Usinas de asfalto móveis contínuas vão aonde a obra está

Entre as contínuas e as gravimétricas, a principal diferença está no processo de dosagem da massa asfáltica. Saiba mais

Publicado em: 22/07/2021Atualizado em: 04/08/2021

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Asfaltamento rodoviário
Obras de asfaltamento rodoviário se tornam mais fáceis com as usinas móveis contínuas (Foto: Philippe Sonderegger/Shutterstock)

A produção de asfalto para pavimentação é feita por quatro tipos distintos de usinas: móveis contínuas, móveis gravimétricas – que são mais raras –, fixas contínuas e fixas gravimétricas. Existem também as usinas modulares e as semimóveis, porém, se enquadrariam em uma dessas quatro classificações. De acordo com Paulo Oscar Auler Neto, vice-presidente da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), a diferenciação entre as usinas móveis e as fixas está na mobilidade.

“Enquanto as usinas móveis estão montadas sobre semirreboque com rodas, podendo trafegar nas vias públicas, as fixas são fornecidas em partes e montadas em um determinado local, com menos mobilidade. A cada mudança de endereço deve ser totalmente desmontada e transferida para outro local para ser montada. No caso das móveis, basta desconectar alguns pontos, atrelar a um cavalo mecânico e seguir para novo ponto de obra”, explica, acrescentando que a diferenciação entre as usinas contínuas e as gravimétricas está na forma de fazer a dosagem da massa asfáltica.

As usinas móveis contínuas são perfeitas para obras de asfaltamento rodoviário, pois reúnem menor custo de aquisição, alta mobilidade e qualidade do produto final. Não existem obras onde não possam ser utilizadas. “O equipamento se enquadra a todos os tipos de aplicação, como grandes obras de pavimentação, pátios de estacionamento, aeroportos, asfaltamento urbano, entre outras”, ressalta Auler Neto.

A única limitação é a aplicação em projetos específicos com alto nível de exigência de qualidade, em que a usina gravimétrica oferece uma maior segurança ao construtor e ao cliente. Porém, essa restrição pode ser mitigada com um controle preciso laboratorial e de processo. Lembrando que as usinas contínuas estão disponíveis em várias capacidades desde 30 t/h até 600 t/h, atendendo a toda a gama de aplicações no mercado da construção. Já as usinas gravimétricas geralmente não passam de 250 t/h.

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Características das usinas móveis contínuas

Equipamentos móveis, montados sobre semirreboque e eixos, as usinas móveis contínuas produzem asfalto de forma contínua, e não em bateladas. Têm alta mobilidade, baixo custo de instalação e menor valor de investimento comparado com outros modelos de usinas de asfalto. “Geralmente são compostas de, pelo menos, dois semirreboques para as usinas menores: um para a usina completa e outro para o tanque de asfalto. Na medida em que a capacidade de produção aumenta, também aumenta a quantidade de semirreboques”, conta.

Essas usinas fazem a dosagem dos diferentes tipos de agregados a partir do silo de agregados. Os agregados são classificados por tamanho e forma na usina de britagem e estocados em diferentes silos. A dosagem é realizada através de dosificadores instalados na descarga de cada um dos silos. Estes dosificadores possuem a forma de pequenas correias transportadoras acionadas por motores com controle preciso de rotação. A partir de uma calibração inicial é possível determinar a produção de cada correia, em toneladas por hora, que vem a ser a fórmula da massa asfáltica que está sendo produzida.

“Esses agregados, dosados individualmente de forma contínua por estas pequenas correias, são reunidos em uma outra correia que os levará até o cilindro do secador, onde o queimador aquecerá os agregados e retirará a umidade”, expõe. Um filtro retirará o material fino e, ao final, será adicionado o asfalto através de uma bomba com dosagem volumétrica, também calibrada de acordo com a fórmula da massa asfáltica. A mistura do asfalto com os agregados poderá ser feita no próprio cilindro do secador ou em um misturador de duplo eixo na finalização do processo, dependendo da tecnologia adotada por cada fabricante. Essa massa asfáltica vai para um silo quente para ser descarregada nos caminhões e seguir para a frente de trabalho.

