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Uso de rejunte no mesmo tom do revestimento é tendência na construção

A solução traz uniformidade e sensação de amplitude aos ambientes e encontra respaldo na indústria fabricante de rejuntes, que fornece um amplo leque de cores

Publicado em: 24/08/2022

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

foto de um revestimento com rejunte na mesma cor
(Foto: Pointer/Reprodução)

As cerâmicas retificadas e suas juntas secas inauguraram uma era em que a arquitetura e os clientes privilegiam a uniformidade dos revestimentos de piso e parede, escondendo o rejunte através da similaridade de tons. A exceção é quando são usadas peças com estilo retrô, contrastando as cores dos dois elementos. “É o caso do brick branco com rejunte cinza, imitando o revestimento do metrô de Londres, ou no assentamento de cerâmicas terracota – que agora voltam à cena –, com rejunte em tom cimentício demarcando as peças”, aponta o arquiteto Bruno Moraes, titular do escritório homônimo, que projeta e constrói.

A indústria fabricante de rejuntes colabora com a tendência de uniformização oferecendo amplo leque de cores. De acordo com Francisco Araújo, chefe de produtos Tile Fixing na Saint-Gobain para Construção, que responde pela marca Quartzolit, a cartela atual tem 25 tons desenvolvidos junto à Pantone. Contempla as cores tendência dos próximos anos, sendo divididas em quatro principais grupos: Natureza, que remete a tons florais, como Corda, Verde Floresta e Caramelo; Urbano, lembrando o cotidiano na cidade, como Preto Grafite, Cinza Outono e Azul Cobalto; Neutras, que vão bem com tudo, como Marfim, Ypê e Cinza Platina; e Madeira, referência aos troncos de árvores, como Marrom Café, Tijolo e Cairo.

“A escolha do rejunte é algo único e pessoal. Há pessoas que preferem trazer maior contraste para o ambiente, destacando a cor do rejunte. E há quem prefira dar sensação de continuidade, escolhendo um tom de rejunte que se assemelhe à cor do revestimento”, complementa Araújo.

A escolha do rejunte é algo único e pessoal. Há pessoas que preferem trazer maior contraste para o ambiente, destacando a cor do rejunte. E há quem prefira dar sensação de continuidade
Francisco Araújo

Escondendo o rejunte

A homogeneidade de tons entre os dois elementos foi reforçada a partir da produção de porcelanatos de grandes dimensões, que passam de 3 m. Cada vez mais desejadas pelos consumidores, as lastras têm custo elevado, que sobe ainda mais quando há necessidade de içar as peças até o pavimento onde serão aplicadas.

“A solução para quem não quer ou não pode pagar por elas, é usar peças menores, por exemplo, de 0,90 x 0,90 m. Para disfarçar as juntas e dar a ideia de um único pano, é usado rejunte com tonalidade próxima à da cerâmica”, conta Moraes.

O objetivo é facilmente alcançado, pois vários fabricantes de revestimento em parceria com indústrias de rejuntes já oferecem a solução completa. “Na verdade, é uma argamassa utilizada para o assentamento que, como ocorre com as pastilhas, quando a peça é pressionada, a massa sobe e adquire a função de rejunte”, conta o arquiteto. Ele acaba de projetar e executar uma obra residencial com tijolinho brick fixado e rejuntado em tom terracota, adquiridos em conjunto.

Para disfarçar as juntas e dar a ideia de um único pano, é usado rejunte com tonalidade próxima à da cerâmica
Bruno Moraes

Araújo destaca que os rejuntes da marca são indicados tanto para a aplicação em revestimentos cerâmicos, como cerâmicas, grês e porcelanatos, como também para pedras naturais, mármores e granitos, bloco de vidro, pastilhas de vidro e porcelana. “Além disso, em nosso portfólio, temos também a nossa argamassa de assentamento e rejuntamento ‘Pastilhas’ que, como o próprio nome diz, é a mais indicada para esse tipo de revestimento”, informa.

Segundo Moraes, o padrão de uniformidade de tons também prevalece quando se trata do assentamento de pedras, revestimentos cimentícios e ladrilho hidráulico. Independentemente da cor, o arquiteto chama a atenção para o cuidado necessário ao rejuntar. “Para evitar o contato do rejunte com as bordas das peças, aplicamos fitas adesivas no seu perímetro. Por serem revestimento mais porosos, o rejunte vai manchar o granito e o mármore e, se manchar, é grande a chance de não conseguir eliminar”, adverte.

Rejunte escuro

O arquiteto Bruno Moraes relata que, quando utiliza revestimento claro em piso de banheiro e cozinha, não adota rejunte da mesma tonalidade. “Porque, por mais resistente que seja, esse rejunte vai ficar encardido ao longo do tempo. Mas, se for cinza, por exemplo, o contraste vai incomodar menos do que o causado por algumas peças manchadas e outras não”, explica.

De acordo com Francisco Araújo, todos os rejuntes da Quartzolit são facilmente limpáveis, contudo, tons mais escuros tendem a expor menos a sujeira acumulada. “Além disso, nossos rejuntes poliméricos possuem um acabamento extraliso que dificulta o acúmulo de resíduos, facilitando ainda mais a sua limpeza”.

Rejunte substitui cantoneiras

Elemento que dá acabamento e protege o encontro das cerâmicas nas quinas das paredes, as cantoneiras estão sendo abandonadas. “Nossos clientes não aceitam mais. A solução é desbastar as peças, fazer o encontro e aplicar rejunte para o acabamento de borda. É como se a peça estivesse circundando a parede. Para isso, é preciso encontrar o rejunte da mesma tonalidade”, explica Moraes.

Renovando a cor do rejunte

Para quem pretende mudar a cor do rejunte de seu piso ou parede, o arquiteto lembra que a troca do material é facilitada se o revestimento for do tipo bold. A maior espessura das juntas de, pelo menos, 3 mm, contra 1 mm das cerâmicas retificadas, permite a substituição, utilizando ferramenta apropriada encontrada nas lojas de materiais de construção.

A mesma operação em juntas secas exige o uso de instrumento mais fino, como estilete, mas com o risco de craquelar a lateral da peça. “É possível, porém pede extremo cuidado”, alerta. Outra opção disponível no mercado são as tintas em bisnaga específicas para pintar rejuntes e mudar a tonalidade. “Não recomendo, pois com o tempo a tinta vai sair”, diz ele.

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Colaboração técnica

Bruno Moraes – É arquiteto e urbanista formado pela Faculdade Belas Artes de São Paulo (FEBASP) e pós-graduado em Gerenciamento de Empreendimentos na Construção Civil pela FAU Mackenzie. Em 2007, expõe o projeto “Complexo do Moinho” na Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, em conjunto com um grupo de arquitetos e alunos formados pela FEBASP. Passou por grandes escritórios, como o do arquiteto Siegbert Zanettini, onde participou do projeto de ampliação do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), da Petrobras, considerado o maior projeto sustentável da América Latina. Também atua nas áreas de gerenciamento de obras, execução de projetos, criação e consultoria sustentável.
Francisco Araújo – É chefe de produtos Tile Fixing na Saint-Gobain produtos para Construção.