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Você sabe como instalar corretamente os pisos de madeira? Aprenda

O uso de cola de poliuretano ou pregos/parafusos depende, basicamente, do tipo de peça. Confira, a seguir, os diferentes procedimentos e saiba quando aplicar cada um

Publicado em: 10/07/2018Atualizado em: 27/03/2023

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

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Tipo de aplicação é definido conforme características da peça (Stanisic Vladimir/shutterstock)

Pisos de madeira proporcionam acabamento refinado para os mais variados ambientes. Devido às características de sua matéria-prima, esse tipo de revestimento apresenta temperatura agradável ao toque, além de ser fácil de limpar. No entanto, para que todos os benefícios sejam plenamente aproveitados é essencial que a instalação seja executada corretamente.

“Quem realizará o trabalho precisa ter conhecimento técnico e seguir as recomendações do fabricante. Além disso, sempre que possível, é interessante a supervisão do arquiteto ou responsável pela obra durante todo o procedimento”, orienta Marcos Siewert, diretor de Negócios da Scandian Revestimentos. A mão de obra despreparada aumenta o desperdício de materiais e o retrabalho para remediar erros.

Veja pisos de madeira no Portal AECweb
Veja assoalhos de madeira no Portal AECweb

O planejamento da instalação começa após a escolha do tipo de piso de madeira, visto que cada modelo pede um método executivo específico. “Basicamente, existem duas alternativas: com cola de poliuretano (PU) ou com parafusos. Outra opção é mesclar as soluções, criando uma alternativa mista que garante melhor fixação”, informa Rafael Lima, diretor de Operações da Zanchet Madeiras.

A cola PU é indicada para tacos, parquetes e assoalhos com encaixes de comprimentos variados, com limite de até 2 m. Já o sistema com buchas e parafusos costuma ser utilizado em assoalhos com peças mais compridas, que tendem a entortar com o passar do tempo, devido ao movimento natural da madeira. Com o método de instalação definido, o processo começa com a preparação do contrapiso, que deve estar plano, seco, livre de umidade e limpo.

Quem realizará o trabalho [de instalação] precisa ter conhecimento técnico e seguir as recomendações do fabricante. Além disso, sempre que possível, é interessante a supervisão do arquiteto ou responsável pela obra durante todo o procedimento
Marcos Siewert

ETAPAS PRÉ-INSTALAÇÃO

A colocação do piso de madeira deve acontecer na etapa final da obra, depois que a parede já tiver recebido a primeira demão da pintura, o gesso tiver sido aplicado, e as esquadrias estiverem assentadas. O cuidado se justifica porque qualquer material contaminante que caia sobre o revestimento, como tiner ou tinta, acaba sendo absorvido pela madeira, e não há como removê-lo.

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Antes da instalação, o profissional precisa verificar se a quantidade de peças disponíveis será suficiente para cobrir toda a área. Essa simples análise evita que o procedimento seja interrompido até que nova leva de materiais chegue. “Também é interessante separar as réguas por tonalidade e medida, já que a distribuição harmônica está diretamente relacionada com o aspecto visual que se deseja alcançar”, destaca Siewert.

O instalador deve garantir a existência de espaço, que varia entre 1 cm e 1,5 cm, entre o piso e a parede. Essas pequenas juntas de dilatação permitem que a madeira trabalhe sem problemas. “A medida precisa se manter uniforme por toda a extensão da parede”, afirma o diretor de Negócios da Scandian Revestimentos. Caso essa providência seja negligenciada, as peças vão empenar ou se soltar ao longo do tempo, pois o movimento de uma empurra as vizinhas em um efeito dominó.

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INSTALAÇÃO

A instalação do piso de madeira com cola PU deve ser realizada em ambiente com temperatura entre 15°C e 25°C. O produto é distribuído por todo o contrapiso com uma espátula dentada de plástico ou metal, sendo que a quantidade a ser aplicada varia conforme o tipo de produto — informação disponibilizada pelo fabricante. Na sequência, as réguas de madeira são acondicionadas sobre a cola, sempre evitando espaços ou frestas entre as peças.

Em casos de pisos muito finos, pode ser interessante usar algum peso sobre as peças ou fitas adesivas para melhorar a aderência. Além da cola tradicional de PU, o mercado oferece outros produtos que podem ser usados na instalação. Por exemplo, adesivos à base de água (PVA) ou aqueles que, além da fixação, também cumprem o papel de corrigir possíveis irregularidades existentes no contrapiso.

