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Apartamentos ficam menores e mais caros no Grande ABC

Texto: Redação AECweb

Construtoras aumentaram os preços em até 16%

02 de fevereiro de 2011 - Apartamentos menores e mais caros. Esse é o saldo do mercado imobiliário do Grande ABC em 2010. Amparado pelo aquecimento das vendas e pelo maior interesse de consumidores da Capital, as construtoras aumentaram os preços em até 16%, mas não tiveram dúvidas no que fazer para manter o valor atrativo e não perder clientes: enxugaram em até 13 m² a área dos locais.

Para se ter ideia, um modelo com dois quartos possuía, em média, 59 m² em 2009 e custava cerca de R$ 165 mil. Já em 2010, em meio ao turbilhão do aumento da demanda, o espaço saía por R$ 173,5 mil - o que animava compradores pela bagatela do negócio - no entanto, a metragem do novo imóvel caiu para 53,5 m².

O presidente da Acigabc (Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC), Milton Bigucci, justifica que a diminuição dos espaços é normal e acompanha o movimento do mercado, focado em agradar o bolso dos consumidores. "Isso tem acontecido há tempos, não começou ano passado. Ao longo de vários anos, as metragens vem diminuindo, mas para permitir o acesso a compra por todos os clientes interessados. A localização e o público alvo da construção é o que dita isso", avalia.

Os interessados em adquirir apartamentos com três quartos no Grande ABC também pensaram ter feito negócio da China ao pagar cerca de R$ 280 mil por um imóvel que antes custava cerca de R$ 289 mil no ano anterior. No entanto, de 2009 para 2010 esse modelo de construção teve 13 m² arrancados do projeto para poder caber no sonho dos consumidores. Ele que antes tinha 93 m², passou a ocupar apenas 80 m².

Para o diretor da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio ), Luiz Paulo Pompeia, empresa que detém os dados, a região aproveitou o boom imobiliário para aumentar preços e encolher espaços. No entanto, ainda oferece valores melhores do que a Capital. Em comparação com um local nobre do bairro do Ipiranga, por exemplo, os custos médios dos imóveis em regiões populares do Grande ABC ainda são mais vantajosos.

Lá, o preço do m² custa cerca de R$ 4.800. "O que percebemos é que o Grande ABC está passando por grande valorização, mas é cabível, porque a qualidade de vida, via de regra, é melhor do que da Capital, proporcionalmente pelo perfil dos bairros comparados aos da Capital. Assim , é mais barato morar no Grande ABC, que oferece a mesma infraestrutura comercial e diferenciais, como segurança e trânsito, termos fundamentais na hora de escolher", exemplifica.

Para Pompeia, a região deve passar ainda por novo ciclo de aquecimento no mercado focado, prinicipalmente, nos moradores da Capital que buscam, enfim, a casa própria. "O que sentimos é que a Capital está empurrando os habitantes para outras cidades porque o preço do terreno, principal matéria-prima para projetos imobiliários, está proibitivo na Capital, e isso é passado para o comprador final. E mesmo com a alta dos preços, o Grande ABC ainda surge como grande opção."

Imóveis de alto padrão ganham área, mas encarecem 36%

Comprar um imóvel nobre, com ampla área em bairro bem localizado na região também ficou mais caro em 2010. O preço médio do m² desses espaços pulou de R$ 3.551 para R$ 4.858, encarecendo 36%. No entanto, nestes casos a metragem média foi de 159 m² para 192 m².

"As unidades subiram o padrão, para agradar exatamente esse público de classe média alta que já não encontra espaços assim em São Paulo", explica o diretor da Embraesp, Luiz Paulo Pompeia.

Com a demanda aquecida, as encorporadoras que atendem esse público, em específico, viram na região um oásis de oportunidades. Além de amplos terrenos, a proximidade de grandes vias de acesso rápido à Capital - como a Imigrantes e Anchieta - permitiram que fosse mantido o padrão de qualidade buscado na Capital, mas com valores bem abaixo dos praticados por lá.

Disparada dos preços dificulta compra programada

O crescimento da demanda por imóveis causou corre-corre aos lançamentos de espaços por todo o Estado no ano passado e fez com que surgisse novo fenômeno na construção civil: a disparada dos preços em poucos dias de vendas.

Foi o que aconteceu com o auxiliar administrativo Everton Rodrigues. Ele e a noiva visitaram, no início de 2010, apartamento com cerca de 50 m² e com preço de R$ 128 mil. Depois da visita, o casal tirou um tempo para estruturar finanças, foi o suficiente para perder a oportunidade. "Quando voltamos, dois meses depois, o apartamento no mesmo andar já custava R$ 160 mil. Se antes precisamos fazer contas, com esse valor ficou inviável comprar."

Para dificultar a situação, o valor cobrado pela incorporada tirava do casal a chance de se adequar ao programa Minha Casa, Minha Vida, que oferece subsídio para financiar a obra com juros menores do que do financiamento normal. "Voltamos a estaca zero e ainda estamos procurando. Desde então não achamos nada por menos de R$ 150 mil. É complicado", diz.

Para o presidente da Acigabc, Milton Bigucci, o encarecimento acontece pela grande procura pelos espaços, mas não deve seguir o mesmo ritmo neste ano. "Quando lançamos uma obra o preço está lá embaixo e depois começamos a subir, conforme os apartamentos são vendidos. Apesar do grande interesse pela região, não teremos a demanda tão aquecida quanto em 2010 e os preços serão mantidos por mais tempo", avalia. Bigucci completa que os imóveis populares seguirão escassos, uma vez que o preço dos terrenos segue em escalada.

Fonte: Diário do Grande ABC - SP

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