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Textura projetada permite criatividade em efeitos e cores

Contudo, é preciso conhecer os procedimentos técnicos de aplicação, além dos cuidados posteriores com a limpeza da superfície para garantir longa vida útil

Publicado em: 10/12/2019Atualizado em: 23/10/2023

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

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As texturas acrílicas projetadas permitem inúmeras possibilidades de efeitos decorativos, impossíveis de serem obtidos com as pinturas tradicionais, além do vasto leque de texturas e nuances de cores (foto: travelview/ Shutterstock)

As texturas acrílicas por projeção mecânica podem ser aplicadas tanto para revestimento interno quanto externo. De acordo com Osmar Hamilton Becere, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), o procedimento é mais comum nas áreas externas, uma vez que, internamente, os usuários dão preferência às pinturas tradicionais de acabamento liso. “Quando empregada em interiores, é preciso adquirir produtos com características adequadas. A aplicação em ambientes agressivos especiais deve ser objeto de estudo prévio”, recomenda.

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Para Alexandre Cordeiro dos Santos, também pesquisador do IPT, a textura acrílica talvez seja o método que permite maior criatividade na obtenção de efeitos decorativos. “Por exemplo: pode-se aplicar o fundo selador de uma cor e a textura acrílica de outra. A aplicação pode ser feita de forma contínua, em uma camada, ou em flocos, para obter o efeito travertino por meio do amassamento desses flocos com desempenadeira”, observa.

São inúmeras as possibilidades de efeitos decorativos, impossíveis de serem obtidos com as pinturas tradicionais, além do vasto leque de texturas e nuances de cores. Em geral, os fabricantes informam o consumidor quanto aos tipos de efeitos decorativos mais usuais e fornecem as instruções necessárias para a aplicação.

Se o usuário estabelece que o revestimento de textura acrílica deve desempenhar funções de estanqueidade, é fundamental realizar estudos prévios (protótipos em laboratório de ensaios)
Leandro Augusto

Vantagens e desvantagens

Segundo os pesquisadores, em relação ao desempenho – comportamento em uso –, é preciso se atentar para o fato de que alguns dos tipos de efeitos estéticos deixam a camada de textura acrílica com elevada porosidade. Isso possibilita a infiltração de água de chuva através dessa camada, o que pode comprometer a estanqueidade da fachada e/ou parede. “Se o usuário estabelece que o revestimento de textura acrílica deve desempenhar funções de estanqueidade, é fundamental realizar estudos prévios (protótipos em laboratório de ensaios). Será, então, analisada a condição da textura oferecer a proteção adequada contra a penetração de água chuva. Ou, se haverá a necessidade de tratamentos hidrofugantes no substrato de aplicação”, destaca Leandro Augusto, pesquisador do IPT.

Entre as propriedades técnicas das texturas acrílicas, destacam-se seu histórico de durabilidade superior à das tintas de acabamento liso, podendo atingir 15 anos sem reparos, apenas com adoção de limpeza periódica. A textura projetada tem maior capacidade de correção de irregularidades superficiais do substrato e, também, de dissimular (ocultar) fissuras, até certos limites, existentes no substrato ou de origem térmica.

A solução oferece maior resistência à penetração de chuvas, devido à maior espessura da camada em relação às tintas de acabamento liso, além de apresentar maior resistência ao intemperismo e disfarçar as alterações ocorridas. Os pesquisadores ressaltam que a textura acrílica assegura economia nos custos de mão de obra porque requer apenas uma demão e dispensa o preparo prévio do substrato com massa niveladora.

Dependendo do grau de exposição a sujidades e do tipo de acabamento da fachada, a higienização deve ser feita a cada dois ou três anos
Osmar Hamilton Becere

Para alcançar a vida útil estabelecida para esse tipo de revestimento, é preciso adotar alguns cuidados, como limpeza periódica. “A lavagem é realizada por hidrojateamento com pressão máxima de 1.000 psi, que pode ser combinada, quando necessário, com a utilização de sabão neutro. Dependendo do grau de exposição a sujidades e do tipo de acabamento da fachada, a higienização deve ser feita a cada dois ou três anos”, orienta Becere. Por outro lado, a maior facilidade de retenção de sujidades, como poluentes e poeira, devido à rugosidade da superfície é uma das desvantagens da textura acrílica. Essa rugosidade também dificulta a limpeza e a repintura, além de facilitar o desenvolvimento de fungos que causam bolor. 

