Banner AECweb
menu-iconPortal AECweb

BNDES entra na construção

Texto: Redação AECweb

Banco quer apoiar o processo de consolidação do setor da construção civil, por meio de instrumentos de renda variável emitidos por companhias de capital aberto

27 de março de 2009 - O BNDES fez sua estréia no setor de construção civil. O primeiro aporte do banco no segmento imobiliário será na PDG Realty, empresa que possui participação em diferentes companhias do setor e hoje já é a segunda do setor em valor de mercado na Bovespa, atrás da Cyrela. A BNDESpar, empresa de participações do banco, entrará com R$ 155 milhões na operação de emissão de debêntures conversíveis em ações da PDG Realty -que totaliza R$ 276 milhões.

A operação é importante pois representa o primeiro investimento efetivo desde que o governo anunciou, em outubro do ano passado, que iria usar o BNDES como veículo para comprar participação de empresas do setor. A princípio, a ideia era associar-se a companhias com problemas, mas segundo o Valor apurou, depois de várias discussões, o governo optou por aportar capital -e, em um segundo momento, tornar-se acionista -em companhias saudáveis. Na época, Abyara e Inpar estavam em uma situação bastante delicada, mas ambas já estão com novos sócios.

A proposta é que a PDG, que tem forte exposição no segmento, use o dinheiro para adquirir outras empresas, projetos em andamento e terrenos de proprietários que não têm capital ou acesso a crédito para dar início às obras.

"O BNDES está disposto a apoiar o processo de consolidação do setor da construção civil, por meio de instrumentos de renda variável emitidos por companhias de capital aberto", disse o banco em comunicado. "O objetivo é fortalecer as empresas de construção, dando suporte a companhias bem estruturadas que queiram adquirir empreendimentos imobiliários e que tenham menor acesso a crédito." Segundo Zeca Grabowsky, presidente da PDG Realty, a empresa já está olhando oportunidades. "Há bons negócios para serem feitos."

As debêntures têm prazo de 42 meses, a um custo de CDI mais 2 pontos percentuais ao ano. "O custo e prazo da operação estão bem abaixo do observado no mercado atualmente", afirma relatório da Fator Corretora, que avaliou como positiva a operação, mesma posição de relatórios de Merrill Lynch e Barclays Capital. "A PDG se torna consolidadora natural do setor, com apoio do BNDES", diz relatório do Barclays, que emenda: "Quem não quer ter o governo como sócio?".

A BNDESPar se compromete a subscrever entre R$ 100 milhões e R$ 155 milhões das debêntures. O controlador da PDG - o fundo de participações PDG I, dos antigos sócios do Banco Pactual - se compromete a colocar de R$ 21,6 milhões a R$ 121 milhões. Esse teto representa 44% (percentual de participação dos sócios na PDG) dos R$ 276 milhões do total da operação. "Os controladores aceitaram abrir mão de parte do direito de preferência para o BNDES poder entrar", explica Grabowsky.

Os minoritários têm a opção de subscrever as ações pelo preço de conversão de R$ 17,00. Caso o valor dos papéis suba 40% acima desse preço, após dois anos da emissão, a companhia terá o direito de solicitar a conversão em ações de até 50% das debêntures em circulação. A PDG também poderá resgatar antecipadamente os papéis, mediante pagamento de prêmio de 10% sobre o saldo devedor. A diluição só acontecerá para os minoritários que não exercerem a preferência.

Fonte: Valor Econômico

x
Gostou deste conteúdo? Cadastre-se para receber gratuitamente nossos boletins: