São Paulo terá monotrilho de maior capacidade do mundo

Com extensão de 25,8 quilômetros em vias elevadas, a Linha 15-Prata do Metrô em São Paulo contará com 17 estações e será inaugurada oficialmente em 2016

Publicado em: 21/10/2013Atualizado em: 19/01/2014

Texto: Redação PE

Previsto para receber em torno de meio milhão de passageiros por dia, o primeiro monotrilho da capital paulista vai atender a uma das áreas mais carentes de transporte público de qualidade em São Paulo: a Zona Leste. O trajeto da Linha 15-Prata será composto pelas estações Vila Prudente, Oratório, São Lucas, Camilo Haddad, Vila Tolstoi, Vila União Jardim Planalto, Sapopemba, Fazenda da Juta, São Mateus, Iguatemi, Jequiriçá, Jacu-Pessego, Érico Semer, Marcio Beck, Cidade Tiradentes e Hospital Cidade Tiradentes.

O pontapé inicial para a execução das obras foi dado em 2010 e se destaca pela grandeza, arquitetura e velocidade de execução. No final de 2013 está prevista a inauguração da primeira estação do ramal - a Oratório – uma das 17 do trecho que terá 25,8 km de extensão em vias elevadas. As estações vão medir 90 metros de comprimento, todas com elevadores para portadores de necessidades especiais, câmeras de segurança e proteção de acesso aos trens na plataforma.

A escolha deste modal para a linha 15 – Prata foi orientada por aspectos como alta capacidade do sistema, muito semelhante à de um metrô convencional, mas com menor prazo de construção para atender a população. Enquanto uma linha de metrô convencional com 24 quilômetros de extensão pode levar de dez a 15 anos para ser concluída, o monotrilho ficará pronto em aproximadamente cinco anos. Isso se consegue graças ao menor número de desapropriações, que consomem tempo e recursos, e também em razão da inexistência de escavações.

A execução do projeto está sob responsabilidade do Consórcio Expresso Monotrilho Leste, composto pela parceria das empresas OAS, Queiroz Galvão e Bombardier, vencedor da licitação realizada em 2010 pela Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô). O custo total da obra é de R$ 2,4 bilhões. Segundo especialistas, não há no mundo um modelo igual ao do monotrilho paulistano.

As definições técnicas que fazem parte do projeto de uma linha de metrô são altamente complexas e decorrem não apenas de exigências específicas do sistema metroviário, mas principalmente de aspectos como ocupação do solo, preservação do meio ambiente e do patrimônio histórico. Nas vias elevadas, as maiores dificuldades decorrem das condições topográficas. O material rodante utilizado atualmente opera com rampas máximas de 4% e raios de curvas limitados e não permite que a estrutura se adapte a topografias muito acidentadas, o que, em muitos casos, inviabiliza a alternativa.

No monotrilho, as estruturas ficam cerca de 12 a 15 metros do nível da rua. Os pilares de sustentação foram projetados para aguentar até impacto de caminhões sem que a circulação de trens seja comprometida. Os trilhos de concreto são formados por vigas de 30 toneladas, preenchidos por 9 toneladas de isopor.

Para os engenheiros, trata-se de um grande desafio já que a margem de precisão de instalação de cada uma delas é de 3 milímetros de diferença. Uma estrutura metálica também será instalada entre os trilhos para dar passagem aos cabos de força, telecomunicações e controle dos trens, além de servir de passarela para a evacuação dos vagões em caso de pane.

O conceito adotado no sistema monotrilho minimiza a necessidade de desapropriações, pois o corpo central das estações fica localizado no canteiro central das avenidas pelas quais os trens irão passar. Apenas para a construção dos acessos e edificação de salas técnicas e operacionais implantadas nas laterais das avenidas são necessárias desapropriações. Para diminuir o impacto da obra do monotrilho, o metrô realiza um projeto de arborização e ciclovia sob a linha.

Sobre o monotrilho

Esse sistema de transporte caracteriza-se pela tração elétrica e sustentação por pneus, que se desloca sobre uma viga de 69 centímetros de largura, com pneus laterais para guia e estabilização. Entre as estações Vila Prudente e Cidade Tiradentes vão circular 58 novos trens, cada um com capacidade para transportar até mil passageiros.

Sem o monotrilho, um morador da Zona Leste leva mais de duas horas nesse percurso. O grande número de passageiros a ser transportado diariamente pelo monotrilho também supera a demanda de outros sistemas de metrô, trem urbano, BRT e VLT.

A linha também será equipada com um sistema de controle automático de trens Bombardier Cityflo 650 que permite a operação sem necessidade de condutor (driveless), com um intervalo de circulação preciso de apenas 75 segundos. Os trens que vão circular na via elevada são do tipo INNOVIA Monotrilho 300, de sete vagões com ar condicionado, 86 metros de comprimento total com velocidade máxima de circulação de até 90 km/h.

O primeiro modelo foi fabricado na cidade de Kingston, no Canadá, onde a Bombardier tem pistas de testes para os monotrilhos. A fábrica da empresa em Hortolândia, a 105 quilômetros de São Paulo, se encarrega da fabricação e conta com 250 pessoas trabalhando na montagem dos trens. Ao todo, a Bombardier tem 400 funcionários no Brasil.

 

Fonte: Metro SP
Rodolfo Szmidke – Engenheiro responsável pela estação Vila Prudente
Marcelo Freire – Engenheiro do Consórcio Expresso Monotrilho Leste
Foto: Paulo Barros