercado de construção civil, arquitetura residencial e decoração de interiores.
Rodrigo Belarmino – Arquiteto formado pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduado em administração de empresas pela FIA-USP (Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo). É diretor da Solid Systems – Envidraçamento Premium e coordenador da Norma nº16259/2014 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
Vanderlei Soares – Tecnólogo em arquitetura pela Fatec e trabalha com vidros há 25 anos. É responsável técnico pela Arquiglass Projetos.