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Ativo imobiliário aposta em demanda de fundo de pensão

Texto: Redação AECweb

CVM registrou até dezembro de 2009 31 ofertas desses fundos, com volume de R$ 3,245 bilhões

12 de janeiro de 2010 - Além da redução da taxa básica de juros e da projeção de que o setor de construção civil cresça com força em 2010, os fundos de pensão devem ser os grandes responsáveis pelo crescimento do mercado de Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs), dizem crer especialistas do mercado. Ou seja, o vertiginoso crescimento apresentado no último ano deve vir de novo, apoiado também na grande procura de pessoa física por ativos imobiliários.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) registrou até dezembro do ano passado 31 ofertas desses fundos em 2009, com volume total de R$ 3,245 bilhões, quase quatro vezes mais do que o registrado em 2008, quando ocorreram 26 ofertas que somaram mais de R$ 616 milhões. Segundo a CVM, os 81 fundos disponíveis no mercado financeiro somam Patrimônio Líquido total de R$ 4,707 bilhões.

As ofertas de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) também aumentaram muito entre 2009 e 2008. Segundo a CVM, foram 36 ofertas no ano passado contra 28 no ano retrasado, com volumes de R$ 1,223 bilhão e R$ 875 milhões, respectivamente. Para especialistas, a autorização dada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para que os fundos de previdência possam aplicar até 10% de seu patrimônio em ativos lastreados no mercado imobiliário - ante os 8% permitidos anteriormente - ainda não foi sentida pelo mercado porque os fundos devem rever suas aplicações somente neste ano.

"Os fundos devem estar agora revendo suas políticas de investimento.. O impacto dessas novas regras no mercado ocorrerá neste ano", espera o sócio da Fundo Imobiliário Consultoria em Investimentos, Sérgio Belleza Filho."As instituições brasileiras trarão um forte aumento pelo poder de fogo que têm", avalia o sócio do escritório Navarro Advogados, Alexandre Navarro.

Por conta do aumento das emissões de FIIs no ano passado, esse tipo de investimento passa, também, a se tornar mais conhecido pelo investidor, o que dá mais potencial em relação ao CRI, avalia o diretor executivo da RB Capital, Marcelo Michalua.

"Os Fundos de Investimentos Imobiliários tem maior potencial porque constituem uma classe de ativos nova e também pela expansão do crédito imobiliário em relação ao PIB, que no Brasil ainda corresponde a cerca de 3%. Nos EUA é de 65%", afirma.

No início da década, os FIIs eram pouco emitidos no país por conta da baixa procura, já que a taxa básica de juros era muito elevada e, portanto, os títulos do Tesouro Direto, com risco quase zero, davam rentabilidade semelhante à dos FIIs.

Com essa queda da rentabilidade, os fundos de pensão se viram obrigados a pedir ao CMN um maior aporte em ativos imobiliários. Os gestores dos fundos, segundo Navarro, já não conseguiam cumprir suas metas atuarias e se expunham a mais riscos.

Apesar do otimismo, os especialistas não descartam que uma possível alta da Selic no fim do ano possa abalar o mercado de FIIs. "O que pode afetar o mercado é se a taxa de juros real no mercado for maior, e não somente na nominal. O investidor também terá sensibilidade de que a mudança, se vier, será por pressão inflacionária", explica Michalua.

Setores
A necessidade de investimentos em infraestrutura por conta da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 dão fôlego extra aos FIIs de empreendimentos dessa natureza, estimam os especialistas.

"Essa situação trará algo nunca antes visto no mercado", diz Navarro. "Os empreendedores imobiliários terão dinheiro sobrando, porque haverá muitos recursos para financiamento em bancos e também no mercado de CRIs."

"O prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes disse que vai dar benefícios no IPTU e no ISS para quem investir em obras no Porto Maravilha [complexo integrado voltado para cultura, lazer e infraestrutura]. Ele disse que o porto é a menina dos olhos dele", ressalta Sérgio Belleza, que diz acreditar que o Rio de Janeiro puxará o mercado no início de 2010, pela urgência da entrega das obras.

A entrada definitiva dos fundos de pensão como investidores em ativos imobiliários, como Fundos de Investimento e CRI, deve impulsionar o crescimento.

Fonte: DCI-SP

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