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Banco de terrenos garante investimentos em alto padrão do setor imobiliário

Texto: Redação AECweb

Presidente da consultoria de mercado imobiliário afirma que construtoras com estoque de terrenos para a alta renda não deixará de investir nesse segmento

24 de agosto de 2009 - O programa "Minha Casa, Minha Vida" do governo federal tem mexido com os ânimos do setor de construção, tendo em vista que várias empresas, depois da divulgação de seus resultados do segundo trimestre de 2009, disseram-se empenhadas em investir nos projetos para a classe econômica. Na outra ponta, porém, o alto padrão não perderá força se depender de algumas construtoras e incorporadoras conveniadas com o programa federal.

O que garante a continuidade de investimentos nesse braço forte do setor imobiliário é o banco de terrenos que as grandes empresas do setor possuem. Para o presidente da consultoria de mercado imobiliário Newmark Knight Frank, Sérgio Negro, "quem tem estoque de terrenos para a alta renda não deixará de investir nesse segmento".

O diretor comercial da Rossi Residencial, Leonardo Diniz, assegura que a empresa "está com um grande volume no banco de terrenos". O executivo diz que a empresa pretende investir fora do Estado de São Paulo, mas afirma que não deixará de "aproveitar as oportunidades em São Paulo".

Dos R$ 20,9 bilhões de valor geral de vendas (VGV) em banco de terrenos da Rossi, R$ 1,089 bilhão é destinado aos próximos lançamentos, com unidades acima de R$ 500 mil, na região metropolitana de São Paulo.

A Cyrela Brazil Realty também mostrou em seus resultados do segundo trimestre deste ano que está pronta para investir em alto padrão. A companhia acumula um VGV de R$ 4,7 bilhões em banco de terrenos, com permutas, em todo o País.

O último lançamento da Cyrela no bairro do Morumbi, no último dia 18, o Menara by Cyrela, mostra que a procura por apartamentos de luxo continua. Em três dias, foram vendidos seis apartamentos do empreendimento, que tem 18 coberturas. Cada unidade tem um valor de venda médio de R$ 1,3 milhão.

"Ninguém quer perder seu share", afirma o vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins. Para ele, interessados por imóveis luxuosos "dificilmente sofrem com a crise como os compradores da classe média". Diniz defende a tese de que a procura pelo luxo se manterá estável. "O público de alto poder aquisitivo continua comprando, mas em menor número que a classe econômica."

Os resultados do trimestre passado da Rossi demonstram a confiança de Diniz. Está registrado o lançamento de 245 unidades de alto padrão, com VGV de R$ 163 milhões. Valor considerável se comparado com os R$ 211 milhões de VGV de lançamentos econômicos.

Diniz não divulga o valor que a Rossi investirá em lançamentos no segundo trimestre, mas ressalta que o objetivo é aumentar a produção em relação ao segundo. "Como nossos estoques vêm caindo desde o fim do ano, pretendemos aumentar o número de lançamentos nos próximos meses. Estamos muito otimistas quanto ao mercado."

Conforme o diretor do Grupo Bueno Netto, João Antônio Mattei, o mercado de alto padrão "tinha freado, mas começou a melhorar no segundo trimestre". Ele comenta que poucas pessoas visitavam os lançamentos de médio e alto padrão no primeiro trimestre, e completa dizendo que "as vendas estão voltando ao que acontecia antes da crise".

A Bueno Netto é especializada em projetos para médio e alto padrão. Mas agora arrisca um "mix de produtos" com dois lançamentos econômicos até o final do ano. "O segmento imobiliário de baixa renda tem aproximadamente um déficit de 7 milhões de habitações", pontua Martins.

Ele exemplifica os incentivos fiscais e a alta demanda como "bons motivos" para os empresários investirem na baixa renda. Mas critica a falta de infraestrutura de determinadas regiões afastadas. "Isso inviabiliza os investimentos", conclui.

Fonte: DCI - SP

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