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Veja soluções que controlam temperatura e luz em fachadas

Opções para áreas externas e internas passam por brises, telas perfuradas e vidro duplo insulado com persiana. Fachada dupla ventilada também é alternativa

Publicado em: 23/07/2010Atualizado em: 05/07/2019

Texto: Redação AECweb

Redação AECweb

Soluções para sombreamento de fachadas

Mais do que item meramente estético, as fachadas devem ser pensadas pelo arquiteto, o construtor e o consultor como um dos três elementos fundamentais para a eficiência energética dos edifícios – os outros são a iluminação e o sistema de ar condicionado. Para o arquiteto e consultor de fachadas Paulo Duarte, existem muitas maneiras de transformar esse importante elemento da construção em verdadeira barreira de calor e excesso de luminosidade. Ele se refere às várias opções de sombreamento que podem ser externas, internas, fachadas duplas ventiladas e vidro duplo insulado com persiana.

EXTERNOS

“A mais conhecida e utilizada solução para sombreamento de fachadas são os brises, elementos quebra-sol fixos ou reguláveis que, colocados externamente, na vertical ou horizontal, têm a finalidade de produzir sombra pelo maior tempo possível. Uma solução tradicional, os balanços nas fachadas são as outras alternativas de sombreamento. Incorporados à estrutura da construção e em cada pavimento, os balanços se caracterizam pelo avanço da laje na fachada, formando um beiral”, explica Paulo Duarte.

Além desses dois elementos, ele destaca ainda as telas perfuradas, de tecido resistente, de enrolar e com comando motorizado que, usualmente apresentam sensor de movimento guiado pela trajetória do sol. Essa solução, porém, pode ser substituída por painéis verticais na fachada.

Desenhados e estudados pelo arquiteto de acordo com a insolação, esses painéis são normalmente em treliças de madeira, grade de metal ou telas de aço inox, e ficam afastados da fachada, criando um sombreamento previamente calculado. “A eficiência do sistema está na distância estabelecida entre painel e fachada, que faz com que o ar circule pelo vão, ‘varrendo’ o calor que ali se acumula”, esclarece Duarte.

INTERNOS

Soluções para sombreamento de fachadas

Nos ambientes internos, normalmente se utilizam persianas convencionais ou telas perfuradas chamadas ‘rolôs’ que, aplicadas à semelhança das externas, podem ser recolhidas manualmente, através de motorização, ou utilizando sensores.

Comparativamente, a tela é a que apresenta melhor desempenho, uma vez que as persianas quebram, entortam e exigem limpeza constante. Além disso, essas últimas impedem a visão total do exterior e proporcionam uma zona de visão menor que o vão real da esquadria. “Nós podemos ressaltar também que, ao posicionar as lâminas das persianas em determinado ângulo, esse sombreamento só vai funcionar para um certo período de tempo, em função do ângulo de incidência do sol”, completa Duarte sobre as dificuldades encontradas no uso das persianas convencionais.

Tanto os elementos internos, quanto os externos, têm como características a necessidade de manutenção e progressiva deterioração, porque estão constantemente expostos: os de fora, ao clima, poluição e poeira; e os de dentro, aos usuários.


FACHADAS DUPLAS VENTILADAS

A fachada dupla é uma solução muito usada lá fora. Constituída por dois panos de vidro distanciados entre si, ela permite que o elemento de sombreamento seja colocado entre as duas fachadas, sem interferência do usuário ou do clima. Sua eficiência se baseia no fato de, normalmente, não se abrir janelas diretamente para o lado externo - tal abertura, quando desejada, exige comando automatizado. Há opções para aberturas na pele interna, ou seja, para a câmara entre vidros, que são estudadas para trocas de ar interno/externo através das aberturas motorizadas da pele externa.

A fachada dupla é muito apreciada pelos arquitetos brasileiros, mas é preciso levar em conta o custo-benefício dessa opção, cara, afinal são duas fachadas. “Sua eficiência em país tropical é muito discutível. E, mesmo nas regiões frias, de inverno rigoroso como na Europa e América do Norte, as fachadas duplas, ainda que mais utilizadas, são objeto de opiniões divergentes quanto ao seu desempenho”, explica Duarte.

Essa tecnologia passou por modificações simplificadoras, utilizando-se um duplo envidraçamento, mas não uma fachada dupla. “Projetamos para uma obra em São Paulo, que buscava certificação de eficiência energética e menor impacto ambiental, uma solução com essa simplificação, montando dois envidraçamentos num mesmo montante – um vidro interno e outro externo - e o elemento sombreador no meio”, comenta Duarte.

Segundo o arquiteto, embora funcione bem, essa alternativa apresenta alguns pontos negativos, como o encarecimento da motorização já que o elemento sombreador é colocado individualmente em cada janela. Além disso, o sistema de ventilação dos módulos contribui para o acúmulo de sujeira nos elementos da câmara, o que é agravado pela dificuldade na limpeza do elemento sombreador.

