Vidros low-e controlam transmissão térmica em fachadas envidraçadas

De alta transparência, os materiais também proporcionam aproveitamento de luz natural sem comprometer o conforto de ambientes internos

Publicado em: 03/06/2016

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

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Os vidros também apresentam alto nível de transparência e baixa reflexão (Serjio74/shutterstock.com)

Vidros low-e (do inglês, low emissivity) são aqueles que apresentam, em uma de suas faces, um revestimento extrafino de metais e óxidos metálicos que proporciona baixa emissividade de calor. Invisíveis a olho nu, essas partículas nanométricas absorvem raios infravermelhos, permitindo controlar tanto o ganho quanto a perda térmica.

A solução pode ser utilizada em fachadas de edifícios para melhorar o conforto ambiental e a eficiência energética do projeto. “Dependendo da posição em que a superfície low-e é aplicada, o vidro pode reduzir o ganho de calor solar em climas muito quentes ou manter os ambientes internos aquecidos em climas muito frios”, explica Fernando Westphal, doutor em engenharia civil e pesquisador do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Assim, o posicionamento inadequado do produto pode levar a um desempenho contrário ao esperado.

Embora sejam especialmente indicados para controlar a transmissão térmica entre ambientes, os vidros low-e possuem utilização ampla, como em freezers verticais para armazenamento de bebidas. “Eles são recomendados para qualquer aplicação em que se necessita reduzir a radiação de raios infravermelhos”, diz Remy Dufrayer, gerente de desenvolvimento de mercado da Cebrace.

Como o processo de revestimento quase sempre envolve prata na composição, os vidros devem ser duplos para evitar a corrosão da camada de baixa emissividade. “Na maioria dos casos, são usados em composição insulada, com a superfície low-e atuando para o interior da câmara de ar”, conta Westphal.

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O low-e pode manter ambientes internos aquecidos ou reduzir o calor solar que entra (arquivo/Fernando Westphal)

OUTRAS VANTAGENS

Os vidros low-e também apresentam alto nível de transparência e baixa reflexão, o que permite melhor aproveitamento da luz natural e reduz o efeito de espelhamento comum em outros tipos de fachada envidraçada. O método de revestimento, que consiste na deposição a vácuo dos metais, é que proporciona tais características, além de viabilizar a produção de vidros em uma ampla variedade de cores. “É possível trabalhar com tonalidades únicas a cada projeto, aliando neutralidade e pouco espelhamento”, diz Hugo Scapolan, coordenador de produto da GlassecViracon.

Dependendo da posição em que a superfície low-e é aplicada, o vidro pode reduzir o ganho de calor solar em climas muito quentes ou manter os ambientes internos aquecidos em climas muito frios
Fernando Westphal

Por permitir a iluminação natural de ambientes internos sem comprometer o conforto térmico, os vidros low-e reduzem o uso de equipamentos de climatização e luzes artificiais, diminuindo também o consumo de energia elétrica. “Eles são ideais para obtenção de certificações como LEED, AQUA e outras”, afirma Scapolan.

CUSTO-BENEFÍCIO

O preço do metro quadrado de um vidro insulado low-e pode variar entre R$ 200,00 e R$ 300,00. De acordo com estudos por simulação computacional desenvolvidos na Universidade Federal de Santa Catarina, um prédio de escritórios que opta pelo uso do material pode ter o investimento amortizado em até 5 anos numa região com clima semelhante ao da cidade de Fortaleza. A Taxa Interna de Retorno (TIR), segundo o estudo, pode ser superior a 20%.

“Isso considerando apenas a economia de energia em climatização ao longo dos anos e sem levar em conta os sucessivos aumentos recentes nas tarifas de energia elétrica. Se for considerar a economia no dimensionamento do sistema de ar-condicionado, o retorno do investimento pode ser pago em menos de 2 anos”, revela Westphal.

É possível trabalhar com tonalidades únicas a cada projeto, aliando neutralidade e pouco espelhamento
Hugo Scapolan

CUIDADOS ESPECIAIS

Os vidros low-e não podem ficar expostos às ações de intempéries e de agentes químicos, pois podem se deteriorar com o passar do tempo. “O próprio contato com o caixilho pode iniciar a oxidação da superfície de baixa emissividade”, salienta o pesquisador. Como existem diferentes processos de fabricação, a orientação é que o consumidor consulte o fornecedor do vidro acerca dos cuidados necessários para instalação e manutenção.

De acordo com Scapolan, é necessário que os processos de armazenamento e limpeza sejam rigorosamente atendidos para assegurar a qualidade. A área de estocagem dos vidros deve estar limpa, seca e arejada, além de protegida contra poeira, sol e chuva. “Já a manutenção pode ser feita com um pano ou esponja macia, utilizando detergente neutro solúvel em água, limpa-vidros ou água em temperatura ambiente”, completa. O uso de álcool e limpadores abrasivos, como lãs de aço, deve ser evitado.

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Colaboração técnica

Fernando Simon Westphal – Engenheiro civil, doutor em engenharia civil, professor e pesquisador do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). É sócio-fundador da empresa ENE Consultores (SP e SC).
Hugo Alves Scapolan – Coordenador de produto da GlassecViracon, onde atua com foco na solução de vidros para projetos arquitetônicos. É responsável pelo estudo e implementação de novos produtos, além da criação e apresentação de soluções técnicas para projetos de acordo com cada exigência em sua análise crítica.
Remy Dufrayer – Gerente de desenvolvimento de mercado da Cebrace. Formado em engenharia mecânica pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2001 e pós-graduado em Gestão de Negócios pela Fundação Instituto Administração (FIA), da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). Está há 14 anos no setor vidreiro.