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Soluções para banheiros públicos: de instalações hidráulicas a acessórios

Para assegurar conforto aos usuários, os projetos de banheiros públicos devem prever o fluxo de pessoas e considerar desde o revestimento para piso e metais sanitários até suporte para bolsas e objetos

Publicado em: 21/11/2012Atualizado em: 30/10/2023

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Redação AECweb / e-Construmarket

O projeto de banheiros públicos parte da verificação do fluxo de usuários para o dimensionamento do ambiente e equipamentos a serem instalados. “Nas áreas comuns de um hotel, por exemplo, para cada 50 suítes devem ser previstos, pelo menos, seis banheiros”, diz o arquiteto Antonio Ferreira Júnior, que já projetou sanitários para academias, hotéis, livrarias, lojas e, agora, para a sala vip do aeroporto de Jundiaí. Segundo ele, o cálculo vale para outros tipos de empreendimento, como shopping centers, sempre considerando o movimento de pessoas em cada piso.

No caso dos estádios de futebol, o uso é mais intenso nos 15 minutos de intervalo do jogo, de acordo com o arquiteto Eduardo de Castro Mello, especialista no assunto e que assina a reforma do Estádio Nacional de Brasília. “Considera-se que 60% do público são homens e 40% mulheres. Há uma regrinha indicando que deve ser destinado um vaso sanitário para cada 100 mulheres e, para os homens, um para cada 200 mais um mictório para cada 100 homens”, explica o arquiteto.

Cuidados

A especificação para banheiros públicos, segundo Ferreira Júnior, deve se orientar pelo melhor custo-benefício: paga-se um pouco mais caro pela louça e metais sanitários, que trarão baixa manutenção. “É preciso conhecer a parte hidráulica desses itens, tanto a visível quanto a que está nos bastidores, dentro da parede, como roscas e conexões. As boas marcas, apesar do preço um pouco mais alto, vão assegurar melhor desempenho e pouca manutenção”, ensina, chamando a atenção para um item fundamental que é a descarga. “Essas válvulas geralmente dão muitos problemas, por isso, fica a sugestão para a indústria rever e aprimorar sua engenharia”, alerta.

É regra geral que os fornecedores garantam o bom funcionamento de todos os equipamentos que compõem o banheiro público, que deve ter manutenção boa e constante, com fiscalização qualificada feita por funcionários do empreendimento.

LouÇas e metais

De acordo com Ferreira Júnior, a louça sanitária deve ser necessariamente branca, por seu caráter mais higiênico, sempre dotada de descarga dual flux que chega a economizar até 40% de água. O arquiteto recomenda que as bancadas dos lavatórios e o piso sejam construídos em granito, que mancha menos do que o mármore e tem fácil manutenção. “Quanto às cores, opto pelos tons de cinza que, ao contrário do preto, garantem um aspecto mais limpo”, diz.

Entre as torneiras de pulsar e as acionadas por sensor, o arquiteto prefere a primeira, e defende: “O usuário fica procurando a posição de leitura do sensor, que nem sempre funciona. Por isso recomendo a de pulsar, é fácil de operar e econômica. A solução ideal, mesmo, é a torneira acionada por pedal, até por questão de higiene. Porém, não há fabricação no Brasil”, lamenta.

Conforto

Ferreira Júnior lembra que é preciso garantir acessibilidade a banheiros públicos com a instalação de, pelo menos, um sanitário adaptado para cadeirantes. “Seguimos a norma técnica que estabelece uma série de providências, desde a área mínima para manobras e largura da porta até a altura da pia, uso de vaso especial e apoiadores”, explica.

Reclamação recorrente, principalmente das mulheres, é o fato de que nem todo banheiro público oferece suporte ou cabide para bolsas. “É uma incoerência projetar um local de ótima qualidade e deixar de lado detalhes como esse que oferece conforto ao usuário. Proponho sempre esse tipo de acessório também para a área masculina, com instalação diante do mictório de pequena prateleira, em geral de mármore, para apoiar objetos. Além disso, é importante prever divisões entre os mictórios para preservar a privacidade”, recomenda.

IluminaÇÃo

São vários os cuidados com a iluminação do ambiente. O banheiro feminino deve receber uma luz mais técnica, situada acima dos espelhos, para que elas possam retocar a maquiagem.

AcessÓrios

Quando a escolha do sistema para secagem das mãos passa pelo critério do mais sustentável, o melhor é adotar toalhas de papel ou de tecido de rolar no dispenser. “O secador de mão com ar quente, apesar de bastante higiênico, consome energia. Soma-se a isso o fato de que os equipamentos disponíveis no nosso mercado não apresentam a mesma eficiência dos que existem no exterior, com ar quente muito mais forte, que seca a mão rapidamente”, comenta Ferreira Júnior. Entre as novidades que o arquiteto destaca está o sistema eletrônico que troca automaticamente a proteção plástica do assento do vaso sanitário. “Existem soluções verdadeiramente high tech e luxuosas em vasos sanitários. As bancadas em silestone, com cores maravilhosas, e os metais sofisticados, são exemplos. Porém, seus preços elevados não se aplicam a banheiros públicos em geral”, diz.


COLABOROU PARA ESTA MATÉRIA

Antonio Ferreria Junior – Arquiteto formado em 1989, em Mogi das Cruzes, iniciou sua carreira na cidade de São Paulo, onde desenvolvia projetos para diversos clientes. No inicio da década de 90, ao gerenciar a execução de diversas lojas no Shopping West Plaza, associou-se a Mario Celso Bernardes, arquiteto, formado em 1977, no Rio de Janeiro. Mario trabalhou em São Paulo, com o arquiteto e cenógrafo Renato Scripiliti que, ao se aposentar em meados dos anos 80, lhe repassou sua carteira de clientes.