Terraplenagem em espaços reduzidos interfere na segurança e produtividade

Obras em locais estreitos e confinados exigem equipamentos compactos e apresentam maiores riscos de colisões e intoxicação por gases

Publicado em: 24/10/2016

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

A terraplenagem é um serviço necessário em todo o tipo de obra da construção civil feita no solo. A atividade consiste em adequar o terreno conforme as necessidades ditadas pela implantação que será realizada, executada por meio da remoção do excesso de terra do local e da conformação da topografia, entre outras operações.

O serviço de terraplenagem é dividido em quatro etapas: escavação, carregamento, espalhamento e transporte do excesso de terra. Para execução de cada uma delas, empregam-se equipamentos específicos, lembrando-se que as condições do terreno interferem na especificação do maquinário. “O local de execução e porte da obra, assim como a produção pretendida, devem ser considerados no momento de escolher os caminhões e demais equipamentos”, observa o engenheiro civil José Antonio Spinassé, diretor da Satélite Terraplenagem.

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Máquina realizando escavação, uma das etapas da terraplenagem (JCVStock/ Shutterstock.com)

A logística de uso dos equipamentos deve funcionar de acordo com o plano de execução de etapas estabelecido para a obra. “Há serviços que só entram na fase final, quando ocorre o acabamento”, diz o engenheiro, referindo-se ao uso, por exemplo, da motoniveladora.

RISCOS DO ESPAÇO REDUZIDO

Em espaços reduzidos, confinados, estreitos e com interferências laterais, a execução da terraplenagem encontra desafios quanto à segurança das pessoas envolvidas, como profissionais da obra, moradores e frequentadores da edificação (se em uso), transeuntes, entre outros. “A falta de espaço aumenta os riscos de colisões e intoxicações por gases de escape”, relata Leandro Rodrigues dos Santos, sócio-administrador da Umarizal Terraplenagem.

A falta de espaço aumenta os riscos de colisões e intoxicações por gases de escape
Leandro Rodrigues dos Santos

“No caso do uso de escavadeiras hidráulicas, o giro é fator de risco, tanto na traseira como também na lança. As escavações estão passíveis a deslizamentos laterais e, em compactação de aterros, as vibrações podem trincar os entornos”, completa Spinassé.

A definição do porte e da quantidade de equipamentos é feita com base no espaço disponível, no volume de terra a ser movimentado e no prazo a ser cumprido. Por exigir máquinas mais compactas, a terraplenagem em espaços reduzidos poder minimizar a produtividade da obra.

“Os caminhões são sempre do tipo basculante com tração 6x4 e caçambas de 10m³, que estão dentro do que a lei permite trafegar. Já com relação às máquinas, geralmente são utilizadas minicarregadeiras de pneus e, quando o solo é muito duro, miniescavadeiras para desagregar o material”, aponta Santos.

LOCAÇÃO X TERCEIRIZAÇÃO

Muitas construtoras preferem locar os equipamentos de terraplenagem e executar a atividade por conta própria em vez de contratar uma empresa especializada e terceirizar o serviço. Segundo Santos, essa segunda opção é mais viável quando a execução deve ser rápida, sem pausas previstas.

O local de execução e porte da obra, assim como a produção pretendida, devem ser considerados no momento de escolher os caminhões e demais equipamentos
José Antonio Spinassé

Já a locação é interessante quando o cliente não tem um plano de execução em curto prazo ou não tem um projeto definido. “Ele pode alugar um equipamento mensalmente, com preço reduzido, optando por contratar um operador e por se responsabilizar pelo abastecimento, economizando nos dias em que o equipamento fica parado ou trabalha pouco”, explica o sócio da Umarizal Terraplenagem.

Empresas encarregadas pela execução da terraplenagem só podem começar as obras com as licenças e os alvarás de construção, além do memorial executivo. Clientes que efetivarem a locação dos equipamentos devem se responsabilizar pelo atendimento às normas.

Uma orientação básica é locar os equipamentos apenas quando a área estiver desimpedida e os projetos aprovados, para que não existam motivos de paralisações ou despesas antecipadas. “Máquina parada pode representar prejuízo, além de mobilizações e desmobilizações desnecessárias”, constata Santos.

Colaboração técnica

 
José Antonio Spinassé – Engenheiro civil e diretor da Satélite Terraplenagem desde 1975.
Leandro Rodrigues dos Santos – Sócio-administrador da Umarizal Terraplenagem e Locações e criador dos portais Guia da Obra e Terraplenagem Net.