A gestão da empresa familiar aos moldes da nova era

Texto: Redação PE

Num tempo que pode ser, hoje, denominado bem distante ou “um tanto quanto ultrapassado”, nos deparávamos com corporações pouco distintas entre si: ou eram pequenas empresas familiares ou, aquelas que já estabelecidas em seus países de origem, vinham se estabelecer num outro país – local seguro e com crescimento em andamento e certeiro. O Brasil era um destes destinos.

Àquela época a fórmula para se administrar bem tais empresas era única e, normalmente, seguida à risca: as familiares passavam de geração a geração, sem restrições e num processo considerado natural: de pai, para filho, para neto, para bisneto e, assim, sucessivamente. Em relação às grandes empresas abriam suas portas para a contratação de mão de obra farta daqueles que fugiam do árduo trabalho na roça em busca de uma oportunidade na cidade grande. O caso mais típico era o dos nordestinos que de pronto já se colocavam no mercado de trabalho em grandes montadoras de veículos ou construtoras que erguiam as principais capitais do país num processo rápido e, posteriormente, definido como desordenado.

Os trabalhadores acordavam cedo, iam para seus trabalhos, tinham uma carga horária intensa e extensa, voltavam para seus lares, ficavam um pouco com suas famílias, descansavam e, no dia seguinte, a rotina era retomada. Alguns poucos arriscavam, no período após o trabalho, ir à escola para alfabetização, cursos de especialização ou outras atividades que pudessem melhorar seu conhecimento e lhes proporcionarem um currículo diferenciado.
Algumas décadas se passaram e esta rotina repetiu-se sem cessar exatamente da mesma forma. Isto perdurou até o surgimento dos grandes sindicatos, da concorrência formada com a entrada de novas empresas, o boom da informática (mais exatamente da internet) e, por consequência, da percepção pelas próprias empresas e, mais ainda, dos trabalhadores, de que ficar na zona de conforto não mais agregava nada.

O caminho então foi a mudança, de certa forma radical, do modo de gerir uma empresa. As familiares têm um histórico de serem as de maior número no país e também as que mais fecham após a morte do fundador. Poucas são as que permanecem ativas até a terceira geração e um percentual mínimo chega aos 100 anos. E por que isto acontece? Porque é chegado o momento de profissionalizar a empresa familiar. Estas organizações precisam preparar um plano de sucessão, estruturar-se e partir para a governança corporativa. Ou, em outras palavras, profissionalizar sua gestão. Mudanças radicais nos cenários político e econômico, a concorrência ferrenha, a necessidade intensa de algo novo e diferente, além da atualização praticamente minuto a minuto da interpretação de fatos exige olhos, ouvidos, mãos e cabeças pensantes, atentas o tempo todo.

E de que forma a empresa familiar pode adequar-se? Para tanto, o ideal é já descobrir desde cedo, se os herdeiros têm interesse verdadeiro em dar sequência aos negócios da família. Porque, caso não haja tal interesse, o plano de sucessão deve ser posto em ação rápida e intensamente. Deixar para pensar nisso, apenas quando o atual dirigente não tiver mais condições de exercer suas funções? Reflitamos a respeito...

Colocar a família para trabalhar se o aceite for mútuo é o básico. Sim, porque não adianta o fundador trabalhar tanto, contratar e treinar colaboradores, “atualizar-se” em todos os setores que compõem uma empresa e quando chega o momento de passar o bastão, o próximo na sucessão, não tem o mínimo preparo para tal responsabilidade. Portanto, este também deve passar pelo treinamento como todos os demais colaboradores, independente de seu sobrenome.

É fato que as empresas familiares inspiram maior cuidado e lealdade dos colaboradores. E, boas relações familiares, geram maior confiança e estimulam a comunicação positiva. Desta feita, criar e manter uma ideologia coerente são a base para a construção de uma hierarquia de valores sólida, transparente e que irá inspirar as próximas gerações e permitirão perpetuar o sonho iniciado por um patriarca, ou matriarca que, em seu tempo, conseguiu transpor barreiras.

Laudemira Ribeiro - Coach Pessoal e Profissional, Consultora Financeira de Reestruturação