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Sistema de automação para iluminação ajuda na eficiência energética

Dimers, sensores, elementos de sombreamento motorizados...veja soluções de automação para iluminação que economizam até 40% da energia elétrica do sistema luminotécnico

Publicado em: 03/08/2010Atualizado em: 06/06/2019

Texto: Redação AECweb

Redação AECweb


A iluminação responde por até 40% da energia elétrica consumida num edifício, de acordo com dados da Energy Information Administration – órgão do governo norte-americano. Com a crescente exigência de redução do consumo energético, o controle da iluminação se destaca como um recurso decisivo em edifícios de escritórios e corporativos. Para se uma idéia, a automação pode contribuir com até 21 pontos na certificação LEED de impacto ambiental concedida pelo GBC – Green Building Council –, enquanto a luz direta se limita a 11 pontos.

Segundo a arquiteta Juliana Ramacciotti, proprietária da JRLUZ – Consultoria de Projetos e Sistemas de Controle de Iluminação –, a economia pode chegar a 40% da energia elétrica do sistema luminotécnico. Tudo começa com um projeto de iluminação eficiente do ponto de vista do consumo versus luz proporcionada. “Já a eficiência do projeto de controle considera a fácil instalação, programação e manutenção, podendo ser implantado numa sala de escritório até num prédio inteiro”, diz.

Anterior, porém, à escolha dos sistemas que vão dar vida à automação, é preciso saber aproveitar a luz do sol, “gratuita e a mais saudável para o homem”, lembra a arquiteta. O primeiro passo é tratar janelas e fachadas com elementos de sombreamento, de preferência motorizados, para evitar a entrada excessiva de luz que ofusca a visão dos ocupantes e equipamentos, como a tela do monitor. “Não podemos contar apenas com a luz natural, pois em dias nublados ela chega a ser 50% inferior à dos ensolarados”, comenta.

O controle da iluminação buscará o equilíbrio entre a luz natural que entra no ambiente e a artificial. “O projeto vai considerar as luminárias mais próximas e as mais distantes das janelas. Dependendo da disposição desses vãos e de como o sol incide durante o dia, teremos fotocélulas programadas para controlar a quantidade de luz das luminárias. Elas vão ‘dizer’ para as luminárias próximas às janelas que elas poderão ficar em 10% de sua potência e às mais afastadas em 30%, por exemplo. O sistema fornece a proporção correta, de acordo com o projetado”, ensina Juliana Ramacciotti, reforçando que o próprio sistema se ajusta à quantidade de luz natural do dia e ao longo dele.

No caso de edifício ocupado por vários pequenos escritórios, o ideal é a automação modular, que pode ser ampliada conforme a empresa cresce, incorporando novos conjuntos de salas. A arquiteta recomenda o uso do sistema Dali – Interface Digital Endereçavel – que permite reprogramar o controle da iluminação, conforme as mudanças de layout dos escritórios.

“Outra tecnologia interessante é a dos sensores para o controle de iluminação por movimento, que evoluíram, tornando esse recurso realmente eficiente”, comenta, referindo-se à precariedade dos antigos sistemas que funcionavam apenas para corpos em trânsito e, por isso, especificados principalmente para áreas de circulação. “Hoje, temos o sistema Dual Technology em que os sensores atuam por ultrassom e infravermelho, captando a presença humana no ambiente, independente do movimento”, explica a arquiteta.

A automação permite, também, controlar a iluminação dos ambientes de forma personalizada. O recurso responde ao reconhecimento normativo de que cada pessoa percebe a quantidade de luz de forma individual, chegando em alguns casos à fotofobia. “A NBR 5413 da ABNT - Iluminância de Interiores - classifica essa intensidade para crianças, que precisam de menos luz para enxergar; adultos, um pouco mais; e idosos que pedem quantidades maiores de luz. São dados aceitos no mundo inteiro, mas padronizados”, diz Juliana Ramacciotti. A personalização é bem-vinda para a saúde, já que 80% das informações que chegam ao cérebro são visuais. Estudos norte-americanos mostram que a produtividade aumenta entre dez e 17 dias por ano, quando os funcionários controlam a quantidade de luz de acordo com suas necessidades individuais.