Diferenças entre as usinas

Enquanto as usinas contínuas têm um formato mais horizontal, conectando os diversos semirreboques que compõem o equipamento, as usinas gravimétricas são montadas na forma de torres, tendo um formato mais vertical
Paulo Oscar Auler Neto

A grande diferença em relação às usinas gravimétricas está na forma de dosificar os agregados. Nas usinas gravimétricas, os agregados também são classificados por forma e tamanho na usina de britagem e colocados em diferentes silos. “A partir desse ponto, os agregados são transportados individualmente para o cilindro secador, passando pelo queimador, onde os agregados serão aquecidos e os finos retirados pelo filtro. Através de peneiras, passam por nova classificação, para corrigir eventuais contaminações durante o processo. Com sua granulometria garantida, são estocados já quentes em silos menores, instalados no alto da usina”, relata Auler Neto.

Cada um dos silos dispõe de uma balança com células de carga que fazem a pesagem individual de cada agregado, de acordo com a fórmula da massa asfáltica, descarregando essa dosagem em um misturador de duplo eixo, onde é adicionado o asfalto, também dosado de forma precisa por balanças. A partir do misturador, a massa asfáltica segue para o silo quente para posterior descarga nos caminhões. O volume pesado e dosado dependerá do tamanho do misturador da usina que, tem, geralmente entre 1,5 e 3,0 ton.

“Outra diferença está na forma de construir as usinas. Enquanto as usinas contínuas têm um formato mais horizontal, conectando os diversos semirreboques que compõem o equipamento, as usinas gravimétricas são montadas na forma de torres, tendo um formato mais vertical”, completa.

Vantagens e desvantagens

Cada sistema tem os seus pontos positivos e negativos. As usinas gravimétricas tendem a ser mais precisas e produzir um asfalto de melhor qualidade, em função da reclassificação dos agregados. “No entanto, são equipamentos mais caros e com menor produtividade”, observa. As usinas contínuas, por sua vez, têm menor custo e são altamente produtivas. Elas fornecem asfalto de excelente qualidade, porém é preciso atenção para não haver contaminações no processo de transferência dos agregados.

A presença de um laboratório junto das usinas é a única forma de garantir a plena qualidade da massa asfáltica produzida
Paulo Oscar Auler Neto

Auler Neto recomenda que, em ambos os processos, deve ser feito o ensaio diário dos materiais. Tanto da matéria-prima (agregados e asfalto) como da massa asfáltica produzida, que deve ser ensaiada várias vezes ao dia. “A presença de um laboratório junto das usinas é a única forma de garantir a plena qualidade da massa asfáltica produzida”, frisa. Como são equipamentos de alta produção, o acompanhamento permanente garante a entrega de uma massa asfáltica de acordo com o especificado, corrigindo eventuais desvios na qualidade dos materiais ou no processo e eliminando desperdícios.

As usinas móveis permitem fazer a movimentação de forma rápida e econômica, acompanhando o avanço de cada etapa da obra. “As usinas fixas são mais baratas que as móveis e indicadas para serem instaladas de forma definitiva, geralmente nos centros urbanos, fornecendo massa asfáltica de forma pontual e constante para os diversos clientes e frentes de trabalho ao longo de todo o ciclo de vida útil do equipamento”, informa.

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Colaboração técnica

Paulo Oscar Auler Neto
Paulo Oscar Auler Neto – Engenheiro mecânico graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG (1982), é vice-presidente da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema). Com mais de 40 anos de experiência no setor da Construção Civil pesada, atuou em vários projetos de grande porte no Brasil e no exterior. Fornece consultoria em gestão de frotas, treinamento, compra, venda, locação e especificações de equipamentos, avaliações técnicas e desenvolvimento de fornecedores.