Saiba como resolver os ruídos em tubulações hidráulicas

Dependendo da situação, os problemas podem ser solucionados com tratamento acústico ou através de alterações no sistema hidráulico. Conhecer as causas é fundamental

Publicado em: 20/03/2018Atualizado em: 04/08/2021

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Ruídos em tubulações hidráulicas são problemas que atingem os mais diferentes tipos de edificações. Os barulhos têm origem na circulação de fluidos pelo interior dos canos. Essa passagem faz a tubulação vibrar, movimentação que é transmitida aos elementos construtivos onde o sistema hidráulico está fixado. “Dessa maneira, a vibração da parede segue o mesmo princípio básico que um alto-falante que irradia som”, explica o engenheiro Juan Frias, sócio-diretor da Bracústica.

A situação pode ocorrer tanto em novos empreendimentos quanto nos edifícios antigos, sendo que nestes últimos as chances acabam sendo maiores. “Alguns sistemas podem apresentar desgaste ou, ainda, não foram instalados considerando o conforto acústico”, informa o especialista. As tecnologias também evoluíram. Por exemplo, deixaram de ser usadas tubulações metálicas, que quando chumbadas nas paredes de alvenaria produzem níveis de ruído mais elevados do que as atuais de PVC.

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O projeto da tubulação deve levar em conta o conforto acústico (AppleZoomZoom/ Shutterstock.com)

CAUSAS DO PROBLEMA

Existem casos de barulhos decorrentes de fenômenos como golpe de aríete, cavitação e pressão excessiva, que poderiam ser reduzidos através de adequações do projeto hidráulico. “No entanto, a vibração é situação inerente aos sistemas hidráulicos, mesmo daqueles corretamente dimensionados”, destaca o engenheiro. Ou seja, nem sempre os sons são resultantes de falhas no projeto.

A vibração é inerente aos sistemas hidráulicos, mesmo daqueles corretamente dimensionados
Juan Frias

O martelo d’água, também conhecido como golpe de aríete, é um fenômeno produzido por variações de pressão na tubulação, derivadas de alterações bruscas da vazão (fechamento de uma válvula ou parada de uma bomba). Essas mudanças produzem ruído parecido com a batida de um martelo e, além do barulho, a situação pode ter consequências mais graves, inclusive danificando a tubulação e os elementos construtivos em volta dela.

“Hoje, existem métodos de cálculo para saber se uma instalação hidráulica sofrerá esse fenômeno. Há, também, dispositivos que podem ser instalados para evitá-lo, como válvulas de proteção, reservatórios, by pass, entre outros”, esclarece Frias.

SOLUÇÕES

Conhecer as reais causas do problema é o primeiro passo para a solução. Afinal, o tratamento de ruídos provenientes das tubulações é totalmente diferente das medidas que buscam silenciar o ambiente de sons externos. Enquanto os barulhos do lado de fora são propagados pelo ar, as vibrações no encanamento são transmitidas por meio sólido. “Daí que pouco adianta utilizar soluções absorventes nas paredes ou tetos”, lembra.

O método mais adequado para lidar com o problema é através de alternativas que minimizem a transferência das vibrações das tubulações para as paredes. Entre as opções, se destacam sistemas que evitam a união rígida entre o encanamento e os elementos construtivos. “Esses tratamentos vão desde apoios antivibratórios até juntas de expansão, ambos os elementos que reduzem a movimentação da bomba”, comenta Frias. Além disso, também existem suportes antivibratórios (pendurais, apoios e abraçadeiras) que podem ser incorporados ao sistema.

A melhor alternativa resultará da análise do sistema e dos ruídos pelo profissional especialista em acústica, lembrando que há soluções adequadas a cada caso. Primeiramente, deve ser considerado o porte da instalação e a existência de ambientes sensíveis a barulhos. “Depois, precisam ser verificados os pontos críticos de transmissão de vibrações entre o sistema e os elementos construtivos”, explica o engenheiro.

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TRATAMENTO ACÚSTICO

Os tratamentos acústicos são uma boa opção para reduzir o ruído normal de sistemas dimensionados corretamente
Juan Frias

“Os tratamentos acústicos são uma boa opção para reduzir o ruído normal de sistemas dimensionados corretamente”, afirma Frias. Porém, as soluções não terão o resultado esperado em casos de sistemas projetados de maneira equivocada. Há situações, por exemplo, em que a atenuação sonora é muito maior com alterações na própria tubulação, como a troca de válvulas ou utilização de tubos com diâmetros maiores para reduzir a velocidade da água.

Por esse motivo, é sempre interessante consultar tanto um especialista em acústica quanto um projetista hidráulico antes de executar qualquer tipo de intervenção no sistema. “O simples tratamento acústico não vai resolver o problema se o sistema apresentar falhas no projeto hidráulico, que deve estar sempre em conformidade com as normas da ABNT”, diz o engenheiro.

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NORMAS DE DESEMPENHO

A ABNT NBR 15575 – Edificações Habitacionais – Desempenho – estabelece os limites de ruídos das instalações hidrossanitárias de uso coletivo no interior dos dormitórios. Segundo a norma, devem ser analisados os níveis de pressão sonora contínuos, equivalente padronizado de um ciclo de operação do equipamento predial (LAeq,nT); e o nível de pressão sonora máximo (LASmáx.,nT,) do ruído, gerado pela operação do equipamento.

Os limites indicados pela ABNT NBR 15575 são:

Valores máximos do nível de pressão sonora contínuo equivalente (LAeq,nT) medido em dormitórios

LAeq,nT dB (A)
Nível de desempenho
≤ 30
Superior
≤ 34
Intermediário
≤ 37
Mínimo

 

Valores máximos do nível de pressão sonora máximo (LAsmax,nT) medido em dormitórios

LAsmax,nT dB (A)
Nível de desempenho
≤ 36
Superior
≤ 39
Intermediário
≤ 42
Mínimo

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Colaboração técnica

Juan Frias – Engenheiro de acústica pela Universidade Politécnica de Madri (Espanha). Foi gerente da Associação Espanhola para a Qualidade Acústica (AECOR) entre 2006 e 2011 e colaborou na redação do DB-HR (Documento Básico de Habitabilidade - Ruído) do Código Técnico da Edificação (norma de desempenho espanhola). Durante essa etapa, foi Coordenador do Comitê Técnico de Normalização 74 de Acústica de AENOR e membro do CTN 196 de Edificação Sustentável. Participou do Projeto Cost de Harmonização de Critérios Acústicos na Edificação Europeia. É coordenador do Comitê Acústica nas Edificações da Associação ProAcústica e sócio-diretor da Bracústica.