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Sistemas de climatização do piso são eficientes e econômicos

Eles propiciam conforto térmico de melhor qualidade; ocupam menos espaço e ainda são silenciosos e saudáveis

Publicado em: 31/10/2013

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Climatização

Os sistemas de resfriamento e de aquecimento do piso, paredes e teto ganham espaço no mercado antes dominado pelo ar-condicionado. “As oportunidades mais vantajosas de emprego estão em regiões climáticas de grande amplitude térmica diária na estação de verão, utilizando o clima ameno noturno para proceder armazenamento térmico para a demanda diurna seguinte”, diz o engenheiro Francisco Dantas, diretor da empresa Planejamento Térmico Integrado e Consultoria. Ele cita pelo menos três shopping centers que adotaram a solução: o Salvador Norte Shopping, onde foram usadas vigas frias ativas, com economia de energia comprovada por medição de 39,5%; o RioMar Shopping Recife e a 5ª Expansão do Shopping Guararapes, ambos em Pernambuco, que empregaram vigas frias ativas e piso frio radiante.

“Os processos que utilizam a massa construtiva das edificações para contribuir na climatização dos ambientes consistem de tubulações embutidas, construídas em polietileno e de diâmetros variáveis entre 16 mm e 20 mm”, explica o engenheiro Francisco Dantas, diretor da empresa Planejamento Térmico Integrado e Consultoria. Segundo ele, através dessas tubulações há uma circulação forçada de água em circuito fechado, podendo constituir-se em sistemas de resfriamento, para as estações de verão e intermediárias; e de aquecimento, para a estação de inverno. “Totalizam uma espessura de 90 mm para embutir a rede hidráulica e acomodar as placas de tratamento isotérmico das superfícies ativas da edificação”, diz.

A temperatura da água nessas instalações varia entre 15°C ou 16°C para o resfriamento e chega a 35°C para o aquecimento. “Quando comparadas aos sistemas tradicionais, que empregam água a 6°C para resfriamento e a 50°C para aquecimento, apresentam eficiência energética 30% superior, em razão da otimização dos processos termodinâmicos de produção de energia térmica”, ressalta Dantas.

Custos

Quando comparadas aos sistemas tradicionais, que empregam água a 6°C para resfriamento e a 50°C para aquecimento, apresentam eficiência energética 30% superior, em razão da otimização dos processos termodinâmicos de produção de energia térmica

Esses sistemas de climatização têm custo de implantação equivalente, em média, ao dos tradicionais. “Isto porque há uma compensação pelo uso evitado de componentes dos sistemas tradicionais, que são substituídos pelo processo de climatização pelo piso”, diz Dantas, que continua: “Enquanto nos sistemas tradicionais todo o processo de climatização ocorre através da circulação de ar-resfriado ou aquecido nos ambientes climatizados, no processo que utiliza as superfícies construtivas da edificação, a circulação do ar resfriado ou aquecido se constitui apenas em complemento, reduzindo a potência e as dimensões do sistema de climatização por ar. Daí, a denominação de sistema água/ar”. O custo menor se estende à manutenção, que chega a ser, pelo menos, 40% inferior a dos sistemas tradicionais.

Vantagens

De acordo com o engenheiro, os sistemas de aquecimento e resfriamento de piso, parede e teto apresentam vantagens que transcendem os custos de implantação e manutenção. “Propiciam conforto térmico inquestionavelmente de melhor qualidade; ocupam menos espaço; são mais eficientes, silenciosos e saudáveis. Além disso, usufruem em escala bem superior aos sistemas tradicionais, das potencialidades do clima do local para proceder a climatização por processo natural nas estações de inverno, intermediárias (primavera e outono) e ainda, na estação quente/seca”, destaca.

Propiciam conforto térmico inquestionavelmente de melhor qualidade; ocupam menos espaço; são mais eficientes, silenciosos e saudáveis. Além disso, usufruem em escala bem superior aos sistemas tradicionais, das potencialidades do clima do local para proceder a climatização por processo natural nas estações de inverno, intermediárias (primavera e outono) e ainda, na estação quente/seca

Segundo ele, temperaturas de 15°C para a água de resfriamento podem ser obtidas nas estações de inverno e intermediárias, por processo natural – fato que raramente ocorre em relação aos sistemas tradicionais que utilizam a água a 6°C. “O mesmo pode ser afirmado em relação à temperatura de 35°C para o processo de calefação no inverno, que pode ser obtida por coletores solares ou por processo invertido de refrigeração através do emprego de bombas de calor – esta última solução consome uma unidade de energia elétrica para cada cinco unidades de energia térmica produzida”, afirma, acrescentando que os sistemas de aquecimento por combustão de gás (boilers ou aquecedores de passagem) produzem menos de uma unidade de energia térmica para cada unidade de energia (química) contida no combustível.

Temperaturas

No ciclo operacional de resfriamento, a temperatura do piso, paredes e teto varia entre 19°C e 21°C, enquanto no ciclo operacional de aquecimento a temperatura varia entre 27°C e 29°C. “Ou seja, operam com temperaturas moderadas, muito próximas das temperaturas operativas de conforto térmico que vai de 20 a 22°C no inverno, e 22 a 24°C no verão. Essa faixa de temperaturas evita o risco de assimetria térmica radiante, ou seja, lajes e paredes excessivamente frias no inverno e excessivamente quentes no verão, comum às edificações que não recebem adequado tratamento isotérmico das envoltórias”, ensina.

Colaborou para esta matéria

Francisco Dantas – Engenheiro Mecânico pela Universidade Federal de Pernambuco, Membro da ASHRAE, Membro do Conselho Editorial da Revista Climatização & Refrigeração – NT Editorial, sócio-fundador da ANPRAC (Associação Nacional dos Profissionais de Refrigeração e Ar-condicionado), ex-professor do curso de Refrigeração e Ar-condicionado do atual IFPE, sócio-fundador, diretor e responsável técnico pela INTERPLAN – Planejamento Térmico Integrado e Consultoria Ltda, autor de vários artigos publicados em mídia escrita nacional sobre Eficiência Energética, Conservação de Energia e Uso Racional de Energia em edificações e autor de vários projetos com Uso Integrado de Energia, Cogeração e Reuso de Energia em edificações comerciais e industriais. Proferiu várias palestras sobre conservação e uso racional de energia e redução de impactos ao meio ambiente em decorrência de geração e uso de energia. Visitou no exterior edifícios carbono zero com 100% da energia gerados no local a partir de fontes renováveis, incluindo ar-condicionado solar, energia elétrica fotovoltaica e eólica, energia geotérmica e uso de iluminação natural para toda a edificação.