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Telha autoportante: o que é e como utilizar

O material se destaca por sua característica de sustentação própria, dispensando o uso de elementos de suporte usuais em outros sistemas de cobertura

Publicado em: 18/07/2023Atualizado em: 26/09/2023

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

foto de uma pessoa segurando uma espátula e uma tabua com argamassa líquida em cima
(Foto: gan chaonan/Shutterstock)

As telhas autoportantes são fabricadas com aço galvanizado, podendo ainda ser pintadas. Possuem um formato especial que lhes confere resistência e capacidade de suportar o peso sem a necessidade de estruturas de apoio adicionais. Ou seja, sua principal característica é a capacidade de sustentação própria.

De acordo com Fábio Luis De Gerone, diretor da Santo André, fabricante do material, elas são projetadas de forma a serem estruturalmente estáveis, o que significa que podem ser instaladas diretamente sobre a estrutura da cobertura, dispensando o uso de terças, ripas ou outros elementos de suporte comuns em sistemas de cobertura convencional.

Entre as principais vantagens apontadas pelo especialista estão:

  • Resistência e durabilidade
  • Leveza e praticidade
  • Facilidade de instalação
  • Durabilidade e baixa manutenção

Resistência

São fabricadas com materiais de alta qualidade, que conferem resistência e durabilidade à cobertura. Elas são capazes de suportar cargas, impactos e condições climáticas adversas, além de serem resistentes à corrosão.

Leveza e praticidade

São mais leves em comparação a outros materiais, como telhas de cerâmica ou concreto. Isso facilita o transporte, a manipulação e a instalação, tornando o processo mais rápido e eficiente. Além disso, a leveza das telhas reduz a carga sobre a estrutura do telhado.

Facilidade de instalação

São projetadas para serem instaladas de maneira simples e rápida. Como são autoportantes, não exigem o uso de terças, ripas ou estruturas de suporte adicionais, simplificando o processo de instalação e reduzindo os custos associados.

Durabilidade e baixa manutenção

Devido aos materiais utilizados na sua fabricação, elas apresentam excelente resistência ao desgaste, à corrosão e aos danos causados por fatores climáticos. Isso resulta em vida útil prolongada e requer menos manutenção, o que pode representar economia de custos em longo prazo.

Em geral, as telhas autoportantes são projetadas para serem duráveis e possuem uma vida útil longa”, assegura. Há, no entanto, alguns fatores que devem ser observados, como a qualidade da instalação. “Se feita de acordo com a orientação do fabricante e utilizando os fixadores corretos, contribuirá para a estabilidade e resistência da cobertura.”

É preciso, também, escolher um tipo de telha adequado às condições climáticas do local da obra. “Regiões com exposição à poluição podem causar maior desgaste à telha, ao longo do tempo”, frisa.

Além disso, a realização de manutenção regular é fundamental. Limpezas periódicas, inspeções para identificar e reparar danos ou problemas precocemente e a remoção de acúmulo de detritos ou folhas ajudam a prolongar a vida útil da cobertura.

Desvantagens das telhas autoportantes

Como todo elemento construtivo, as telhas autoportantes apresentam possíveis desvantagens:

  • Custo inicial
  • Sons de chuva
  • Condensação

Custo inicial

Em comparação a outros materiais de cobertura, como telhas de cerâmica ou concreto, as telhas autoportantes podem ter um custo inicial mais alto. Isso se deve aos materiais utilizados na fabricação e à tecnologia envolvida na produção das telhas.

Sons de chuva

Devido à natureza metálica das telhas autoportantes, elas podem produzir um som mais alto quando chove, em comparação com outros materiais de cobertura.

Condensação

Em algumas situações, as telhas autoportantes podem contribuir para a formação de condensação no interior da cobertura, devido às diferenças de temperatura e umidade entre o interior e o exterior da construção. É importante adotar medidas adequadas de isolamento e ventilação para minimizar esse problema.

“Ressalto que essas desvantagens podem variar dependendo do tipo de telha autoportante, das condições locais e das especificações do fabricante”, comenta Gerone. Ao considerar o uso dessas telhas, é recomendado avaliar cuidadosamente as características do material em relação às necessidades e requisitos específicos do projeto.

Em quais obras usar

São vários os tipos de obras que podem utilizar as telhas autoportantes. “Em galpões e armazéns, os grandes vãos livres exigem cobertura robusta, o que pode ser alcançado com o uso desse material”, diz, lembrando que o mesmo ocorre com as instalações esportivas e os edifícios industriais.

Os benefícios se estendem a projetos de estabelecimentos comerciais, revelando-se como cobertura resistente, de fácil instalação e manutenção. Em instalações agrícolas, são capazes de suportar as demandas específicas desses ambientes. “As telhas autoportantes são frequentemente empregadas em coberturas residenciais, tanto em casas térreas quanto em edifícios verticais.

Como especificar

Há uma espessura ideal de telhas autoportantes para cada projeto. “A espessura é determinada a partir do comprimento entre apoios, quantidade de apoios, ventos predominantes e local da obra”, ensina Gerone.

Cada fabricante normalmente calcula a resistência de sobrecarga admissível, com dois, três ou mais apoios. Geralmente, as empresas apresentam ao engenheiro uma tabela referencial com diferentes espessuras, que serve de base para ele decidir qual espessura utilizar.

Conforto térmico e acústico

Segundo Gerone, é possível providenciar conforto térmico aos ambientes cobertos por telhas autoportantes, adotando determinados materiais e técnicas. Seguem alguns exemplos:

Isolamento térmico – a aplicação de materiais isolantes na parte inferior das telhas autoportantes, ou mesmo a execução de um “sanduiche” com duas telhas ajudará a reduzir a transferência de calor para o interior do ambiente. Entre eles, estão lã de rocha, lã de vidro, poliestireno expandido (EPS) ou poliuretano (PU), materiais que podem ser utilizados para fornecer uma camada de isolamento adicional.

Ventilação adequada – um sistema de ventilação eficiente no telhado contribui para o conforto térmico. A ventilação adequada permite a circulação de ar entre a cobertura e o ambiente interno, ajudando a dissipar o calor acumulado e a reduzir a temperatura.

Pintura reflexiva – utilizar tintas reflexivas na superfície das telhas autoportantes pode ajudar a refletir a radiação solar e reduzir a absorção de calor. Tintas com propriedades refletivas estão disponíveis no mercado, devendo ser aplicadas nas telhas de acordo com as recomendações do fabricante.

De acordo com o especialista, é fundamental combinar diferentes técnicas e materiais, de acordo com as características específicas do projeto e as condições climáticas locais. “Recomendo consultar um profissional qualificado, como um arquiteto ou engenheiro, para determinar as melhores opções de isolamento térmico para as telhas autoportantes em seu contexto específico”, diz.

Colaboração técnica

Fábio Luis de Gerone – Administrador de Empresas pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), pós-graduando em Administração de Empresas com especialização em Marketing, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Tem mais de 30 anos de experiência e atua como diretor da Santo André Distribuidora Industrial. Foi coordenador da produção das normas de telhas ABNT NBR 14.513 e NBR 14.514 e da norma de telhadistas ABNT NBR 16.366. Foi diretor de Desenvolvimento de Mercado de Coberturas Metálicas na Associação Brasileira da Construção Metálica (ABCEM), em duas gestões, onde ocupa a vice-presidência de Light Steel Frame.