USINA HIDRELÉTRICA BELO MONTE

Um panorama atualizado da obra mais polêmica do Brasil

Publicado em: 02/12/2013

Texto: Redação PE

A Usina de Belo Monte é a maior obra de infraestrutura em curso no Brasil. Localizada no Rio Xingu, no estado do Pará, a usina vai produzir energia suficiente para abastecer 40% do consumo residencial de todo o País.

Para alcançar as metas de crescimento anual de 5% do PIB nos próximos dez anos, bem como de erradicação da pobreza e melhor distribuição de renda, o país precisará instalar, a cada ano, cerca de 5.000 megawatts de capacidade adicional.

Com base no consumo anual por domicílio, a energia média produzida pela usina de Belo Monte atenderá a 18 milhões de residências (60 milhões de pessoas), ou o correspondente a todo o consumo residencial de eletricidade na Argentina (aproximadamente 34 milhões de megawatts-hora ao ano). Trata-se de um empreendimento muito estudado e que sofreu sucessivas alterações para reduzir o impacto sobre o meio ambiente e as comunidades indígenas.

No final dos anos 60, quando o governo federal iniciou estudos de viabilidade, estava prevista a construção de cinco hidrelétricas na região. Mas só em junho de 2011 a licença definitiva foi emitida para o início dos trabalhos de construção.

A usina está sendo construída pelo Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), liderado pela construtora Andrade Gutierrez, com participação de nove outras empreiteiras: Camargo Corrêa, Norberto Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Contern, Galvão Engenharia, Serveng-Civilsan, Cetenco e J.Malucelli.

A Usina de Belo Monte vai funcionar em sistema de fio d´água, ou seja, a água do rio passará pelas turbinas e voltará ao leito, sem a formação de grande reservatório. O principal terá 502,8 quilômetros quadrados, sendo 228 deles correspondentes ao leito do rio na cheia. Esse foi um arranjo de engenharia para gerar energia de forma constante com baixo impacto socioambiental.

As usinas a fio d’água são construídas com pequenos reservatórios de água, produzindo energia elétrica basicamente com a força da vazão natural dos rios. Essas usinas não estocam água para geração de energia nos períodos de seca. Usinas projetadas com essas características reduzem consideravelmente as áreas inundadas.

De acordo com o Consórcio Norte Energia, responsável pelo projeto e pela obra, a Usina de Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do mundo, com 11.233,1 megawatts de potência, mas só em meses chuvosos, de janeiro a abril. Numa seca severa, a geração pode cair a 40 megawatts. A previsão é que a primeira das 24 turbinas da usina comece a operar em fevereiro de 2015, e a última, em janeiro de 2019.

A infraestrutura precária e os desafios logísticos exigem um plano de trabalho detalhado. A região onde a usina será construída é muito remota, fato que, somado às suas intempéries climáticas, pode prejudicar o cronograma.

No pico de trabalho, em 2014, a construção da usina vai contar com 22.000 trabalhadores. Vai consumir 170.000 toneladas de aço, o suficiente para a produção de 308.000 carros populares. Oficialmente, o custo da usina seria de 29 bilhões de reais. Mas há estimativas de mercado de que a conta pode chegar a 40 bilhões.

No entorno dos canteiros de obra poderão ser removidas 4.362 famílias que moram em palafitas e em habitações precárias, no total de 16.420 pessoas. Com isso, a Norte Energia vem acelerando as ações compensatórias socioambientais.

Cerca de 3,88 bilhões de reais serão desembolsados ao longo de vinte anos: 3,2 bilhões para condicionantes socioambientais e 500 milhões para o Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu (PDRSX), que promove projetos de interesse regional propostos, discutidos e aprovados pelas próprias instituições, oficiais ou não, com foco na região do Xingu e Transamazônica.

Urbanização

As áreas urbanas das cidades de Altamira, Vitória do Xingu e Brasil Novo, e das localidades de Belo Monte e Belo Monte do Xingu vão ser beneficiadas com as medidas para atender às necessidades de realocação da população diretamente afetada, com a construção e integração das residências destinadas aos trabalhadores das obras da usina e com medidas para adequação do afluxo de população migrante às estruturas urbanas existentes.

Uma das prioridades são as obras de saneamento básico, que acabam de ser contratadas para os municípios de Altamira e Vitória do Xingu. A previsão é que os trabalhos nas duas cidades estejam prontos até julho de 2014, com aportes de 246 milhões de reais. Confira outros destaques que vão afetar diretamente essas regiões:

Altamira: recuperação urbanística e ambiental da orla do Xingu, com implantação de parque ecológico e de lazer; construção de diques com um canal de amortecimento de cheias; implantação de drenagem urbana, rede de abastecimento de água, rede de esgotos e estação de tratamento de esgotos; construção de aterro sanitário; construção de 500 casas, em diferentes bairros da cidade, para trabalhadores a serviço das obras; implantação de novos pontos de comércio, postos de saúde e escolas; e ampliação de hospital.

Vitória do Xingu: pavimentação das ruas, implantação de infraestrutura de saneamento e drenagem pluvial; ampliação e melhoria dos serviços de coleta de lixo.

Vila de Belo Monte (município de Vitória do Xingu) e povoado de Belo Monte do Pontal (município de Anapu): pavimentação das ruas, implantação de rede de abastecimento de água, esgotamento sanitário e tratamento de esgotos; e construção de pátios de espera de veículos no ponto de travessia da balsa.

Assista a reportagem completa na TV da Obra - video 1

Video 2

Fonte: Marcos Sordi – diretor administrativo do CCBM
Ex-prefeita do município de Altamira, Odileia Sampaio
Giancarlo Bastiani – SOTREQ/Altamira-PA
Consórcio Norte Energia