Bancos ampliam parceria com construtoras

Texto: Redação AECweb

Convênio entre Cyrela e BB deve ser um estímulo para que instituições privadas e agentes do mercado imobiliário sigam esse modelo

11 de janeiro de 2010 - Depois de orientar bancos públicos a uma maior agressividade na concessão de crédito, como forma de puxar o crescimento dos financiamentos no País durante o período de crise, e também estimular as instituições privadas a voltar a esse mercado, o governo federal pode vir a utilizar a mesma estratégia para alavancar o crédito imobiliário. Nesse sentido, o convênio assinado entre Banco do Brasil e a construtora Cyrela em novembro, e divulgado no fim da semana passada, deve ser um estímulo para que instituições privadas e agentes do mercado imobiliário sigam esse modelo.

Para o coordenador do Programa de Administração de Varejo (Provar), da Fundação Instituto de Administração (FIA), Cláudio Felisoni, essa deve ser a tendência do mercado. "Com o BB assumindo essa posição, deve estimular instituições financeiras e empresas do setor imobiliário nessa direção", acredita.

Ainda segundo ele, o programa governamental para reduzir o déficit habitacional no País, "Minha casa, Minha Vida", é "muito ambicioso", e precisaria do apoio da iniciativa privada para conseguir o sucesso almejado. Dessa forma, a parceria entre BB e Cyrela, é uma forma de "catalisar esforços nessa direção". "Durante a crise, os bancos públicos foram importantes para reduzir os impactos no crédito e dar confiança ao mercado, mesma direção que está sendo adotada, principalmente agora, próximo do período eleitoral", afirma. "Com o BB sinalizando disposição de acelerar seus investimentos no mercado imobiliário, deve dar mais confiança aos bancos privados".

O convênio celebrado entre Cyrela e Banco do Brasil prevê a abertura de linha de crédito com limite de R$ 300 milhões, e vigência até novembro de 2010. Segundo comunicado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), este valor deve ser sacado no prazo de vigência do convênio, "com prazo de vencimento máximo de 48 meses, contados da data em que for celebrado o respectivo instrumento de crédito para a contratação da operação".

Para o consultor especialista em fundos imobiliários Sérgio Belleza, a união entre dois dos maiores de cada setor irá contribuir para um crescimento do mercado. "Com certeza, haverá mais disputa, mais concorrência e mais recursos destinados a esse setor", analisa. O consultor aposta ainda que o total de recursos diponíveis, "na mão da Cyrela, não irão demorar dois meses para serem investidos".

No terceiro trimestre de 2009, a Cyrela Brasil Realty teve lucro líquido de US$ 148,531 milhões e foi considerada uma das construtoras de capital aberto mais lucrativas da América Latina pela consultoria Economatica.

Mercado imobiliário
Os financiamentos habitacionais já foram um dos grandes responsáveis pelo crescimento do crédito no ano passado, com uma alta de 36,5% até novembro, a um saldo de R$ 86,388 bilhões. O crédito como um todo no País, no mesmo período de 11 meses, cresceu 13,1%, a um saldo total de R$ 1,388 bilhão.

Apesar da expansão da linha em 2009, a representatividade total do segmento ainda é baixa, cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB). A projeção é que essa participação chegue a dois dígitos em um período de cinco anos.

Com as operações no setor tendo começado apenas no ano passado, a projeção o BB espera que sua a carteira chegue a R$ 3 bilhões em 2010. Em três anos, deve se posicionar entre os três maiores no segmento até 2012. Segundo avaliação de executivos do BB, era "inadmissível que uma instituição do porte do Banco do Brasil não possuísse uma carteira de crédito imobiliário". A líder em crédito imobiliário no mercado é a Caixa Econômica Federal, com uma participação superior a 70%.

Fonte: DCI-SP