PERSIANA ENTRE VIDROS

“O vidro duplo insulado com persiana segue o conceito das fachadas duplas ventiladas, num espaço muito menor e com produto industrializado”, ressalta Paulo Duarte. Esse é um sistema que usa dois vidros separados por uma câmara hermética e, portanto, permite a redução do fator solar e do valor “U”, que reduz a passagem de calor quando há diferença de temperatura entre o ar externo e o interno.

A instalação de persiana interna aos vidros exige uma câmara um pouco maior que a convencional de 12 mm: em geral, são utilizadas as de 20 mm a 22 mm . Para movimentá-la, pode-se fazer uso do cordão, de botão ou mesmo de motor. “A grande vantagem dessa tecnologia está no fato de a persiana ficar protegida dentro da câmara hermética. Assim, sem o contato humano, ela não quebra, não é agredida pelas intempéries, dispensa limpeza e manutenção”, ensina. Além disso, o uso da persiana dispensa a necessidade de vidro de altíssima eficiência energética, podendo-se optar por um float com controle solar. O vidro interno, por sua vez, deve ser laminado por questões de segurança.

“Quando essa tecnologia chegou, os instaladores rompiam o selo do vidro insulado para inserir ali a peça que opera a movimentação das persianas. Porém, esse tipo de vidro não pode e não deve ter o selo rompido. Para resolver o problema, foi criado o sistema magnético, pelo qual a engrenagem responsável pelo movimento de sobe e desce, ou de bascular das persianas que estão dentro dos vidros, tem um magneto, e outro, como elemento de comando externo”, ressalta Duarte. Outro cuidado que a solução requer diz respeito à pintura das lâminas: por estarem expostas a altas temperaturas dentro da câmara, a pintura das lâminas não pode liberar materiais voláteis e contaminar o sistema. Dessa forma, requerem pintura com tinta especial, procedimento que obriga ao uso de lâminas importadas e com essa garantia.

O consultor lembra ‘case’ recente, em que foi chamado pela Secretaria de Obras do Governo de Minas Gerais para apontar a melhor solução para os vidros dos edifícios da Cidade Administrativa, projeto de Oscar Niemeyer para o Governo de Minas Gerais. “O arquiteto desejava uma solução que agregasse eficiência energética ao edifício, mas descartava vidros refletivos, brises ou elemento sombreador interno ao ambiente. A solução adotada foi a persiana entre vidros duplos insulados, que acabou se configurando, segundo o fabricante, como a maior obra do mundo com essa tecnologia”, relata.

Embora esse produto tenha ótima aceitação em todos os tipos de prédios, os que mais o utilizam são os hospitais, eliminando as cortinas ou sombreadores internos ao ambiente, exatamente pela questão da não contaminação. Para atender uma necessidade específica desse usuário, foi desenvolvido na Itália um aperfeiçoamento dessa solução: a persiana basculante junto com uma cortina celular blackout. Hoje, a única empresa que possui essa tecnologia no Brasil é o EuroCentro. “Essa persiana só bascula, porque o blackout – uma peça plissada - está abaixo dela. Para escurecer completamente o ambiente é necessário que se suba a persiana convencional para que ela vá puxando, de baixo, a tela do blackout. É mais caro, mas o resultado é muito eficiente”, conclui Duarte.

Redação AECweb

COLABOROU PARA ESTA MATÉRIA

Soluções para sombreamento de fachadas Paulo Duarte: Arquiteto graduado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Mackenzie. Foi consultor para projetos na área hospitalar e industrial, tendo também coordenado projetos e obras.

A partir de 1967 trabalhou em várias empresas sempre com a responsabilidade pela coordenação de projetos e o planejamento técnico de construções especiais para a Kibon/General Foods, Construtora Norberto Odebrecht, Construtora Loyo e Construtora Adolpho Lindenberg.

Entre 76 e 79 exerceu também essas mesmas atividades no exterior, notadamente na América Latina, Arábia Saudita, Nigéria, Gabão e Costa do Marfim, onde colaborou para a viabilização da participação de construtora brasileira naqueles mercados.

Em 1979, fundou a AEC cuja atividade sempre foi a de consultoria nas áreas de arquitetura e construção civil atendendo empresas de projeto e construção, nacionais e internacionais além de grupos multinacionais. Durante os 11 últimos anos, a AEC concentrou suas atividades na área de Consultoria para Esquadrias e seus componentes, vidro para a construção civil e sistemas construtivos de fachadas. Hoje, 90% de suas atividades estão concentradas na Consultoria para o Envelopamento dos Edifícios.

Em 2003, estabeleceu a PCD Consultores, empresa dedicada ao desenvolvimento de estudos, pesquisa, análise de patologias e consultoria específica. Paulo Duarte é membro do comitê 37 da ABNT para o desenvolvimento das Normas de Uso do vidro na Construção, além de participar em outros comitês – Vidros Insulados, Painéis Colados, Esquadrias para Construção. É membro também da Associate Consultant Architect Member da AAMA – American Architectural Manufacturers Association.