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Tijolos refratários devem ser usados em fornos e churrasqueiras

Material tem como principal característica a resistência a temperaturas elevadas e deve ser usado na construção de estruturas constantemente expostas ao calor

Publicado em: 03/06/2015Atualizado em: 07/12/2023

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Os tijolos refratários têm como principal característica a resistência a temperaturas elevadas e devem ser usados na construção de estruturas constantemente expostas ao calor, como fornos. “Os tijolos ou formados, como também são conhecidos, correspondem somente à metade dos materiais refratários consumidos. O restante é composto por concretos, argamassas, massas de socar, entre outros”, afirma o engenheiro Ulisses Soares do Prado, diretor Administrativo da ABCeram - Associação Brasileira de Cerâmica.

Os tijolos ou formados, como também são conhecidos, correspondem somente à metade dos materiais refratários consumidos. O restante é composto por concretos, argamassas, massas de socar, entre outros
Ulisses Soares do Prado

Os formados representam 54% dos produtos refratários disponíveis e levam este nome por apresentarem formas definidas, tendo sofrido processo de conformação mecânica ou manual. Os outros 46% do mercado é ocupado pelos não formados, produtos que não apresentam forma física definida.

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NORMA TÉCNICA

Para o material ser caracterizado como refratário não é necessário somente que resista ao calor. A ABNT NBR 8826 - Materiais refratários – Terminologia – define esses produtos como naturais ou artificiais, geralmente não metálicos, mas, não excluídos os que contenham constituintes metálicos, capazes de suportar temperaturas elevadas sem se deformarem acentuadamente e em condições específicas de utilização. O ensaio de cone pirométrico para o material ser considerado refratário deve atingir temperatura de, no mínimo, 1430 ºC (resultado corresponde a C.O. 15).

ESPECIFICAÇÃO

A fabricação dos tijolos refratários pode ocorrer de diferentes maneiras e, normalmente, envolve exposição da matéria-prima a temperaturas que podem chegar a até 2 mil oC. “Há um grande universo com centenas de materiais envolvidos na produção do tijolo. São usados elementos naturais, como argilas especiais, bauxita, magnesita e cromita, ou sintéticos”, explica o engenheiro. Os refratários são divididos em categorias, dependendo da matéria-prima ou componente químico principal empregado em sua fabricação.

PASSO A PASSO DE APLICAÇÃO

Os materiais de construção tradicionais não são capazes de absorver as grandes dilatações provocadas pelas altas temperaturas. Além disso, quando se apaga o fogo, acontece a contração dos materiais, que pode ser violenta se o esfriamento for acelerado. As juntas entre as peças sofrem essas interferências diretamente, o que afeta a estabilidade de toda a estrutura. Nesses casos, o uso de tijolos refratários evita problemas de deslocamentos e fissuras e, para assentá-los, é necessário utilizar argamassas que também apresentem a capacidade de resistir ao calor elevado. Cada tipo de tijolo necessita de argamassa específica, compatível com o produto e com o ambiente de trabalho”, recomenda o engenheiro.

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PREPARAÇÃO DA ARGAMASSA

  1. A preparação da argamassa deve acontecer em recipiente limpo, seco e estanque.
  2. A adição de água é feita lentamente, misturando a massa para impedir a formação de grumos ou torrões.
  3. Quando a argamassa apresentar aspecto pastoso e homogêneo, tem que descansar por dez minutos e, após esse período, é recomendável reamassar a argamassa.
  4. A quantidade preparada é a que será utilizada em um tempo máximo de duas horas. Quando o recipiente secar, não se pode adicionar mais água para reaproveitar o produto, pois já terá perdido suas características hidráulicas.
  5. A argamassa pronta é aplicada com uso da desempenadeira dentada.
Cada tipo de tijolo necessita de argamassa específica, compatível com o produto e com o ambiente de trabalho
Ulisses Soares do Prado

APLICAÇÃO DO TIJOLO REFRATÁRIO

  1. É recomendável que as juntas tenham largura menor do que 0,5 mm e que esses espaços não sejam preenchidos com qualquer tipo de rejuntamento, a fim de evitar vácuos entre os tijolos, que resultariam em pontos de fácil e rápida corrosão.
  2. Para sua aplicação, o tijolo refratário deve ser pressionado sobre os cordões de argamassa.
  3. O nivelamento é feito com o uso de martelo de borracha. Em seguida, é retirado o excesso de argamassa das juntas e a superfície do tijolo refratário é limpa com pano umedecido.
  4. O engenheiro recomenda conservar os materiais refratários em depósitos cobertos e secos, não molhar os tijolos antes de sua colocação e, antes de colocar o forno em funcionamento, é preciso secar lentamente e aquecer gradativamente as alvenarias.

DIMENSÕES DO TIJOLO REFRATÁRIO

Soares explica que o segmento de tijolos refratários é vasto, produzindo peças com tamanhos diversificados. “Existem materiais com poucas gramas e até os de algumas toneladas, dependendo da aplicação específica ou do projeto construtivo”, avalia. Não é somente a dimensão que varia, cada tipo de produto tem sua utilização indicada dependendo da temperatura à qual será exposto.

Há um grande universo com centenas de materiais envolvidos na produção do tijolo. São usados elementos naturais, como argilas especiais, bauxita, magnesita e cromita, ou sintéticos
Ulisses Soares do Prado

MERCADO E PREÇOS

A indústria nacional de materiais refratários (não somente tijolos) tem mais de 30 empresas, com a maioria concentrada na região sudeste. Dentre as companhias, a maior delas responde por mais da metade do mercado e as quatro maiores empresas do setor são responsáveis por mais de 80% da produção no Brasil. A utilização de refratários está fortemente ligada à indústria de base, com destaque para a siderurgia, que tem 70% da participação no consumo dos materiais.

“O mercado nacional produz, atualmente, em torno de 500 mil toneladas por ano. Como exemplo, para a fabricação de uma tonelada de aço ou alumínio, são consumidos mais de 10 kg de refratários”, destaca o engenheiro, avaliando que o preço médio do produto é variável. “Existem tijolos de menos de R$1,00/kg, normalmente os usados em churrasqueiras, até aqueles que atingem a marca de centenas de reais por quilo”, completa.

Colaborou para esta matéria

Ulisses Soares do Prado – Engenheiro e mestre em engenharia de materiais pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) e doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP). Trabalha há mais de trinta anos no setor de materiais refratários e afins, tendo passado por indústrias siderúrgicas e de refratários. É diretor Administrativo da ABCeram - Associação Brasileira de Cerâmica.