Basicamente, existem duas alternativas [de instalação]: com cola de poliuretano (PU) ou com parafusos. Outra opção é mesclar as soluções, criando uma alternativa mista que garante melhor fixação
Rafael Lima

Já o parafuso é preso diretamente no contrapiso com uma bucha. “Também podem ser usados pregos (de preferência de arame de aço), porém, em vez de introduzi-los no concreto, ele são usados em conjunto com barrotes”, diz Lima. “O barrote tem resultados muito bons, mas não é tão utilizado por representar uma etapa a mais a ser gerenciada na obra”, justifica.

A fixação das peças por meio de parafusos ou pregos é feita através de encaixes. Durante o procedimento, pode ser colocado entre o piso e o barrote/contrapiso, pedaços de borracha ou EVA. Esses elementos ajudam a reduzir os barulhos causados quando alguém caminha sobre a superfície e também atuam no amortecimento de esforços.

Esse método de instalação termina com a colocação das cavilhas sobre todos os parafusos quando o assoalho tem peças com 20 cm de largura. No entanto, réguas com até 15 cm de largura podem ser parafusadas com sistema macho e fêmea, não necessitando de cavilha, porque o parafuso já fica escondido.

Por fim, o procedimento misto combina as duas alternativas. “Normalmente, quando é necessária a fixação com parafusos, as empresas costumam optar pela solução mista. No entanto, o método mais utilizado em madeiras mais curtas é a colagem, por ser rápida e estar em conformidade com as normas de instalação”, comenta Lima.

COLOCAÇÃO DOS RODAPÉS

Os rodapés são indispensáveis na finalização da instalação, pois servem tanto para complementar o acabamento do ambiente quanto para esconder os vãos deixados entre parede e piso. “Quando colocados, não devem ser pressionados contra a madeira. O ideal é que apenas toquem levemente a superfície, permitindo que as peças tenham espaço para dilatação”, ensina Marcos Siewert.

A correta colocação do rodapé depende do tipo de material com que é feito, sendo o poliestireno o mais conhecido e comercializado. “Os rodapés podem ser colados diretamente na parede ou fixados com buchas do tipo ‘T’. O acabamento é feito com silicone ou massa especial para rejunte”, afirma Siewert. Outra opção são as peças de madeira maciça ou material fibroso (MDF), instalados com adesivos de PU ou PVA e pregos de aço.

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LIBERAÇÃO DO TRÁFEGO

Uma das vantagens do piso de madeira é que praticamente logo após a sua instalação, o tráfego pode ser liberado. “Se a fixação for feita com parafusos, assim que o trabalho acaba, as pessoas estão imediatamente autorizadas a andar sobre a superfície”, ressalta Lima. Se o procedimento ocorrer com cola PU, o prazo gira em torno de três horas para tráfego normal. Já a cura total ocorrerá em 48 horas.

Mesmo com o tráfego autorizado, é necessário esperar 30 dias para a aplicação do acabamento no piso, pois este é o tempo para acomodação das peças instaladas. Após esse primeiro mês, é feito o lixamento total da superfície e, depois, a aplicação do verniz. Se for necessária uma nova demão de tinta nas paredes ou qualquer outro reparo no ambiente, o piso deve ser devidamente protegido.

Acabamento e manutenção

O mercado oferece pisos de madeira com ou sem verniz. Quando o acabamento é executado in loco, o profissional tem de conhecer o procedimento e utilizar somente materiais de qualidade. Antes da aplicação de qualquer solução sobre a superfície de madeira, a recomendação é consultar o fornecedor. “Além disso, o revestimento pode ser lixado e rejuvenescido, elevando sua vida útil”, acrescenta Siewert.

Os pisos de madeira exigem baixa manutenção quando cuidados de maneira adequada. Nos primeiros 30 dias após a aplicação do verniz, a limpeza deve ser realizada somente com pano seco, porque a resina ainda está em processo de cura. “Encerrado o prazo, podem ser usados pano levemente umedecido ou produtos aprovados pelo fabricante do verniz”, finaliza Lima.

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Colaboração técnica

Marcos-Siewert
Marcos Siewert – Formado em Ciências Contábeis, tem mais de 10 anos de experiência na área de Comércio Exterior. É diretor de Negócios da Scandian Revestimentos desde 2013.
Rafael-Lima
Rafael Lima  – Formado em Análise de Sistemas, tem oito anos de experiência na área de produtos industrializados em madeira. Ocupa o cargo de diretor de Operações na empresa Zanchet Madeiras.