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Terraplenagem exige estudos prévios e maquinário especializado

Procedimento deve ser precedido de elaboração de projeto técnico, que contempla, entre outras informações, dados sobre as particularidades do terreno que receberá a obra

Publicado em: 30/10/2019Atualizado em: 31/01/2024

Texto: Vinícius Veloso

projetos de terraplenagem
Para garantir a qualidade do serviço, é necessário executar a terraplenagem conforme o projeto (foto: Maksim Safaniuk/shutterstock)

O processo de terraplenagem consiste em nivelar a área que receberá determinada construção, com base nos dados previstos em projeto. A atividade é realizada por meio da retirada ou colocação de solo, dependendo da situação. Em alguns casos, por exemplo, pode ser necessário o aterramento de depressões, a realização de cortes ou a movimentação do excesso de materiais.

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A preparação do trabalho começa no planejamento, que tem entre suas etapas a análise das características do solo. “Existem diversas condições do terreno para avaliação quando da elaboração de um bom projeto de terraplenagem e, consequentemente, sua execução”, afirma o engenheiro Ilan Gotlieb, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Projeto e Consultoria em Engenharia Geotécnica (ABEG).

De acordo com o especialista, a investigação inicial está relacionada com a qualidade do material que será movimentado, pois solos de baixa qualidade, normalmente, devem ser descartados ou tratados para aproveitamento na confecção de aterros. Com isso, muitas vezes, haverá a necessidade de importar solos para os aterros — o que pode ser um inconveniente do ponto de vista de custos e logística.

Se o solo não for de boa qualidade, podem ser necessárias estruturas de contenção, o que vai aumentar sensivelmente os custos do processo de terraplenagem
Ilan Gotlieb

A qualidade do solo também tem potencial de afetar a estabilidade de taludes de corte. Isso faz com que as inclinações tenham de ser brandas, aumentando, assim, a projeção em planta desses taludes — o que é capaz de interferir na implantação do empreendimento. “Se o solo não for de boa qualidade, podem ser necessárias estruturas de contenção, o que vai aumentar sensivelmente os custos do processo de terraplenagem”, comenta Gotlieb.

“O regime de chuvas e a ocorrência de solos moles ou rochas são outras características a serem consideradas no momento de planejar o procedimento de terraplenagem”, complementa o engenheiro Luis Edmundo Campos, ex-presidente do Núcleo Bahia da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS) e presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea-BA).

Outro fator importante é o nível do lençol freático. Se, porventura, o volume d'água estiver acima da cota de escavação, será necessário prever sistema sofisticado de drenagem ou até mesmo soluções estanques de contenção. Também são recomendados estudos ambientais sobre áreas de empréstimos e bota-fora (local onde são descartados os materiais provenientes de obras de terraplenagem).

ORÇAMENTO

De maneira geral, um fator que afeta sensivelmente a elaboração do orçamento dos serviços de terraplenagem é a necessidade de importação de terra. Afinal, o procedimento envolve custos elevados para transporte do material. “Outra situação que pode influenciar diretamente nos valores cobrados é a necessidade de execução de estruturas de contenção”, complementa o presidente da ABEG.

O regime de chuvas da região também pode ter influência no orçamento, já que em áreas mais úmidas a tendência é que a atividade demande prazos maiores para ser finalizada. “Nos solos argilosos, não se consegue trabalhar em dias chuvosos. Além disso, após as precipitações, pode ser que ainda não existam condições operacionais por um ou dois dias. Já nos terrenos arenosos e rochas, esse problema é menor”, explica Campos.

A necessidade de drenagem profunda e de obras de arte correntes (bueiros) são outros tópicos que interferem no valor do orçamento. Já a escolha dos equipamentos que serão utilizados acontece em função dos volumes e classificações dos materiais que serão movimentados, além das distâncias de transportes. “Deve-se programar patrulhas otimizadas do maquinário em função desses dois itens”, recomenda Campos.

