BNDES libera linha de R$ 3 bi para construtoras

Texto: Redação AECweb

Verbas fazem parte de um total de R$ 15 bilhões que o BNDES está destinando ao capital de giro da iniciativa privada

18 de junho de 2009 - As empreiteiras com obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) devem começar a receber, nos próximos dias, recursos de uma linha especial de crédito de R$ 3 bilhões aberta pelo BNDES.

O objetivo é fornecer capital de giro, principalmente a pequenas e médias construtoras, com facilitação das garantias necessárias. Segundo o presidente da instituição, Luciano Coutinho, o único documento exigido pelo BNDES será o contrato para obras do PAC, mas os bancos públicos que vão repassar o dinheiro podem fazer mais exigências.

Os juros da nova linha serão de 10,25% ao ano e a criação do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), anunciado em maio e voltado a pequenas e médias empresas, pode facilitar ainda mais a liberação dos recursos, afirmou Coutinho.

"Conversamos com a rede bancária, com as empresas de construção e vimos que a linha é satisfatória. Esperamos que o programa funcione a contento."

Essas verbas fazem parte de um total de R$ 15 bilhões que o BNDES está destinando ao capital de giro da iniciativa privada - algo normalmente fora do foco do banco. "Estamos quebrando um galho", brincou Coutinho.

De acordo com ele, o Brasil pode manter a taxa de investimento em 19% do PIB, mesmo diante da crise. Isso ocorre por causa de um "bloco conciso" de seis setores "capazes de sustentar o investimento" porque são menos "autônomos a decisões de mercado".

Esses setores corresponderam em 2008 a 44,7% da taxa de formação bruta de capital fixo e são pouco vulneráveis à conjuntura econômica, disse Coutinho. São investimentos em petróleo e gás (12,3% do total), energia elétrica (3%), telecomunicações (3,2%), rodovias (2,3%), saneamento (2%) e construção civil (21,8%).

Entram nessa lista todo o capital a ser investido no pré-sal, usinas hidrelétricas e concessões rodoviárias como o Rodoanel de São Paulo e estradas federais - geralmente, obras colocadas no PAC. "É preciso que os analistas econômicos deixem a conjuntura um pouco de lado e olhem a médio e longo prazos", concluiu o presidente do BNDES.

Fonte: Valor Econômico