Ações do setor de construção valorizam 53% no semestre

Texto: Redação AECweb

Salto demonstra que as quedas do segundo semestre do ano passado foram exageradas

15 de julho de 2009 - O Índice Imobiliário (Imob), que reúne as ações das empresas do setor da construção na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), serve como termômetro do setor. Entre janeiro e junho esses papeis já subiram 53,61%. Incluindo as primeiras duas semanas de julho ao período, a alta vai para 63%.

A pontuação diária do Imob, que chegou a mil pontos em dezembro de 2007, intercalou altas e quedas acentuadas até agosto último, mas despencou de setembro a dezembro, ensaiou recuperação até fevereiro e agora sobe vigorosamente, fechando a 570 em 30 de junho - ainda muito abaixo do pico de mil pontos de 2007.

O índice é formado pela Abyara (imobiliária), Agra, BR Malls (shoppings e Villa Daslu), Brookfield, CCDI (Camargo Correa), Cyrela, Gafisa, MRV, PDG, Rossi, Tecnisa e Tenda. A Bovespa possui diversos índices que reúnem as empresas por setores, o que permite acompanhar o desempenho setorial da economia. O imobiliário é um deles.

O salto de 53,61% demonstra que as quedas do segundo semestre do ano passado foram exageradas, o que deixou muito espaço para a recuperação neste ano. Na época, analistas previam que várias empresas de construção não aguentariam o baque e quebrariam. Obviamente, as ações caíram.

A previsão não se confirmou. Além de se adequarem às novas circunstâncias, reduzindo gastos e revendo os empreendimentos de difícil comercialização, as empresas iniciaram um movimento de concentração. Brascan, Company e MB formaram a Brookfield. Já a Gafisa comprou a Tenda.

Além disso, o bilionário espanhol Enrique Bañuelos fez sociedade com a Agra e levou a Abyara e a KlabinSegall. Esta última, no final de 2007, tinha comprado a Setin. Em abril, a Cyrela adquiriu a gaúcha Goldsztein.

Juros menores
Os analistas também não conseguiram prever que o Governo teria sucesso em suas iniciativas anticrise. Os juros caíram e os financiamentos cresceram, atingindo imóveis de maior valor que deixaram de receber crédito dos bancos privados.

Paralelamente, o programa Minha Casa, Minha Vida, voltado a famílias com renda até dez salários mínimos, tem sido decisivo para o setor.

Basta observar a valorização das ações da Tenda e MRV, que produzem imóveis para esse público. De janeiro a junho, o Ibovespa subiu 27,88% e os papéis da construção tiveram alta de 53,61%. Já a Tenda cravou +166,67% e a MRV, +151,02%.

Fonte: A Tribuna – SP