Sistema Light Steel Frame exige projeto detalhado e correta execução

Considerado leve e capaz de gerar uma obra limpa e rápida, este sistema construtivo formado por peças de aço galvanizado vem ganhando espaço no Brasil. Conheça mais sobre e ele

Publicado em: 14/04/2022

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

foto do sistema light frame com varias frestas e o sol passando por elas
O sistema é estruturado por perfis de aço conformados a frio, com revestimento metálico e fechamentos em chapas delgadas (Foto: kaninw/Shutterstock)

O Light Steel Frame (LSF) é considerado um sistema construtivo leve por ter menos do que 100 kg/m², pode ser montado em canteiro ou em fábrica e, potencialmente, gera uma obra mais ágil e mais limpa. “Por outro lado, os projetos precisam ser bem elaborados, para evitar tomadas de decisões no canteiro. Além disso, uma mão de obra capacitada e conhecedora do sistema é essencial para a garantia da qualidade e produtividade do LSF”, frisa Luciana Alves de Oliveira, doutora em engenharia civil e pesquisadora no Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT).

O sistema é estruturado por perfis de aço conformados a frio, com revestimento metálico e fechamentos em chapas delgadas, que podem formar paredes (vedação vertical externa ou interna), pisos e coberturas. A pesquisadora elenca os principais componentes usados:

  • O sistema é estruturado por perfis de aço conformados a frio, com revestimento metálico e fechamentos em chapas delgadas, que podem formar paredes (vedação vertical externa ou interna), pisos e coberturas. A pesquisadora elenca os principais componentes usados:  
  • perfis estruturais de aço conformados a frio (perfis de aço leve) com revestimento de zinco (proteção anticorrosiva), denominados de guias, montantes, cartola, travessas ou diagonais;
  • componentes de fechamento constituídos por chapas delgadas, como as cimentícias, réguas cimentícias (siding), OSB (Oriented Strand Board), chapas de compensado tratadas e de gesso para drywall, entre outros;
  • isolantes térmicos, como placas de lã de rocha ou lã de vidro, cuja condutividade térmica seja menor que 0,06W/mºC e resistência térmica ≥0,5m2K/W;
  • barreiras impermeáveis à água e permeáveis ao vapor d’água;
  • produtos para impermeabilização, na forma de mantas pré-fabricadas ou membranas líquidas moldadas no local;
  • sistemas de fixação formados por parafusos e chumbadores;
  • material usado na vedação das juntas entre as chapas (massa acrílica, perfil termoplástico etc). Essas juntas podem ser do tipo visível ou dissimulada;
  • revestimento ou acabamento, como réguas vinílicas ou metálicas (siding), pinturas e texturas, desde que compatíveis com os componentes de vedação.

“Cada uma das chapas de fechamento deve ser avaliada e utilizada considerando suas características, função e aplicação. Inclusive, suas normas ou regulamentos técnicos específicos”, esclarece. De forma geral, a informação sobre algumas dessas características é essencial, como resistência à flexão, resistência à umidade, variação dimensional por efeito de temperatura e umidade e absorção de água.

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Número de pavimentos

No Brasil, se o sistema LSF tiver função estrutural, geralmente as edificações são de até cinco pavimentos. Mas, se o sistema não tiver função estrutural, como as fachadas leves em steel frame, existem prédios sendo projetados com até 20 pavimentos.

Os critérios para uso estrutural são estabelecidos pela Diretriz SiNAT 003 – revisão 2. Já para aplicação em fachadas, basta consultar a Diretriz SiNAT 009 – revisão 01. A boa notícia é que o projeto de norma ABNT NBR 16936 – Edificações em light wood frame entrou em Consulta Nacional na ABNT.

Projeto detalhado

Dependendo das decisões de projeto, o Light Steel Frame tem potencial de permitir ganhos de vida útil (VUP) da edificação e de espaços interno. O desenvolvimento de projetos com sistemas tipo LSF necessita de cuidados especiais, em razão da diversidade de materiais e componentes empregados.

“Há, também, diversas interfaces entre elementos construtivos, como o uso de mantas de impermeabilização na base dos quadros estruturais e de barreiras impermeáveis à água na superfície das paredes em ambientes frequentemente úmidos, entre outros. A ausência de detalhes construtivos e especificações técnicas detalhadas e adequadas, bem como a falta de orientação na execução da obra, influenciam na qualidade das obras e no atendimento a VUP”, alerta Luciana Oliveira.

Por suas características, o LSF é um sistema que propicia redução no uso de mão de obra. A facilidade de montagem, seja em obra ou na fábrica, advém do sistema por acoplamento a seco. Ou seja, as fixações entre os perfis e chapas ocorrem basicamente por parafusos, cujos pontos de fixação são previamente marcados.

Cuidados no uso e manutenção

Para a pesquisadora, é importante observar que todo o sistema construtivo tem suas limitações e requer cuidados e manutenção adequada. Cabe à construtora fazer as recomendações aos usuários quanto aos procedimentos a serem adotados. “Até porque ainda não há conhecimento consolidado, no país, sobre o sistema”, ressalta.

“É preciso dar solução rápida aos vazamentos, evitando concentração de água próxima aos perfis metálicos. Na fase de reforma, a substituição de materiais deve ser feita em conformidade com o projeto e manual do proprietário. É o caso dos parafusos que, no caso do LSF, devem ter uma resistência a corrosão mínima. A fixação de peças suspensas exige análise da necessidade de reforços nas paredes, assim como atenção na junção de sistemas convencionais (alvenaria) e sistemas leves (LSF), nas obras de ampliação”, aponta.

Destaques:

Uma mão de obra capacitada e conhecedora do sistema é essencial para a garantia da qualidade e produtividade do LSF, Luciana Alves de Oliveira É preciso dar solução rápida aos vazamentos, evitando concentração de água próxima aos perfis metálicos, Luciana Alves de Oliveira 

Colaboração técnica

Luciana Alves de Oliveira – Formada em Engenharia Civil pelo Centro Universitário da FEI (1996). Mestre em Engenharia de Construção Civil pela EPUSP (2002). Estágio de doutorado no exterior na Université de Technologie de Compiègne - UTC, França (2007). Doutora em Engenharia de Construção Civil pela EPUSP (2009). Pesquisadora visitante na divisão de desenvolvimento sustentável do CSTB-Grenoble-França (2012). Pesquisadora no Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo - IPT (desde 2002). Coordenadora da disciplina de vedação verticais do mestrado profissional do IPT e professora do curso de gestão de projetos no curso de especialização do Poli-Integra. Atua principalmente nas áreas de Sistemas Construtivos, Fachadas pré-fabricadas, Diagnostico de Patologias, Avaliação de desempenho, Implementação da Qualidade, Gestão do Processo de Projeto, Reabilitação e Renovação de Edifícios, Sustentabilidade e durabilidade das construções.