Caixa estenderá corte de taxas à casa própria

Texto: Redação AECweb

Novas modalidades de financiamento serão anunciadas nesta quarta. Banco prepara feirão de renegociação

25 de abril de 2012 - A Caixa Econômica Federal (CEF) estenderá para o crédito imobiliário a ofensiva dos bancos públicos para reduzir os juros cobrados dos brasileiros. O impacto da iniciativa no mercado deverá ser maior do que a redução das linhas para pessoa física promovida por Caixa e Banco do Brasil no início do mês, porque o banco público é o principal financiador habitacional do Brasil, com mais de 70% do setor. Segundo o presidente da Caixa, Jorge Hereda, as novas condições serão apresentadas nesta quarta-feira, às 11h, com o anúncio do 8 feirão da casa própria, que acontece a partir do dia 4 de maio em todo país.

- A população precisa comparar para ver quem realmente está baixando os juros no Brasil - disse Hereda.

No dia 12 de maio, a Caixa organizará também um grande feirão de juros baixos para que as pessoas possam renegociar dívidas antigas, informou. Até hoje, os bancos públicos e privados sempre foram tímidos na concorrência no segmento imobiliário. Apenas com a redução da taxa básica de juros nos últimos anos, tornou-se mais comum encontrar empréstimos de imóveis até R$ 500 mil com taxas abaixo do teto legal de 12% ao ano, além da taxa referencial (TR).

Segundo avaliação feita no mês passado pelo presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Octavio de Lazari Junior, nos últimos dois anos as taxas do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) caíram bastante, do teto de 12% para um valor médio entre 9,5% e 10% ao ano, além da TR. Não existem estatísticas precisas sobre as taxas desse setor.

A Caixa já adota, porém, um perfil mais agressivo nesse segmento. A taxa cobrada hoje de quem já é cliente é de 7,66% ao ano. Para quem não é cliente, com pacote de serviços, a taxa varia de 8,9% a 10% ao ano.

No caso dos imóveis do Programa Minha Casa Minha Vida, do qual a Caixa é o principal agente financeiro, a taxa fica a partir de 4,5%.

Financiamento habitacional é 10% do total de crédito


O financiamento imobiliário é a modalidade de crédito que mais cresce no país atualmente. Segundo dados do Banco Central, nos últimos 12 meses, o saldo de operações para pessoas físicas cresceu 44%, chegando a R$ 210 bilhões em fevereiro. No país, o financiamento habitacional representa cerca de 10% do total de crédito.

A redução das taxas de cheque especial, cartão de crédito e financiamentos pela Caixa e pelo Banco do Brasil, ao longo deste mês, foi acompanhada pelas maiores instituições privadas. Pelo menos Bradesco, Itaú, Santander e HSBC seguiram a tendência dos bancos públicos e anunciaram cortes em suas taxas para pessoas físicas.

Em entrevista no Palácio do Planalto, Hereda também comentou nesta terça-feira o tema tratado na reportagem publicada no mesmo dia no GLOBO, sobre as "pegadinhas" nos juros bancários. Ele destacou que, diferentemente de casos de concorrentes apresentados pelo jornal, a Caixa baixou juros para todas as pessoas físicas com crédito na instituição e não só para nichos, como os demais bancos. Segundo a reportagem, nos bancos privados os clientes precisam cumprir condições prévias para ter acesso às melhores taxas.

- Para todo mundo, a partir do dia 2 de abril reduzimos a taxa do cheque especial de 8% para 4,2% ao mês - disse o presidente da Caixa.

Mas, O GLOBO apurou que o juro menor para cheque especial na Caixa só é obtido após um período de relacionamento com o banco, segundo um gerente.

Fonte: O Globo