Sistemas industrializados viabilizam a construção de hospitais em tempo recorde

Pré-fabricados e projetos bem compatibilizados são chaves para a construção rápida de hospitais permanentes

Publicado em: 19/08/2020Atualizado em: 15/12/2022

Texto: Juliana Nakamura

hospitais modulares
As edificações emergenciais são normalmente construídas com perfis metálicos e coberturas tensionadas (foto: Tecverde)

A pandemia de Covid-19 colocou ênfase sobre os hospitais, em especial, sobre a necessidade de se viabilizar a construção dessas instalações em curto tempo. Nas redes sociais, muitos vídeos em timelapse circularam mostrando a capacidade dos chineses de construir hospitais em velocidade recorde. Com 1600 leitos, o Huoshenshan, por exemplo, foi erguido em apenas dez dias na cidade de Wuhan graças a módulos habitacionais metálicos pré-fabricados revestidos com poliestireno expandido e intensa mecanização do canteiro.

No Brasil, onde a construção civil é conhecida por seu apego às soluções construtivas artesanais, a pandemia também impulsionou novos modos de fazer. Não falamos apenas de hospitais de campanha, que são estruturas temporárias, mas de edificações permanentes que ficarão de legado para a população.

CONSTRUÇÃO INDUSTRIALIZADA

Especializada em construção off-site, a Brasil ao Cubo construiu cinco hospitais em quatro regiões diferentes do país em apenas 115 dias. Para isso, a construtech se apoiou em módulos produzidos em sua fábrica com chassis de aço, transportados por carretas-prancha para montagem no canteiro.

Entre as unidades entregues, destaca-se a expansão do hospital M'boi Mirim, em São Paulo, com cem leitos. Projetada em BIM (Building Information Modeling), a instalação com 1.350 m² foi construída em 33 dias com painéis de parede de OSB, acessibilidade completa e materiais de acabamento para atender a RDC 50, resolução que trata de normas hospitalares de acordo com a vigilância sanitária. Os módulos chegam ao canteiro com kits hidráulicos, tubulação para passagem de gases, caixilhos e revestimentos instalados.

Também tirando proveito da pré-fabricação, a Quick House executou sete unidades hospitalares especializadas em hemodiálise no Maranhão, além do Hospital Modular de Nova Iguaçu, na baixada fluminense, com 12.800 m² de área. O prazo de execução de cada unidade de hemodiálise com 900 m² foi, em média, de 30 dias. Já o hospital de Nova Iguaçu foi concluído em 60 dias.

hospitais modulares
As construções rápidas carecem de planejamento logístico e de suprimentos rigorosos (foto: Tecverde)

PRÉ-ENGENHARIA

Projetos modulares, soluções industrializadas e mão de obra altamente produtiva são pontos em comum nos diferentes hospitais construídos no Brasil de modo rápido. Outro aspecto convergente é a pré-construção, que consiste no desenvolvimento das melhores soluções de engenharia e projeto para minimizar riscos, e no uso de planejamentos rigorosos, tanto de logística, quanto de suprimentos.

No caso do Quick House, a solução construtiva é composta por painéis de parede que saem montados da fábrica, produzidos com chapas de aço galvanizado a partir de módulos perfilados. Indicado para edificações com até cinco pavimentos, o sistema é leve, viabilizando a execução de fundações diretas, tipo radier. O contraventamento se dá pelo próprio painel de parede. “A velocidade de montagem no canteiro vai variar em função do número e tamanho das equipes. Mas, como referência, podemos afirmar que cinco operários montam uma casa popular por dia”, comenta o responsável técnico da Quick House, Roberto Antonio Becker.

HOSPITAL DE CAMPANHA X CONSTRUÇÃO RÁPIDA

O engenheiro Hideo Oki, diretor comercial da MPD Engenharia, explica que hospitais construídos de modo definitivo são muito diferentes dos de campanha. Por serem equipamentos provisórios, esses últimos precisam apenas oferecer condições mínimas para atendimento emergencial, como leitos, um ambiente coberto, instalações elétricas e hidráulicas suficientes apenas para ligação de equipamentos de sobrevivência. De modo geral, essas edificações emergenciais são construídas com perfis metálicos e coberturas tensionadas.

Já os hospitais definitivos precisam obedecer às normas e parâmetros das agências de controle, além de legislações federais, estaduais e municipais. “Um hospital definitivo deve prever rede para abastecimento de gases medicinais, ambientes controlados para doenças infecciosas, locais blindados para raios-X, ressonância e ultrassom, pisos condutivos para salas de cirurgia, entre outras instalações especiais”, cita Oki. Ele ressalta que “o domínio de métodos construtivos atualizados, assim como materiais e equipamentos conformes, são fundamentais para garantir obras hospitalares com eficiência e confiabilidade”.

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AECweb · #034 Podcast técnico: Hospitais de campanha

Colaboração técnica

Hideo Oki Formado em engenharia elétrica, é diretor comercial da MPD Engenharia.
Roberto Antonio Becker – Arquiteto e urbanista, é responsável técnico da Quick House