BB passa a disputar cliente do Minha Casa com a Caixa

Texto: Redação AECweb

Estratégia passa pelo financiamento à construção para chegar ao tomador pessoa física

21 de março de 2012 - Enquanto os bancos privados competem pela preferência dos clientes de alta renda no crédito imobiliário, o Banco do Brasil (BB) estreia este ano na oferta de financiamento habitacional para a baixa renda, tendo como carro-chefe o programa de governo Minha Casa Minha Vida, segmento até então explorado exclusivamente por outro banco estatal, a Caixa Econômica.

Dos atuais 56 milhões de clientes do BB, 53 milhões têm renda mensal inferior a R$ 5 mil - público-alvo para o qual o banco pretende oferecer financiamento imobiliário das faixas 2 e 3 do Minha Casa Minha Vida, destinado a pessoas que recebem, mensalmente, de 2 a 10 salários mínimos.

Em um evento promovido pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) neste mês, Gueitiro Matsuo Genso, diretor da recém criada área de crédito imobiliário do BB, chegou a comparar o financiamento habitacional para a baixa renda como o "pré-sal" da instituição. "Esses clientes não vão consumir outros produtos do banco num primeiro momento, mas, como a ideia é torná-los fiéis por décadas, vamos acompanhar o progresso financeiro deles", explica Genso.

Segundo o executivo, a estratégia passa pelo financiamento à construção para chegar ao tomador pessoa física. O BB pretende financiar, até 2014, 412 mil unidades no âmbito do programa Minha Casa Minha Vida, sendo 228 mil para as faixas 2 e 3. Na faixa 1, para aqueles que ganham até 3 salários mínimos, os recursos são subsidiados pelo Fundo de Arrendamento Residencial (FAR).

O desempenho, porém, ainda está longe daquele exibido pela Caixa Econômica em 2011, ano em que financiou 457 mil unidades do Minha Casa Minha Vida.

O foco que o BB dará na baixa renda não significa que o banco irá descuidar dos clientes mais abonados, ressalta Genso. "O BB passou a oferecer crédito imobiliário só em 2008, mas não vamos deixar mais que eles escapem para a concorrência."

Fonte: Valor Econômico