Volume de concreto e controle de temperatura são etapas críticas nas fundações

Planejamento rigoroso, traço especial e técnicas de resfriamento foram cruciais para sucesso da execução de blocos de fundações de edifício triple A paulistano

Publicado em: 14/05/2021Atualizado em: 21/07/2021

Texto: Juliana Nakamura

Esther Towers
A estrutura das Esther Towers chama atenção pelos pilares inclinados (Imagem: Divulgação/Eztec)

Com conclusão prevista para março de 2023, as Esther Towers são um complexo corporativo triple A atualmente em construção na zona sul de São Paulo, em um novo eixo comercial da cidade próximo à marginal do Rio Pinheiros. Desde as etapas iniciais, a obra vem superando desafios técnicos em função de suas dimensões. Com área total construída de quase 165 mil m², o empreendimento é composto por duas torres com linhas arrojadas concebidas pelo arquiteto Carlos Ott, conectadas no topo por um heliponto. Cada torre contará com 31 pavimentos, além de três subsolos.

SAPATAS DE GRANDES DIMENSÕES

Durante a execução, a construtora precisou lidar com um grande volume de escavação, que chegou a 14 m de profundidade e envolveu a remoção de 140 mil m³ de terra. Para viabilizar o trabalho conforme o cronograma, foi preciso criar dois turnos de trabalho.

Em um prédio dessa dimensão, muita coisa pode dar errado. Por isso, fizemos uma série de simulações para planejar essa concretagem e deixamos uma reserva técnica para o caso de algum problema
Roberval Vieira

“Quando chegamos à etapa de fundações, os desafios envolveram a execução de 14 mega sapatas, a maior delas com 1.700 m³ de concreto”, conta Roberval Vieira, superintendente de desenvolvimento de projetos na EZ Inc. Ele conta que a logística para concretar esse elemento exigiu um plano de ataque especial, com quatro bombas-lança operando simultaneamente e um fluxo de caminhões intenso para abastecer a obra de concreto. “Em um prédio dessa dimensão, muita coisa pode dar errado. Por isso, fizemos uma série de simulações para planejar essa concretagem e deixamos uma reserva técnica para o caso de algum problema”, continua Vieira.

CONTROLE DE CALOR

A concretagem da mega sapata durou onze horas, sem interrupções. Em média, para cada caminhão-betoneira, o descarregamento foi realizado em três minutos totalizando 215 carregamentos. “O planejamento prévio foi fundamental para conseguirmos atingir tal índice de produtividade e garantir o lançamento de todo o concreto com as temperaturas contratadas”, diz Janaína Alves de Morais, gerente técnica da Engemix/Votorantim Cimentos.

A concretagem também exigiu a elaboração de um traço especial, capaz de atingir alta resistência e ser utilizado em todo o bloco. “Em função do volume da sapata, era fundamental controlar o calor gerado pelo material para evitar futuras patologias de origem térmica como a formação de etringita tardia”, explica Fernando do Carmo Holanda, coordenador de desenvolvimento técnico de mercado da Votorantim. A solução encontrada foi adicionar gelo à concretagem em três etapas. “Com isso, conseguimos limitar em até 65 graus Celsius o calor total liberado pelo concreto no bloco”, continua Holanda.

O concreto utilizado nas fundações das Esther Towers se caracteriza por atingir alta resistência — 50 MPa e 65 MPa — com baixo consumo de cimento e alta fluidez, com slump de 22 a 26 para lançamento. Ao todo foram utilizados três traços diferentes com classe de consistência S220 e dosagens distintas de gelo.

Para o controle da qualidade durante a execução dos blocos de fundações, foram realizadas medições de temperatura do concreto, testes de consistência pelo abatimento do tronco de cone (slump test) e de módulo de elasticidade, além de moldagens de prova para ensaio de compressão axial em diversas idades.

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ESTRUTURA EM EXECUÇÃO

Atualmente em execução, a estrutura das Esther Towers chama atenção pelos pilares inclinados, pelo pé-direito livre de 3 m e de vãos livres que chegam a 16 m vencidos por vigas protendidas.

Buscando um equilíbrio entre velocidade de execução e custo, a obra combina soluções construtivas tradicionais, como estrutura moldada in loco, com sistemas que permitem maior grau de industrialização, como aço cortado e dobrado, escoramento e fôrmas metálicas - essas últimas usadas também na moldagem de pilares inclinados.

TRIPLE A SUSTENTÁVEL

As Esther Towers foram concebidas visando o mercado de espaços corporativos de alto padrão que vem passando por profundas transformações desde o início da pandemia de Covid-19, com a maior adesão ao trabalho remoto.

O objetivo foi atender as exigências crescentes por eficiência, saúde e bem-estar dos ocupantes
Silvio Iamamura

A volatilidade do cenário exigiu que, ao longo do ciclo de desenvolvimento, os projetos fossem adaptados. “O objetivo foi atender as exigências crescentes por eficiência, saúde e bem-estar dos ocupantes”, conta Silvio Iamamura, diretor operacional da EZ Inc. Ele cita, entre as soluções incorporadas, os estudos de fluxo de pessoas considerando o maior distanciamento social e a instalação de equipamentos hidrossanitários touchless.

Iamamura conta que, desde o início do projeto, a ideia foi desenvolver um conjunto com soluções e tecnologias que permitissem reduzir o consumo de água e de energia, visando a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) nível Gold. “Tais ganhos de eficiência se refletem em redução de pegada ambiental e em menores taxas condominiais”, continua o executivo.

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Colaboração técnica

Janaína Alves de Morais
Janaína Alves de Morais — Engenheira civil com MBA em gestão empresarial pela Fundação Getúlio Vargas. É gerente técnica da Engemix, Unidade de Concreto da Votorantim Cimentos.
Fernando do Carmo Holanda
Fernando do Carmo Holanda — Químico Industrial e mestre em processos industriais. É coordenador de Desenvolvimento Técnico de Mercado na Votorantim Cimentos.
Silvio Iamamura
Silvio Iamamura — Arquiteto e urbanista, é diretor de operações imobiliárias na EZ Inc..
Roberval Vieira
Roberval Vieira — Engenheiro civil, é superintendente de desenvolvimento de projetos da EZ Inc.