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Sistemas pneumáticos facilitam coleta seletiva de lixo

Já consolidada na Europa, a coleta de resíduos a vácuo reduz odores e emissões de CO2, tem mais durabilidade e flexibilidade

Publicado em: 31/03/2016

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket


O sistema encaminha os resíduos através de tubulação subterrânea (serato/shutterstock.com)

Os sistemas pneumáticos de coleta de lixo podem atender de pequenos edifícios residenciais com quatro pavimentos até cerca de 30% de toda a população de uma cidade.

A solução, basicamente, encaminha os resíduos para centros de tratamento através de tubulação subterrânea, reduzindo, assim, a necessidade de transporte via caminhões.

Ainda incipiente no Brasil, a tecnologia já se faz presente em países como Estados Unidos, Canadá, Suécia e Inglaterra. “No território nacional existem, atualmente, duas instalações em construção pelo setor privado. Uma no hospital Sírio Libanês, localizado no centro da cidade de São Paulo, e outra no empreendimento Parque da Cidade, na Zona Sul da capital paulista”, afirma o engenheiro Fábio Colella, diretor Geral da Envac Brasil, empresa responsável por levar o sistema para diferentes partes do mundo. Cerca de 70% dos componentes do sistema, porém, podem ser comprados no mercado nacional – apenas o restante é importado.

VANTAGENS

Dependendo da região do planeta, a tecnologia dos sistemas pneumáticos de coleta de lixo recebe outros nomes. Entre as denominações existentes, estão: coleta de lixo a vácuo, coleta subterrânea, coleta automática de resíduos ou coleta pneumática. Apesar das variadas nomenclaturas, o sistema é o mesmo e apresenta uma série de vantagens.

“Essa é, talvez, a única alternativa que realmente leva a coleta seletiva à porta de seu usuário. Isso quer dizer que o esforço realizado ao separar os diferentes resíduos na origem vai perdurar até que os materiais cheguem ao respectivo local de tratamento”, diz Colella.

O sistema pneumático permite que sejam criados pontos específicos para coleta do lixo reciclável, possibilitando que o descarte aconteça a qualquer momento. Os benefícios vão além, com destaque para a melhoria do sistema de gestão de resíduos sólidos; redução considerável das emissões, especialmente de CO2; menos odores; e maior flexibilidade e durabilidade. Por outro lado, a principal desvantagem é o alto grau de intervenção necessário para a instalação da tubulação. Se, por exemplo, a solução for atender uma zona urbana já consolidada, os custos e a logística de implantação acabam elevando bastante o investimento necessário.

A quantidade de tipos diferentes de resíduos que serão coletados é determinada pelo cliente
Fábio Colella

COMO FUNCIONA

A instalação dos sistemas pneumáticos de coleta de lixo é realizada por mão de obra especializada e indicada pelo fornecedor da tecnologia. Quando em pleno funcionamento, os usuários precisam apenas depositar seus sacos de lixo nos postos de descarte localizados em áreas públicas e/ou privadas, dependendo da área em que o sistema foi implantado.

“A quantidade de tipos diferentes de resíduos que serão coletados é determinada pelo cliente”, informa o engenheiro. Após ser depositado no sistema, o material fica armazenado por um curto período de tempo sobre válvulas especialmente projetadas para gerenciar o lixo. Em determinado momento, conforme a programação da coleta diária, o sistema supervisório de controle inicia a exaustão do ar no interior das tubulações. Com isso, é criado o fluxo de ar necessário para o transporte dos resíduos até seu respectivo terminal.

“O ar de transporte é extremamente rápido, podendo atingir velocidades entre 60 e 80 km/h”, ressalta Colella. Assim que o fluxo de ar atinge os níveis necessários, as válvulas de cada um dos pontos de depósito são abertas para permitir a passagem dos resíduos.

Nos sistemas pneumáticos de coleta de lixo, apenas um tipo de lixo é recolhido durante determinado período de tempo, por isso não há risco de contaminação cruzada dos diferentes resíduos durante o processo de sucção entre a válvula e o terminal.

No final do caminho, equipamentos isolam o material do fluxo de ar utilizado em seu transporte. Após essa separação, o ar segue para o sistema de filtros antes de ser devolvido à atmosfera. “Os resíduos, dependendo da configuração desejada, são compactados em contêineres de 20 a 30 m³, devidamente separados conforme indicação dos usuários”, complementa.

Quando comparada às alternativas convencionais, a periodicidade é bem inferior nos sistemas pneumáticos de coleta
Fábio Colella

Quando os contêineres atingem a capacidade máxima, são coletados por caminhões roll on-off e cada um é destinado aos seus respectivos pontos de tratamento, como: centros de triagem/reciclagem, processos de compostagem, plantas de recuperação energética, incineração e deposição em aterros, entre outras soluções. “Dada a capacidade do sistema em separar os materiais coletados conforme o descarte realizado pelo usuário, a destinação dos resíduos para locais diferentes é completamente possível. Em geral, o grau de qualidade dos materiais coletados atende ou supera as exigências dos centros de tratamento”, destaca o profissional.

MANUTENÇÃO

Como acontece com qualquer conjunto mecânico, a solução dos sistemas pneumáticos de coleta de lixo precisa de constante manutenção para garantir seu correto funcionamento por um longo período. Para essa atividade, devem ser previstos programas de manutenções preventiva, preditiva e, quando necessário, corretiva. “A frequência do trabalho vai depender do tipo e tamanho do maquinário. Quando comparada às alternativas convencionais, a periodicidade é bem inferior nos sistemas pneumáticos de coleta”, finaliza Colella.

Colaboração técnica

Fábio Colella – Engenheiro Químico com pós-graduação em Administração Industrial. Atualmente, é diretor geral da Envac Brasil, empresa que iniciou suas operações no Brasil em setembro 2009. Atua na área de meio ambiente desde 1988.