Selamento estrutural do concreto evita o aparecimento de patologias

Resinas acrílicas podem ser usadas tanto na prevenção quanto na contenção de trincas, fissuras e rachaduras que podem comprometer a integridade das estruturas

Publicado em: 21/08/2017Atualizado em: 22/08/2017

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Selantes são produtos usados para manter as características ideais do concreto, evitando o aparecimento de manifestações patológicas como trincas, fissuras e rachaduras, que podem comprometer a integridade estrutural.

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Processo de recuperação de fissuras e trincas do concreto feito com argamassa de cristalização integral (foto: divulgação/Penetron)

“A realização do selamento tem como finalidade impedir a agressão da estrutura por agentes externos”, explica a engenheira Carla Castro de Paula, gerente de Engenharia da Pires | Giovanetti | Guardia, empresa especializada em recuperação estrutural e restauros. Solução bastante empregada nessa tarefa é a resina acrílica, indicada para ambientes em que o concreto fica em contato permanente com a água, como reservatórios e hidrelétricas.

A realização do selamento tem como finalidade impedir a agressão da estrutura por agentes externos
Carla Castro de Paula

Por apresentar viscosidade mais baixa, a resina tem a capacidade de penetrar na estrutura, evitando, assim, a entrada de elementos contaminantes. O produto pode ser aproveitado tanto na prevenção quanto na contenção de problemas. Além das resinas acrílicas, outros materiais que podem ser usados no procedimento são poliuretano, epóxi e poliureia. “Há, ainda, as mantas pré-moldadas, que têm a finalidade de proteção”, comenta a engenheira.

Com a variada quantidade de opções disponíveis, conhecer a situação em que cada uma deve ser usada torna-se fundamental para atingir o resultado esperado. Para a recomposição estrutural, por exemplo, são recomendados materiais com alta resistência mecânica. Para esses casos, as resinas à base de epóxi, poliuretano rígido e microcimento são as mais indicadas. No entanto, como as soluções são rígidas, não devem ser usadas em fissuras ativas.

Já para a impermeabilização e selamento de fissuras, os sistemas mais usados são à base de poliuretano hidroativado e gel de poliuretano. Avanço recente nessa tarefa são as injeções à base de gel acrílico, conhecidas também como hidroestruturados. O material forma uma membrana flexível em pouco tempo, devido à rápida reação, impermeabilizando estruturas abaixo do lençol freático.

ARGAMASSAS DE CRISTALIZAÇÃO INTEGRAL

Diferentemente das resinas acrílicas, que formam uma barreira física superficial, as argamassas de cristalização são aplicadas sobre o concreto na forma de pintura. A solução reage com a pasta de cimento e água, formando cristais insolúveis nos poros e microfissuras do concreto. Assim, reduzem a penetração de água e agentes agressivos ao concreto. Mesmo depois de aplicado, o produto continua ativo e protegendo o concreto contra a corrosão.

As argamassas de cristalização integral são recomendadas para proteção de estruturas viárias, portuárias e industriais, nas quais há grande concentração de agentes agressivos. Também podem ser especificadas em estruturas de fundação para impedir o ingresso de água e proteger contra patologias como reação álcali-agregado. Outro uso do produto é como proteção preventiva ou após a recuperação da estrutura. Por ser de base mineral, não se deteriora pela ação dos raios UV, apresentando elevada durabilidade.

FUNCIONAMENTO E INDICAÇÃO

É através da criação de barreiras que a aplicação de selante em estruturas de concreto previne o surgimento de manifestações patológicas. O sistema de proteção é responsável por impedir a ação de agentes agressivos na superfície, além de evitar a entrada desses componentes no interior da estrutura. “O uso das soluções evita o contato dos elementos nocivos com o concreto, impedindo, assim, que ocorram reações indesejáveis”, explica a engenheira.

O uso das soluções evita o contato dos elementos nocivos com o concreto, impedindo, assim, que ocorram reações indesejáveis
Carla Castro de Paula

Segundo a especialista, toda estrutura de concreto deve receber proteção para controle de agentes agressivos, independentemente do tipo de obra e do ambiente em que a edificação está inserida. Mas, em alguns casos, essa preocupação deve ser maior. “Essas proteções são utilizadas em estruturas que permanecem em contato direto com água ou outros materiais que podem agredi-la”, afirma.

PREPARAÇÃO E APLICAÇÃO

Antes da aplicação do sistema de proteção, algumas características precisam ser analisadas. “Devemos considerar a condição do substrato, ou seja, se o mesmo apresenta-se íntegro. Não podem existir nichos de concretagem, agentes contaminantes, concreto desplacado, entre outros”, recomenda Castro.

Um dos métodos mais utilizados para execução da proteção é através da injeção. Depois de realizado o diagnóstico inicial da estrutura e preparada a superfície, são realizados pequenos furos que receberão os bicos de injeção. Passadas 24 horas após a aplicação do produto, é recomendável que sejam realizados testes para verificar se a estrutura realmente estará estanque.

Esse procedimento deve sempre ser realizado em conformidade com os critérios estabelecidos na ABNT NBR 9575 – Impermeabilização – Seleção e Projeto – e na ABNT NBR 6118 – Projeto de Estruturas de Concreto – Procedimento. “A aplicação também deve respeitar as indicações de cada fabricante”, diz a engenheira.

MÉTODOS ALTERNATIVOS

Além dos componentes selantes, existem métodos e materiais alternativos que podem ser usados com a mesma finalidade. “É possível utilizar também materiais com aplicação de pintura, projeção, revestimento e mantas pré-fabricadas”, finaliza Castro.

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Colaboração técnica

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Carla Castro de Paula – Engenheira civil formada pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), com pós-graduação em Tecnologia do Concreto, Tecnologia de Impermeabilização e Patologias em Estruturas de Concreto pelo IDD. É, ainda, pós-graduada em Gerenciamento de Empreendimento e Engenharia de Custos pelo Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos (IBEC). Ocupa o cargo de gerente de Engenharia na Pires | Giovanetti | Guardia.Engenheira civil formada pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), com pós-graduação em Tecnologia do Concreto, Tecnologia de Impermeabilização e Patologias em Estruturas de Concreto pelo IDD. É, ainda, pós-graduada em Gerenciamento de Empreendimento e Engenharia de Custos pelo Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos (IBEC). Ocupa o cargo de gerente de Engenharia na Pires | Giovanetti | Guardia.