Assim, num escritório pequeno, com poucas luminárias, os usuários podem alterar a intensidade da luz, de acordo suas necessidades pessoais, através do uso de um simples controle remoto. “Já para as grandes empresas, que mudaram muito os seus conceitos de ocupação de espaço nos últimos anos, exige projeto detalhado, abrangendo áreas de circulação, salas fechadas e as de multiuso, resultando em diferentes quantidades de luz para as várias atividades realizadas no mesmo local”, ressalta. Ela exemplifica com uma típica sala de reunião, para a qual o projeto cria cenas diversas com, por exemplo, pouca luz na área de projeção de uma apresentação, porém com alguma intensidade na mesa para que os participantes possam fazer eventuais anotações. Num momento seguinte, de interlocução e consulta a documentos, o conforto visual fica garantido com cerca de 250 lux. Mas, se o grupo permanecer ali por um dia inteiro trabalhando, o ideal é fornecer 500 lux. “Todas as cenas ficam programadas no sistema e os usuários escolhem o que utilizar para cada situação”, conclui.

RESIDENCIAL

A automação da iluminação residencial, especialmente em apartamentos de alto padrão, apresenta crescimento diante dos custos mais acessíveis e maior versatilidade. “Mas, antes da cultura do controle da iluminação, é preciso que se dissemine a cultura da luminotécnica”, defende o engenheiro José Roberto Muratori, um dos fundadores da Aureside - Associação Brasileira de Automação Residencial, explicando que “de nada adianta entrar com controles mais sofisticados, como dimerização e cenários, se não houver uma certa riqueza do projeto luminotécnico”.

Da lâmpada que destaca um quadro ao abajur de leitura, passando por sancas de iluminação indireta, o controle atua criando cenários para cada atividade e ambiente. “No living, onde se recebe amigos, à sala de jantar ou de televisão, a automação evita que o morador tenha que correr apagando e acendendo interruptores, de acordo com o que está fazendo no momento. Numa sala que tem dez acionamentos, é possível gravar três ou quatro cenas básicas que atendem às atividades da casa. Em 90% do tempo os usuários vão utilizar as cenas pré-gravadas”, afirma.

Muratori exemplifica com a sala de televisão: com um toque na tecla ‘ver tv’, as luzes se apagam, mantendo o abajur dimerizado a 50%; na cena ‘jantar’, pode acender o lustre sobre a mesa e uma luminária de apoio, enquanto o restante fica a meia luz. O sistema não engessa as escolhas do usuário, permitindo que ele altere a programação das cenas. Há, ainda, uma facilidade muito interessante que é o ‘apaga tudo’. “O morador, ao sair de casa, desliga tudo o que está automatizado, acionando uma tecla” diz.

Segundo engenheiro, o conforto e a ambientação são os principais benefícios da automação da iluminação residencial. “É claro que o controle traz redução de consumo energético. Até mesmo a simples dimerização colabora. Se considerarmos que a cada acionamento de uma lâmpada de filamento, ele vai de zero a 100 instantaneamente, com o uso do dimer o acendimento é gradual, o que aumenta muito a vida útil da lâmpada.

Apesar da complexidade dos condomínios residenciais que vêm surgindo no mercado imobiliário, ainda é mínima a utilização de controle de iluminação. “As construtoras não provêm esse tipo de solução para a fase de operação do edifício, encarecendo a conta de energia elétrica. São vários e muito simples os procedimentos que a automação permite. Por exemplo: se o porteiro percebe que a sala de ginástica está vazia, mas a luz e o ar condicionado estão ligados, ele pode desligar ali mesmo, no painel de controle da guarita”, enfatiza Muratori, sugerindo que as construtoras deixem a parte elétrica preparada para receber a automação futuramente.

Redação AECweb



COLABORARAM PARA ESTA MATÉRIA:

A luz sob controle Juliana Ramacciotti é arquiteta formada pela FAAP-SP (1998). Desde 1997 atua na indústria de iluminação. Iniciou sua carreira no Departamento de Projetos de Iluminação da Philips do Brasil Ltda., onde desenvolveu mais de 400 projetos. Assumiu a Gerência de Vendas e Marketing da empresa Lutron BZ do Brasil Ltda., atuando no desenvolvimento de mercado de controles de iluminação, e realizando treinamentos e palestras. Desde 2008 é proprietária da JRLUZ, consultoria de projetos e sistemas de controle de iluminação. Em 2009, tornou-se consultora do prêmio Abilux - Associação Brasileira da Indústria de Iluminação. É professora da disciplina “A Luz Sob Controle” da Pós-Graduação em Iluminação e Design de Interiores IPOG.

A luz sob controle José Roberto Muratori é engenheiro de produção formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) com especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas. Atua há mais de dez anos na área de Automação Residencial e Tecnologias para Habitação. Foi membro fundador da AURESIDE, Associação Brasileira de Automação Residencial, a qual dirigiu como principal executivo durante cinco anos. Atualmente participa da Marbie Systems, empresa de consultoria e projetos de automação residencial que atua em todo o território brasileiro e tem como clientes algumas das principais incorporadoras e construtoras do País.