Do rugoso ao liso

A forma mais usual de criar uma superfície lisa sobre a textura acrílica existente, sem a remoção dessa camada, é a aplicação de várias demãos de massa niveladora (massa corrida). “Essa é a opção mais prática e econômica para encobrir as texturas de baixo relevo, como as do tipo graffiato”, aponta Augusto. Já no caso das texturas em alto relevo, o ideal é o nivelamento dessa camada acrílica com espátula e posterior lixamento até que ela fique lisa. Se necessário, o nivelamento pode ser corrigido com a aplicação de massa niveladora.

“Dependendo da dificuldade na realização dessas atividades, o usuário pode analisar a opção de utilizar produtos químicos (removedores), para a remoção total da camada de textura acrílica”, sugere Santos. Quando aplicados, promovem o amolecimento da camada e facilitam sua total remoção com uso de espátulas. Por se tratar de produtos de uso restrito, deve ser usado conforme orientação do fabricante.

Aplicação da textura projetada

Na maioria dos casos, a textura acrílica é aplicada em emboços novos, situação que exige alguns pré-requisitos:

• O emboço deve estar devidamente curado (mínimo de 28 dias), seco, sem partículas soltas e/ou pulverulência;
• Apresentar resistência superficial a riscos (dureza adequada);
• Apresentar superfície lisa e isenta de rachaduras, reentrâncias e outras irregularidades impossíveis de serem corrigidas, por conta da espessura do revestimento de textura acrílica.

A análise da superfície é importante para buscar possíveis imperfeições no substrato. Em alguns casos, a própria textura acrílica pode compensar alguns tipos de falhas, pois ela é capaz de corrigir irregularidades superficiais do substrato. Em outros, as imperfeições precisarão ser corrigidas com a aplicação de massa niveladora (base acrílica). “Porém, há situações em que a correção das irregularidades do substrato demandará o emprego de argamassas inorgânicas para a regularização”, diz Becere.

Para verificar com antecedência diversos aspectos da aplicação da textura acrílica, como consumo, processo de aplicação e efeito estético, os pesquisadores recomendam a realização de testes em uma área representativa do substrato a ser revestido. “Isso permite eventuais correções do substrato antes da aplicação da textura acrílica em todas as fachadas e/ou paredes, ou mesmo optar por outros tipos de efeito estéticos”, comenta Augusto.

Alerta importante é que as texturas acrílicas não devem ser aplicadas sobre substratos úmidos, molhados e expostos à ascensão capilar. Arestas, arremates horizontais e superfícies com pouca inclinação devem ser objeto de detalhes arquitetônicos, que evitem que a água se acumule sobre essas superfícies ou cause depósito de sujidades e manchas indesejáveis ao escorrer sobre a superfície do revestimento. “E atentar que aplicações executadas diretamente sobre o substrato (estrutura de concreto ou de blocos cerâmicos/de concreto), eventualmente, dependendo da espessura da camada final, podem revelar as juntas dos blocos, resultando no efeito conhecido como ‘fotografia dos blocos’. Para esses casos é recomendável a realização de estudos preliminares, por exemplo, a aplicação prévia em protótipos do sistema construtivo”, recomenda Santos.

Aplicação da textura acrílica

A projeção mecânica impõe mais dificuldades em relação aos demais processos – desempenado ou rolado – de aplicação da textura acrílica, no que se refere a aspectos como mobilização dos equipamentos, desperdícios e impregnação de esquadrias e telhados. “A projeção mecânica exige ajustes criteriosos quanto à regulagem de pressão, definição do diâmetro de bicos e controle da vazão de projeção, fatores que influenciam diretamente no rendimento do produto, espessura da camada e acabamento”, observa Becere.

