BB poderá reduzir a captação imobiliária

Texto: Redação AECweb

Bancos que estouram o limite de captações terão 80 meses para se enquadrar no teto

27 de novembro de 2009 - O Conselho Monetário Nacional (CMN) concedeu prazo de 80 meses para o Banco do Brasil reduzir o seu excesso de captações em poupança imobiliária. O banco superou o teto depois das incorporações do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) e do Banco do Estado do Piauí (BEP) e da compra do controle acionário da Nossa Caixa.

Tradicionalmente, o BB sempre teve autorização para captar recursos na chamada poupança rural, com recursos dirigidos a financiamentos a agricultura. Em 2008, porém, o CMN autorizou que bancos que captam poupança rural possam também captar poupança imobiliária, com recursos dirigidos ao financiamento à habitação - e vice versa. A mudança na regra permitiu que o BB criasse sua carteira de crédito imobiliário.

Segundo a regra em vigor, para os bancos que trabalham primordialmente com poupança rural, a captação em caderneta imobiliária não pode ultrapassar 10% das captações totais do banco em poupança.

A mesma regra vale no outro sentido: nos bancos que captam poupança imobiliária, a captação em poupança rural não pode ultrapassar 10% da captação total em poupança. Hoje, apenas cinco bancos captam poupança rural e 17 captam poupança imobiliária.

Em setembro, as captações do BB em depósitos de poupança somavam R$ 60,358 bilhões, a maior parte rural. As captações em poupança da Nossa Caixa e Votorantim somavam R$ 11,975 bilhões, a maior parte imobiliária. Assim, numa conta conservadora, a poupança imobiliária representa algo como 20% das captações totais do conglomerado BB.

Pela regra aprovada ontem pelo CMN, bancos que estouram o limite de captações tem 80 meses para se enquadrar no teto, reduzindo as captações lentamente durante todo o período.

Outro voto do CMN ampliou o prazo de carência para alguns produtos da linha de financiamento de compra de bens de capital do BNDES, criada pela MP 456. São beneficiadas as compras de bens de capital para os setores portuário de petróleo e gás; de energia elétrica; e de transportes metroviários, ferroviário e marítimo de carga.

A carência, antes de 24 meses, sobe para 36 meses, para encomendas de valor superior a R$ 100 milhões. A linha destina até US$ 12 bilhões a esses setores e, em tese, o subsídio adicional é estimado em R$ 24 milhões.

Fonte: Valor Econômico - SP