Atrasos em obras da construção civil resultam em prejuízos e gastos excessivos

Texto: Redação AECweb/e-Construmarket

67% dos trabalhadores atuam em operações que não agregam valor ao levantar um prédio

24 de maio de 2013 - A programação de uma obra sempre aparece como uma grande dor cabeça para aqueles que esperam seu fim.  Mesmo com o Sindicato da Construção Civil de São Paulo (Sinduscon) projetando uma expectativa entre 3,5% e 4% de crescimento no segmento, ainda há receio para os compradores, especialmente quando a obra ainda está na planta.

Muitos problemas podem ocorrer em um canteiro de obras: atrasos no canteiro, falta de material específico, ausência de pessoal qualificado, pouco planejamento e desperdício de materiais de construção – cerca de 30% acabam indo para o lixo.

Ainda agrega-se a este cenário o fato que 67% dos trabalhadores em projeto de construção civil estão em operações que não agregam valor na edificação, segundo dados da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Isso reflete no atual cenário da área. Seu valor por metro quadrado (m²) subiu de R$ 863,46 em fevereiro para R$ 865,03 no mês seguinte, como apontou o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi). O valor ainda é mais alarmante quando separamos por região. No Sudeste, por exemplo, o custo do m² chega a R$ 901, 20 – uma diferença de R$ 37,24 perante o cenário nacional.

O Institute for Operacional Excelence Brasil (IOPEX), empresa especialista na consultoria de construção, hospitais e indústrias, realizou um estudo para analisar quais são as maiores fontes de desperdício na construção civil e chegou a 12 pontos que podem ajudar a diminuí-las e atingir a excelência operacional. São eles:

1)       Transporte – Falta de planejamento na saída e entrada de materiais;
2)       Movimentações – Muita movimentação demonstra falta de análise para destinar o profissional para a posição certa;
3)       Área – Um mapa da obra mostrando onde está cada material é essencial para ajudar a reduzir a utilização da área, programar com eficiência as entregas e analisar onde e quando cada matéria-prima estará;
4)       Superprodução – É comum ver o excesso de materiais, mesmo após a finalização de algumas etapas, como armações de concreto. Isto é conhecido como superprodução e influencia diretamente no fluxo financeiro da obra;
5)       Estoques – O controle de estoque na construção civil precisa ter a mesma disciplina de outros setores, com inventários periódicos e dando responsabilidade por perdas, algo nulo ou pouco existente nas obras;
6)       Processos Desnecessários – O investimento em analisar processos produtivos, como o fluxo de materiais, é pouco. Uma análise dos processos pode ajudar a diminuir tempo de execução, desperdício de materiais e reduzir os custos;
7)       Espera – É comum ver um profissional em um canteiro trabalhando enquanto cinco ou seis estão parados. Isso é devido à falta de sincronismo entre as atividades que pode ser resolvido com planejamento adequado;
8)       Atrasos ou variações de prazo – Atraso também é visto com normalidade nas obras. Inclusive, é comum acelerar outra tarefa, sem estudá-la apropriadamente. Criando uma falta de união entre as atividades;
9)       Defeitos – O defeito é um problema cultural na construção civil. Ele é aceito em muitos casos e resulta em uma entrega defeituosa do produto;
10)     Falta de Padrão – A falta de matéria-prima padronizada não é considerado importante nas obras. Impossibilitando um modelo de produção padronizado;
11)     Planejamento – Na construção se faz cronograma, mas pouco é planejado. É preciso planejar, não apenas para cumprir prazo, mas para fornecer recursos em cada etapa, eliminar restrições e interferência que atrapalhem seu curso;
12)     Liderança – Há pouca relação entre o cronograma e a gestão em si. As obras precisam de processos que auxiliem na liderança das equipes, com formatos mais simples e eficazes para rápida resolução dos problemas. 

Para Jevandro Barros, Diretor do IOPEX, o grande objetivo em se conseguir excelência operacional nos canteiros “é reduzir ao máximo as atividades que não agregam valor ao produto final”, ou seja, a edificação. “Na Europa e nos Estados Unidos essa etapa já foi transportada, no Brasil ainda falta arregaçar as mangas e colocar essa nova visão em ação”, explicitou.

Fonte: IOPEX/ Brasil