Viaduto Mofarrej passa por obra de recuperação estrutural

O reforço emergencial contou com 448 cabos de protensão e 192 blocos de concreto, empregados para combater manifestações patológicas como fissuras e corrosão

Publicado em: 27/02/2020Atualizado em: 06/03/2020

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

Uma das principais alças de acesso de São Paulo passou por importante obra de reforço estrutural entre os meses de setembro e dezembro de 2019. Trata-se do Viaduto Miguel Mofarrej, localizado na zona oeste da cidade, próximo à Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo).

Desde novembro de 2018, quando a ponte da Marginal Pinheiros cedeu, a Prefeitura de São Paulo se mobiliza para recuperar outras “obras de arte” em situação emergencial. E no caso do Viaduto Miguel Mofarrej, foram identificados dois graves problemas: fissuras nos vãos centrais e corrosão nos cabos de protensão.

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“Inicialmente decidimos fazer a interdição total do viaduto para aferir realmente o quanto a estrutura estava danificada, o quanto ela estava ‘doente’, para evitar um problema maior – até mesmo um colapso”, conta o engenheiro civil Paulo Kantovitz, da Passarelli – empresa contratada para fazer a intervenção.

Felizmente a perícia constatou que era possível executar a obra com o bloqueio parcial da via, liberando posteriormente o tráfego para veículos leves, caminhões e ônibus abaixo de 50 toneladas. Tal medida foi providencial, pois não afetou o descarregamento de mercadorias na Ceagesp.

O QUE FOI A OBRA DE REFORÇO EMERGENCIAL?

A obra teve início em setembro de 2019 e abrangeu 12 dos 28 trechos em que o viaduto é dividido.

Esses encontros receberam 448 cabos de protensão para reforço estrutural, inseridos transversalmente. A quantidade utilizada corresponde a 46 toneladas de material ou a 51 km de extensão.

Além disso, foram utilizados 192 blocos de concreto para ancoragem da protensão, quase todos feitos com concreto autoadensável a partir de furos executados por cima do viaduto. Enquanto os blocos que compõem o interior da ponte foram construídos com graute por meio de bombeamento.

Vale ressaltar que a concretagem foi feita sempre no período noturno, justamente para evitar transtornos à região.

“São estruturas independentes, relativamente leves, eficientes e que não causam sobrepeso na estrutura. Por isso, não houve a necessidade de reforçar os pilares ou a fundação. Além disso, foi uma escolha que não onerou a obra”, explica Kantovitz sobre os materiais empregados no reforço.

A ENTREGA DA OBRA

Em alguns períodos, a obra funcionou 24 horas com duas turmas. E nos dias de “pico”, trabalharam cerca de 150 funcionários – todos habilitados para serviços em altura e em espaços confinados. Já o teste de carga foi efetuado no final de dezembro de 2019, no período noturno, e constatou os parâmetros mínimos necessários para a liberação do viaduto.

INTERVENÇÕES FUTURAS

De acordo com o engenheiro, a Prefeitura de São Paulo já abriu o processo de licitação para dar início a outras reformas que a ponte precisará ser submetida para que esteja completamente recuperada – a Passarelli, nesse caso, cuidou apenas da etapa de reforço emergencial.

“Ainda precisarão ser feitas a substituição de aparelhos de apoio, a recuperação de trechos de armação que já sofreram processo de corrosão, a reposição de parte do concreto que teve algum tipo de desplacamento, a reposição de parte do revestimento asfáltico, a recomposição da sinalização horizontal e vertical, a readequação da iluminação conforme as normas atuais...então são várias disciplinas”, conclui.

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