Solo grampeado garante agilidade, segurança e economia a obras

Indicada para a execução de estradas, túneis e remediações de deslizamento, a técnica de contenção ou reforço de taludes deve ser executada por engenheiros experientes

Publicado em: 05/06/2017Atualizado em: 31/03/2023

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Solo grampeado é uma técnica de contenção ou reforço de taludes que consiste, basicamente, no uso de elementos chumbadores enterrados. O método se faz presente na execução de estradas, túneis, remediações de deslizamento, entre outras obras. “O sistema aumenta a coesão do conjunto solo-reforço, criando uma massa de terreno estabilizado que funciona de modo semelhante ao muro de gravidade”, explica o engenheiro Roberto Kochen, diretor Técnico da GeoCompany, empresa especializada em obras subterrâneas.

A solução surgiu em meados do século XX na Europa, sendo que a primeira construção documentada foi um talude ferroviário próximo à cidade de Versalhes, na França, em 1972. Já no Brasil, a técnica começou a se popularizar na década seguinte. Foi empregada, por exemplo, nas obras da rodovia Imigrantes, em São Paulo. “A opção de contenção oferece segurança e economia. No entanto, para assegurar seus benefícios, precisa ser projetada, executada e supervisionada por engenheiros qualificados e experientes”, comenta o especialista.

solo-grampeado
O solo grampeado recebe chumbadores e revestimento em concreto projetado (mrfotos/ Shutterstock.com)

ESPECIFICAÇÃO

Em obras em que se mostra necessária a contenção de taludes de corte ou em solos coesivos e acima do lençol freático, o solo grampeado é alternativa interessante. “Por outro lado, o método não é indicado se o terreno for arenoso ou pouco coesivo. Quando o nível d’água está elevado, acima do pé da contenção, a técnica também deve ser evitada”, destaca o engenheiro.

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Antes de projetar o solo grampeado, é preciso realizar diferentes análises através de sondagens e topografia de precisão. São necessários, também, ensaios de resistência dos solos envolvidos (triaxiais e cisalhamento direto) e da argamassa de injeção dos grampos. É essencial calcular com cuidado a dimensão das aberturas que receberão os chumbadores, pois qualquer equívoco poderá comprometer a estabilidade de todo o terreno.

DRENAGEM

O projetista deve ficar atento aos elementos de drenagem, que normalmente são instalados sob a face da parede que recebe o concreto projetado. Mangueiras plásticas são materiais bastante utilizados para funcionar como dreno em solos grampeados. Esses elementos captam o fluxo d’água e são instalados do topo para baixo, seguindo o processo de execução da contenção.

“O projeto do solo grampeado é, obrigatoriamente, elaborado e acompanhado por escritório especializado em geotecnia. A execução caberá à empresa com experiência nessa técnica, o que vai assegurar maior eficácia na supervisão dos serviços e garantia da qualidade”, recomenda Kochen.

EXECUÇÃO

O processo executivo do solo grampeado começa com a escavação, realizada em trechos horizontais intercalados e com profundidade de cerca de 1,5 m. Pode ser feito o pré-jateamento de concreto nos locais das aberturas que receberão os chumbadores. O procedimento proporciona uma proteção provisória contra erosões.

O sistema aumenta a coesão do conjunto solo-reforço, criando uma massa de terreno estabilizado que funciona de modo semelhante ao muro de gravidade
Roberto Kochen

Para os chumbadores, são normalmente empregadas barras metálicas com diâmetro variando entre 14 e 50 mm. É recomendável que esses materiais recebam algum tipo de proteção contra corrosão antes de serem efetivamente enterrados. Com os chumbadores preparados, acontece a perfuração e, posteriormente, a colocação das barras metálicas. Na sequência, as aberturas são preenchidas com concreto.

Por fim, é realizada uma reinjeção de concreto para preencher todos os vazios e garantir a aderência entre solo e grampo. “Essa etapa é muito importante para assegurar a carga de trabalho de cada grampo, porém ela nem sempre é realizada. A falta de reinjeção acaba sendo bastante prejudicial para a eficácia da contenção e sua estabilidade”, destaca o engenheiro.

Depois de os chumbadores estarem devidamente enterrados e concretados, a face do terreno recebe o revestimento final, executado com concreto projetado. “Toda a sequência é repetida até a altura total da contenção”, complementa Kochen.

O projeto do solo grampeado é, obrigatoriamente, elaborado e acompanhado por escritório especializado em geotecnia
Roberto Kochen

VANTAGENS E DESVANTAGENS

As principais vantagens proporcionadas pela técnica de solo grampeado são rapidez na execução e economia financeira. “Quando tecnicamente viável, a solução permite uma vantajosa redução de custos, em comparação com o investimento necessário para outros métodos, como as cortinas atirantadas”, compara o especialista.

O procedimento tem sua desvantagem na elevada dependência da qualidade construtiva, para assegurar a aderência entre grampos e solo. Se o projeto e a execução do solo grampeado não forem realizados por profissionais capacitados, fica difícil garantir a estabilidade da contenção.

QUALIDADE

A ABNT ainda não conta com normas técnicas específicas para os solos grampeados. “No Brasil, as normalizações existentes são inadequadas para supervisão do projeto e construção de contenções grampeadas”, afirma o engenheiro.

Solo grampeado verde 

É possível substituir o concreto projetado da face de contenção por outro tipo de revestimento, como a cobertura vegetal. Quando utilizada grama ou algum outro material similar, a solução é denominada solo grampeado verde.


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Colaboração técnica

Roberto Kochen – É Engenheiro Civil, Mestre e Doutor em Engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). Foi Post Doctoral Fellow da Universidade de Toronto (Canadá) no período de 1991 a 1992. É professor do departamento de Engenharia de Estruturas e Fundações da Poli-USP. Atua como consultor em geotecnia, túneis, fundações e meio ambiente. É membro da diretoria Nacional do Sindicato Nacional de Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco). Ocupa o cargo de diretor técnico da empresa GeoCompany.