As interrupções da aplicação do revestimento devem ser criteriosamente planejadas, de modo a se obter um acabamento com aspecto uniforme. Se necessário, a superfície do substrato deve ser dividida em painéis menores, delimitados com a utilização de fita adesiva, cujas dimensões permitam a aplicação do revestimento em toda a superfície sem interrupção. Para os revestimentos com agregado colorido, os painéis podem ser divididos com a instalação de juntas plásticas.

“Cabe ressaltar que a projeção mecânica para aplicação de textura acrílica foi desenvolvida para garantir economia, qualidade e produtividade em relação aos demais processos. Todavia, esse processo de aplicação requer o emprego de equipamentos específicos e mão de obra qualificada”, alerta o pesquisador.

Equipamentos utilizados

De forma geral, na aplicação de textura acrílica por projeção são utilizados compressores de ar; mangueiras com extensão adequada; engates rápidos; caneca de projeção plástica ou de alumínio e respectivos bicos. Devido à grande diversidade de equipamentos para esse fim disponíveis no mercado da construção civil, os pesquisadores do IPT recomendam ao usuário consultar o fabricante da textura acrílica. “Ele indicará quais as características necessárias do equipamento para a projeção mecânica, considerando o tipo de textura acrílica adquirida”, diz Santos.

O procedimento correto para realizar a projeção é de cima para baixo, de maneira contínua, evitando parar sobre um mesmo local. “É interessante manter um único sentido, por exemplo, da esquerda para a direita, de cima para baixo. Além disso, é preciso auxílio de outros profissionais para apoiar o aplicador durante a movimentação de andaimes, alimentação da caneca com a textura acrílica e, também, na realização do acabamento decorativo, normalmente com auxílio de espátulas”, acrescenta Augusto.

A limpeza dos equipamentos e acessórios utilizados no processo de aplicação por projeção mecânica deve ser feita com água limpa, uma vez que a grande maioria desses produtos é fornecida em emulsão à base de água. Em alguns casos, por exemplo, para a limpeza dos bicos, o processo pode ser melhorado com uso de solvente aguarrás. “Todavia, esse procedimento somente deve ser adotado se recomendado pelo fabricante do equipamento”, finaliza Osmar Becere.

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Colaboração técnica

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Osmar Hamilton Becere - Possui graduação em Tecnologia em Construção Civil pelo Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (1998). Atualmente é Pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. Tem experiência na área de Engenharia Civil, com ênfase em Construção Civil, atuando principalmente nos seguintes temas: desempenho de materiais de construção civil, desempenho higrotérmico, simulação computacional, inspeção de manifestações patológicas de revestimentos de fachadas.
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Alexandre Cordeiro dos Santos - Mestre em Habitação: Planejamento e Tecnologia pelo IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de SP (2019), Bacharel em Engenharia Civil pela Universidade Nove de Julho (2014) e Graduado em Tecnologia de Construção de Edifícios pelo IFSP - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (2009). Participou do Programa de Desenvolvimento e Capacitação no Exterior (PDCE) do IPT (2014/2015), na FEUP - Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) onde aperfeiçoou seu conhecimento em simulação higrotérmica computacional. Atualmente é assistente de pesquisas do IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. Tem experiência na área de Engenharia Civil, com ênfase em técnicas de ensaios em materiais de construção civil, simulações higrotérmicas (transporte de calor e umidade) em materiais e sistemas de revestimentos em fachadas. Tem experiência em serviços de diagnóstico de anomalias de revestimentos de fachadas de edifícios. Atualmente (2018/2021) participa de linha de pesquisa de um projeto FAPESP do IPT envolvendo compósitos cimentícios para utilização em manufatura aditiva (Impressão 3D) na construção civil.
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Leandro Augusto - Possui Mestrado em Habitação: Planejamento e Tecnologia pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (2013). Atualmente é assistente de pesquisa do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo S.A. e professor da Universidade Nove de Julho.