“Os equipamentos empregados nos procedimentos de terraplenagem têm características especificas que variam conforme os diferentes tipos de material. Assim, recomenda-se a contratação de boas empresas especializadas na execução dos serviços, de forma que estas já tenham e disponibilizem as soluções adequadas para cada obra”, complementa Gotlieb, informando que essa é a prática mais utilizada atualmente.

Outra opção é a construtora adquirir ou alugar os equipamentos para realizar o trabalho. Essa alternativa depende do porte da obra e do tamanho da empresa. “Se forem poucos os serviços, escolher a locação é mais econômico. Já se a quantidade for grande, pode-se amortizar o investimento no maquinário durante a execução das obras”, avalia Campos, informando que a definição também depende do “custo” do dinheiro e capacidade financeira da construtora.

MERCADO

Informação é primordial ao buscar no mercado uma empresa para realizar o trabalho. “Recomendo dar preferência àquelas que têm tradição e reconhecimento de excelência. Também é importante avaliar se a empresa possui um bom programa de manutenção dos equipamentos, para que não haja atrasos por constantes interrupções para conserto do maquinário”, afirma o presidente da ABEG.

Analisar o corpo técnico do prestador de serviços é outra recomendação indispensável, afinal, profissionais capacitados são capazes de prevenir contratempos e garantir boa produtividade. “A escolha deve considerar, ainda, a experiência em serviços similares; informações de outros clientes sobre a performance (organização, qualidade dos serviços e cumprimento dos prazos); além da saúde financeira da empresa”, complementa Campos.

PRODUTIVIDADE

Equipamentos de qualidade reduzem as horas improdutivas e o tempo ocioso
Luis Edmundo Campos

A produtividade dos equipamentos é muito relativa, já que depende do tamanho da área a ser terraplenada e da qualidade do material (sua resistência). “Com isso, pode-se ter variações muito grandes”, afirma Gotlieb. Para aproveitar ao máximo o maquinário, é necessário que as soluções tenham sido dimensionadas para atender as particularidades da obra. “Equipamentos de qualidade reduzem as horas improdutivas e o tempo ocioso”, menciona Campos.

Já o cálculo das horas trabalháveis depende do volume de terra que deverá ser movimentado e também o local da obra. “Por exemplo, no caso de ampliação de parques industriais, em que os serviços ocorrerão dentro uma unidade industrial em operação, deve-se levar em consideração as normas internas de turnos de trabalho. Além de questões de segurança do trabalho, que normalmente são bastante rígidas”, diz Gotlieb.

SEGUINDO O PROJETO

Para garantir a qualidade final do procedimento de terraplenagem, é fundamental que o trabalho seja executado conforme o que está definido em projeto. “Por isso, é importante ter equipe de topografia e laboratório de solos constantemente na obra, efetuando as locações, ensaios de controle e medições dos serviços. Além de um competente apoio logístico, incluindo equipamentos adequados para cada tipo de serviço, manutenção competente, fornecimento de insumos no momento correto, entre outros”, enumera Campos.

Outro cuidado importante é no caso de obras com contenções. “Para que o ritmo de execução da terraplenagem não seja prejudicado, é muito importante que a execução de contenções seja feita em conformidade com a produtividade esperada da movimentação de terra. Assim, evita-se que ocorra a necessidade de interrupção dos serviços por não terem sido concluídas as contenções de determinado trecho da obra”, finaliza Gotlieb.

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Colaboração técnica

engenheiro Ilan Gotlieb
Ilan Gotlieb – Engenheiro civil formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e mestre em Engenharia pela Cornell University, Nova Iorque (EUA). É sócio da MG&A Consultores de Solos e presidente da Associação Brasileira das Empresas de Projeto e Consultoria em Engenharia Geotécnica (Abeg).
Luis Edmundo Campos
Luis Edmundo Campos – Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal da Bahia, tem mestrado em Engenharia Civil pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Atualmente, é professor titular da Universidade Federal da Bahia e presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea-BA). Ex-presidente do Núcleo Bahia da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS). Tem experiência na área de engenharia civil, com ênfase em estabilidade de taludes, barragens, pavimentação e instrumentação.